Os cuidados que você não pode deixar de ter com a sua saúde mental

O Janeiro Branco é uma campanha que incentiva as pessoas a refletirem sobre sua saúde mental. Esse tipo de campanha serve para que um tema específico e importante fique em evidência e , por consequência, proporcione um maior engajamento das pessoas quanto ao cuidado com a sua saúde, assim como também acontece no “ Outubro Rosa”, “Setembro Amarelo”, “Novembro Azul”.

É de extrema importância que essas campanhas aconteçam, pois trazem destaque a temas fundamentais relativos à nossa saúde, mas que, por vezes, ainda existem tabus e mitos culturais que são empecilhos para que as pessoas de um modo geral se cuidem mais. Além disso, esclarece a população sobre sintomas, prevenção, tratamentos e também sobre como auxiliar alguém que esteja vivenciando alguma dessas doenças.

Não é a toa que temos pelo menos dois meses alusivos à saúde mental: o Janeiro Branco que dá destaque a saúde mental como um todo e o Setembro Amarelo que é o mês com ênfase a prevenção ao suicídio. Me pergunto do por que se faz necessário termos campanhas sobre esses temas, pois não seria óbvio o cuidado com a saúde mental? Pois é, mas “aquele mantra” cabe muito bem como resposta para essa pergunta: “o óbvio também precisa ser dito”. 

Na verdade, é ainda fundamental ser dito, pois o cuidado com a nossa mente ainda é permeado por devaneios que tornam o sofrimento psíquico muito mais difícil do que ele é. Quem nunca pensou ou, até mesmo, ouviu algo do tipo: “eu não sou louca pra ter que ir no psicólogo”, “eu não vou pagar alguém pra conversar comigo”, “quem tem depressão é porque não tem fé em Deus”, “remédio psiquiátrico vicia”.

São inúmeras expressões que denotam ainda as possíveis barreiras que alguém pode ter ao buscar auxílio profissional. Dessa forma, a importância de desmistificarmos essas ideias e espalharmos o que, no final das contas, é o essencial para a nossa vida e para a manutenção da nossa saúde mental.

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Por isso, o objetivo deste texto é elucidar alguns cuidados fundamentais que precisamos ter com a nossa saúde mental como forma de prevenção e promoção do nosso bem-estar. Caso você não esteja tendo nenhum desses cuidados, não se sinta culpado! A ideia é que esse texto te motive a ter mais zelo com a sua mente e por consequência te fazer ir em busca de maior qualidade de vida pra você.

A gente não poderia falar de saúde mental sem falar de autoconhecimento. Por isso, o primeiro cuidado fundamental é: busque autoconhecimento. Mais do que saber o que você gosta ou o que não gosta, eu te desafio a buscar autoconhecimento emocional, cognitivo e comportamental.

  • Você sabe o que a ansiedade promove em você? Quais são as emoções que mais você tem dificuldade em lidar? Você acha que tem dificuldade em expressar suas emoções?
  • Com quais filtros você enxerga o mundo? Esses filtros fazem você se achar inferior aos outros? Você tem dificuldade de olhar pra si com carinho e compaixão? Quais são os seus valores? Como você se sente nas suas relações? Sente que tem relações satisfatórias?
  • Quais situações fazem você não se orgulhar dos seus comportamentos? O que você sentia prazer em fazer e agora não faz mais? O que você precisa fazer para  alcançar suas metas e objetivos?

Essas são algumas das várias perguntas que podemos fazer para entendermos melhor quem somos. Nem sempre as respostas são exatas, elas podem vir com um “depende”, “às vezes sim, às vezes não”. O que importa, no final das contas, é aprimorarmos nosso diálogo interno e estarmos atentos ao funcionamento das nossas emoções, da nossa cognição e, por consequência, do nosso comportamento.

Outro cuidado que você não pode deixar de ter com você mesmo é: busque auxílio profissional. Você pode estar se perguntando: “mas quando eu vou saber se é o momento certo, se eu realmente preciso disso?” Essa resposta pode aparecer no seu diálogo interno, na sua auto avaliação e também no seu histórico de vida. Também quero poder te auxiliar com outras perguntas:

  • Há algum conflito emocional que está sendo difícil lidar sozinho?
  • Ao longo da sua vida, tem algum padrão emocional e comportamental que se repete e que você avalia que não faz bem para você ou para alguém à sua volta?
  • Alguma pessoa que você confie e que é importante pra você  te aconselhou a buscar auxílio psiquiátrico e/ou psicológico?
  • Sente que suas emoções e seu comportamento tem afetado suas relações familiares e profissionais?
  • Tem se sentido triste e desanimado ao ponto de não ver mais sentido em viver?

Respondendo SIM para alguma dessas perguntas, você pode ter um indicativo de que é a hora certa de buscar um apoio especializado.

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Um outro cuidado fundamental é: tenha a prática regular de exercícios físicos. Você sabia que a prática regular de exercícios físicos, além dos benefícios fisiológicos, acarretam benefícios psicológicos? Estudos mostram que há uma maior sensação de bem estar, melhora do humor, assim como há a redução dos sintomas prejudiciais da ansiedade, estresse e depressão.

Desse modo, a prática regular de exercícios físicos pode auxiliar prevenindo sintomas e as próprias doenças mentais, além de ser um dos pilares de tratamento unido à psicoterapia e à medicação.

Por último, mas não menos importante é: mantenha e cultive boas relações. Contar com  algum familiar ou algum amigo querido é muito importante para a nossa saúde mental. Seja em momentos felizes ou tristes, é extremamente terapêutico saber que podemos contar com alguém e que temos apoio emocional quando precisarmos. E assim como em qualquer relação, é necessário investirmos afeto, compromisso e cuidado para que ela floresça e se mantenha firme e constante. Por isso, faça sua parte no investimento das suas relações.

Também é importante lembrar que não investir em relações que não nos acrescentam e nos prejudicam de alguma forma também nos protege e nos auxilia no cuidado da nossa saúde mental.

Você pode listar várias coisas que são fundamentais para o cuidado da sua saúde mental e que são subjetivas e únicas para você. Agregue elas a esses cuidados citados ao longo deste texto, guarde elas consigo e coloque em ação. Não espere mais.

Que essas reflexões te incentivem a olhar para sua saúde mental com mais carinho e que, cada vez mais, você sinta que cuidando da sua mente você automaticamente cuida e zela pela sua vida.


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Fontes de pesquisa:

https://janeirobranco.com.br/

Batista, J. I., & de Oliveira, A. (2016). EFEITOS PSICOFISIOLÓGICOS DO EXERCÍCIO FÍSICO EM PACIENTES COM TRANSTORNOS DE ANSIEDADE E DEPRESSÃO. Corpoconsciência, 19(3), 1-10. Recuperado de https://periodicoscientificos.ufmt.br/ojs/index.php/corpoconsciencia/article/view/3974

Luísa Anzolin
Psicóloga clínica com foco na terapia cognitivo comportamental. CRP 07/32043

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