Como a pandemia impactou o cotidiano de quem vive com HIV/Aids

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Lidar com a pandemia do novo coronavírus e seus efeitos na vida das pessoas do mundo inteiro tem sido muito difícil. Na saúde, entre as inúmeras consequências da Covid-19, o impacto no número de diagnósticos e pausas no tratamento do HIV se tornou uma preocupação para a comunidade médica e para os portadores do vírus.

Evidências mostram que pessoas com HIV podem ter um risco aumentado de doença grave e morte por Covid-19. E esse risco foi agravado ainda mais por interrupções no tratamento.

De acordo com dados do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV (UNAIDS), uma pausa completa de seis meses no tratamento do HIV poderia causar mais de 500.000 mortes adicionais na África Subsaariana durante o próximo ano (2020–2021), trazendo a região de volta aos níveis de mortalidade por AIDS em 2008. Mesmo uma interrupção de 20% poderia causar mais 110.000 mortes.

No entanto, são diversos fatores que influenciam na redução do diagnóstico e na interrupção do tratamento, tais como: restrições de mobilidade durante o isolamento social; receio de sair de casa para ir na unidade de saúde e ser infectado pelo novo coronavírus; fechamento total ou parcial dessas unidades — com o cancelamento de algumas atividades de atendimento clínico, mantendo apenas a entrega do tratamento pela farmácia. E, também, a realocação de alguns profissionais de saúde para atuar na linha de frente do coronavírus, reduzindo o atendimento de testagem.

Uma pesquisa da Organização Mundial da Saúde (OMS), realizada em 127 países no início deste ano, mostrou que mais de um quarto dos países relatou interrupção parcial do tratamento antirretroviral. Para impedir a falta de medicamentos, a OMS publicou diretrizes para o tratamento do HIV, que recomendam o fornecimento de prescrições mais longas de antirretrovirais por 3 a 6 meses, reduzindo a necessidade de acesso ao sistema de saúde.

Com a implementação, o número de países que relataram pausa diminuiu quase 75% desde junho. O que é uma boa notícia. Apenas 9 países ainda relatam interrupções do tratamento do HIV e 12 relatam um estoque criticamente baixo de medicamentos antirretrovirais.

O UNAIDS recomenda que os serviços de HIV devem continuar disponíveis para pessoas que vivem ou que estejam em risco de infecção pelo vírus. Isso inclui a garantia da disponibilidade de preservativos, da redução de danos, da profilaxia pré-exposição (PrEP) e da testagem de HIV, entre outros insumos da prevenção combinada. 

Apesar do impacto no sistema de saúde causado pela Covid-19, os serviços e atendimentos para pessoas que vivem com HIV devem ser mantidos, além de garantir que estejam disponíveis para pessoas vulneráveis. As organizações de saúde encorajam as pessoas que vivem com o vírus a se certificarem de que estão tomando seus medicamentos regularmente e comparecendo à clínica para reabastecimento e exames.


HIV no Brasil

De acordo com dados do último boletim epidemiológico do Ministério da Saúde, atualmente cerca de 920 mil pessoas vivem com HIV no país. Dessas, 89% delas foram diagnosticadas, 77% fazem tratamento com antirretroviral e 94% das pessoas em tratamento não transmitem o vírus, por terem atingido carga viral indetectável. Em 2020, até outubro, cerca de 642 mil pessoas estavam em tratamento antirretroviral.

Em 2019, foram diagnosticados 41.909 novos casos de HIV e 37.308 casos de AIDS – notificados no Sinan. Além disso, foram 10.565 mortes pela doença. A maior concentração de casos de AIDS está entre os jovens, de 25 a 39 anos, de ambos os sexos, com 492,8 mil registros no total. Os casos nessa faixa etária correspondem a 52,4% dos casos do sexo masculino e, entre as mulheres, a 48,4% do total de casos registrados.

O Ministério da Saúde estima que cerca de 10 mil casos de AIDS foram evitados no país, no período de 2015 a 2019. Na avaliação da pasta, ações como a testagem para a doença e o início imediato do tratamento, em caso de diagnóstico positivo, são fundamentais para a redução do número de casos e óbitos pela doença.


Foto: Rodrigo Nunes/MS


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