Johnson & Johnson pausa testes de vacina contra a Covid-19 após doença inexplicada

Os testes clínicos da potencial vacina contra Covid-19, desenvolvida pelo grupo Johnson & Johnson, foram temporariamente interrompidos devido a uma doença inexplicada em um voluntário do estudo, segundo anúncio da empresa na segunda-feira (13).

Um documento enviado a pesquisadores externos que executam o ensaio clínico com 60.000 voluntários afirma que uma “regra de pausa” foi cumprida, e que o sistema online usado para inscrever voluntários no estudo foi fechado. Além disso, o comunicado informa que a doença está sendo “analisada e avaliada pelo Conselho de Monitoramento de Segurança de Dados independente ENSEMBLE (DSMB), bem como por nossos médicos clínicos e de segurança internos”.

A pausa tem o objetivo de revisar todas as informações médicas da pesquisa antes de decidir se o estudo deve ser reiniciado. A empresa se recusou a dar detalhes sobre a doença devido a questões de privacidade. “Devemos respeitar a privacidade deste participante. Também estamos aprendendo mais sobre a doença desse participante e é importante ter todos os fatos antes de compartilhar informações adicionais”, disse em comunicado noticiado primeiramente pelo site Stat News.

O ensaio clínico da Johnson & Johnson, que deveria produzir resultados no início do próximo ano, é um dos quatro ensaios de vacinas no estágio mais avançado, fase 3.

A suspensão ocorre cerca de um mês após a AstraZeneca também suspender os testes em estágio final de sua vacina experimental desenvolvida com a Universidade de Oxford devido a uma reação adversa em um participante do estudo britânico. Neste caso, os testes já foram retomados na Grã-Bretanha, Brasil, África do Sul e Índia.

As vacinas das empresas J&J e AstraZeneca são baseadas no chamado adenovírus, um vírus modificado inofensivo que instrui as células humanas a produzir as proteínas da vacina. Ambas também fazem parte do programa Operation Warp Speed ​​do governo dos EUA para apoiar o desenvolvimento de vacinas.

As suspensões de testes para investigar a causa da doença de um participante não são incomuns, principalmente em ensaios que envolve um grande número de voluntários. 

No Brasil, a inclusão do primeiro paciente no estudo da Johnson & Johnson ocorreu em 9 de outubro e novas inclusões só poderão ocorrer quando houver autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que procederá com a análise dos dados da investigação e decidirá pela continuidade ou interrupção permanente do estudo clínico.


LEIA MAIS:
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