Aplicativo do Ministério da saúde recomenda tratamentos sem eficácia comprovada para Covid-19

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O Ministério da Saúde lançou o aplicativo TrateCov, a fim de “auxiliar os profissionais de saúde na coleta de sintomas e sinais de pacientes visando aprimorar e agilizar os diagnósticos da Covid-19″. No entanto, o possível tratamento indicado inclui medicamentos que, segundo diversos estudos, não são eficazes contra a doença.

A pasta afirma que o aplicativo entrega opções terapêuticas disponíveis na literatura científica atualizada. Mas, o site TecMundo divulgou que segundo o código-fonte do site, as “opções terapêuticas” envolvem: ivermectina, cloroquina, hidroxicloroquina, azitromicina, sulfato de zinco, doxiciclina, zinco e dexametasona.

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Código-fonte divulgado pelo usuário @breakzplatform

Ainda não existe nenhum tratamento precoce que se mostrou eficaz contra a Covid-19.

Em novembro, um estudo brasileiro mostrou que pacientes que tomam cloroquina há anos tem o mesmo risco de desenvolver a Covid-19 do que aqueles que nunca tomaram. Participaram cerca de 400 estudantes de medicina e quase 10 mil voluntários espalhados por 20 centros do Brasil.

Antes disso, outras pesquisas já haviam analisado a ineficácia dos medicamentos para prevenção e tratamento da infecção pelo coronavírus. A revista científica Nature, uma das mais renomadas do mundo, publicou dois estudos que apontaram que a cloroquina e a hidroxicloroquina não são efetivas contra a Covid-19.

O aplicativo é uma página na qual médicos e enfermeiros podem inserir dados do paciente – como peso, altura, e comorbidades – e sintomas. Também há campos em que o profissional responde se o paciente saiu ou não de casa nos últimos dias e para onde foi.

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Captura de tela do formulário clínico do TrateCov 
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Captura de tela do formulário clínico do TrateCov 

Em informativo publicada na Veja, os Membros da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI) e da Associação Médica Brasileira (AMB) afirmam que “nenhuma medicação tem eficácia na prevenção ou no ‘tratamento precoce’ para a Covid-19” e que as “pesquisas clínicas com medicações antigas indicadas para outras doenças e novos medicamentos estão em pesquisa”.

Diversos jornalistas e desenvolvedores relataram casos e falhas do serviço no Twitter.

O Ministério da Saúde ainda não se posicionou sobre o assunto.


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