Pandemia e suicídio

Os impactos psicológicos causados pela quarentena e pelo isolamento social, notadamente, a irritabilidade, episódios depressivos e ansiosos, medo, raiva, insônia etc.[1,2,3], têm demandado uma atenção maior da sociedade e da área de saúde, uma vez que quanto mais tempo perdurar o isolamento social maiores serão as chances do surgimento e agravamento de doenças psiquiátricas[2,3].

Nesse sentido, o isolamento fez emergir diferentes problemas sociais, econômicos e psicológicos e, assim, muitos outros graves problemas se evidenciaram, mesmo não tendo uma relação direta com a COVID-19, como o aumento das taxas de suicídio[4].

Dentre esses graves problemas evidenciados pelo isolamento social, o suicídio ainda é visto como um tabu e um assunto proibido para a maioria das pessoas[5], apesar de estar entre as principais causas de morte no planeta e a segunda entre os jovens de 15 a 29 anos. Importante destacar que, segundo a Organização Mundial da Saúde, cerca de 800 mil pessoas morram todos os anos por suicídio[6].

O suicídio é um fenômeno multifatorial e bastante complexo, relacionado ao isolamento, à desesperança, ao histórico de doenças mentais e a suicídios no círculo social etc.[2,5] Da mesma forma, as estratégias de prevenção são multifatoriais e interdisciplinares, envolvendo diferentes áreas e abordagens como forma de promoção da vida[5].

Alguns fatores de alerta e que merecem atenção são[2]:

  • Irritação excessiva;
  • Sentimento de tristeza, baixa autoestima e impotência;
  • Tentativas prévias de suicídio;
  • Uso de álcool e/ou outras drogas;
  • Histórico familiar de suicídio;
  • Falta de suporte social;
  • Isolamento afetivo e sentimento de solidão;
  • Sentimento de desamparo e desesperança;
  • Autodesvalorização.

A presença desses fatores, potencializados pelo cenário da pandemia e do isolamento social, contribuem com o enfraquecimento dos laços sociais e, assim, aumentam o risco dos casos de suicídio. No entanto, a interação online, como forma de comunicação e fortalecimento desses laços, é uma importante estratégia de cuidado e prevenção do suicídio. Além disso, outras formas de cuidado podem ser adotadas, como[2]:

  • Compreender que o suicídio é complexo e multifatorial;
  • Não duvidar, desqualificar ou minimizar o relato de desejo de morte;
  • Acolher a pessoa, sem julgamentos, e considerar o ato como um sinal de alerta;
  • Escutar de maneira cuidadosa, respeitosa e séria, procurando sempre entender melhor o que ocorreu e como a pessoa se sente;
  • Oferecer ajuda para iniciar um acompanhamento psicológico e/ou psiquiátrico.

Nesse sentido, é importante compreender o suicídio como uma das diferentes expressões do sofrimento humano e estar atento para os diferentes fatores que o envolvem, além dos agravos trazidos pelo contexto atual. Portanto, a necessidade de se conscientizar e encarar o suicídio com responsabilidade, sem estigmatizar, julgar ou excluir as pessoas em sofrimento e vivendo nessa realidade, é uma das formas de prevenir o suicídio e, também, de promover a vida[2,5].


LEIA MAIS:
A motivação durante o isolamento social
Estresse e controle do estresse
Felicidade e Saúde Mental


Referências

[1] GOTTI, Eduardo Sousa, et al. Ativação em casa: Princípios de ativação comportamental para minimização dos efeitos do isolamento social. Revista Brasileira de Análise do Comportamento. [S.I.], 2020, v.16, n.1, p.41-49. Disponível em <https://periodicos.ufpa.br/index.php/rebac/article/view/9096>. Acesso em: 26/09/2020.

[2] AFONSO, Pedro; FIGUEIRA, Maria Luísa. Pandemia COVID‑19: Quais são os Riscos para a Saúde Mental? Revista Portuguesa de Psiquiatria e Saúde Mental. [S.I.], 2016, v.6, n.1, p.2-3. Disponível em: <https://www.revistapsiquiatria.pt/index.php/sppsm/article/download/131/53>. Acesso em: 14/10/2020.

[3] MINISTÉRIO DA SAÚDE. Saúde Mental e Atenção Psicossocial na Pandemia COVID-19: Suicídio na Pandemia COVID-19. Disponível em: <https://www.arca.fiocruz.br/handle/icict/41420>. Acesso em: 14/10/2020.

[4] ALMEIDA, Elza Waquim Bucar Nunes de; ARRUDA, Elda Waquim Bucar de. Efeitos do COVID-19 na Sociedade e na Cultura. Revista da FAESF. [S.I.], 2020, v.4, [s.n.], p.1-3. Disponível em: <http://faesfpi.com.br/revista/index.php/faesf/article/view/107/93>. Acesso em: 14/10/2020.

[5] JUNIOR, Carlos Stavizki. Os riscos sobre o aumento dos casos de suicídio no contexto de Pandemia: perspectivas para a prevenção no Estado do Rio Grande do Sul – Brasil. Ágora. Santa Cruz do Sul, 2020, v.22, n.2, p.2-21. Disponível em: <https://online.unisc.br/seer/index.php/agora/article/view/15422/9263>. Acesso em: 14/10/2020.

[6] ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE. Suicídio [Internet]. Geneva: OMS, 2018. Disponível em: <https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/suicide>. Acesso em: 14/10/2020.

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