Hanseníase: Brasil registra 30 mil novos casos por ano


Denominada como “lepra” até a década de 1990, a hanseníase é uma doença infectocontagiosa causada pela bactéria Mycobacterium leprae ou bacilo de Hansen. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), em todo o mundo, 210 mil novos casos são reportados anualmente, dos quais, 15 mil são de crianças. Dados de 2018 mostram que a doença se encontrava em 127 países, com 80% dos casos na Índia, Brasil e Indonésia.

No Brasil, foram 312 mil novos casos registrados nos últimos dez anos, o que coloca o país na segunda posição no ranking mundial da doença, atrás da Índia. A média é de 30 mil novos casos por ano. Do total dos 312 mil registros feitos de 2010 até 2019, 30% foram diagnosticados com algum grau de incapacidade física, ou seja, apresentavam perda de força ou da sensibilidade ou ainda deformidades visíveis nas mãos, pés ou olhos, segundo a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD).

A doença afeta principalmente a pele, os nervos, a mucosa do trato respiratório superior e os olhos. Em alguns casos, os sintomas podem aparecer nove meses após a contaminação e, em outros casos, podem demorar até 20 anos. A hanseníase não é altamente infecciosa e é transmitida por meio do contato próximo e frequente com pessoas infectadas não tratadas. A hanseníase tem cura e o tratamento oferecido reduz consideravelmente as chances de deficiência.

O Dia Mundial da Hanseníase é celebrado no último domingo de janeiro, este ano, dia 31, e tem por objetivo aumentar a conscientização sobre uma doença que muitos acreditam estar extinta.

Sinais e Sintomas

Os principais sinais e sintomas da Hanseníase incluem:

  • Manchas e/ou lesões esbranquiçadas, avermelhadas ou amarronzadas em qualquer parte do corpo com perda ou alteração de sensibilidade térmica ou dolorosa;
  • Áreas da pele com diminuição de suor.
  • Áreas da pele com queda de pelos, especialmente nas sobrancelhas;
  • Áreas do corpo com sensação de formigamento e/ou fisgadas;
  • Diminuição e/ou ausência da força muscular nas mãos, pés e face;
  • Nódulos (caroços) no corpo, em alguns casos avermelhados e dolorosos;

Como é feito o diagnóstico da Hanseníase?

O diagnóstico de hanseníase é realizado essencialmente através do exame clínico, quando se busca os sinais dermatoneurológicos da doença. Ele é realizado por meio de exame geral para identificar lesões ou áreas de pele com alteração de sensibilidade e/ou comprometimento de nervos, com alterações sensitivas e motoras.

Em crianças, o diagnóstico também exige avaliação mais criteriosa. Casos em criança, podem sinalizar transmissão ativa da doença, especialmente entre os familiares.

Como é transmitida?

A transmissão ocorre quando uma pessoa com hanseníase, sem tratamento, elimina o bacilo para o meio exterior, infectando outras pessoas por meio do contato com as secreções, como a saliva, o muco e até mesmo as lágrimas.

Há dois tipos de hanseníase, a Paucibacilar (PB) caracterizada por casos que apresentam até cinco lesões de pele e a Multibacilar (MB), quando há mais de cinco lesões.

De acordo com o Ministério da Saúde, os doentes com poucos bacilos – Paucibacilares (PB) – não são considerados importantes como fonte de transmissão da doença devido à baixa carga bacilar. Já os pacientes com o tipo multibacilar (MB) – muitos bacilos -, são o grupo contagiante.

A hanseníase apresenta longo período de incubação, ou seja, tempo em que os sinais e sintomas se manifestam desde a infecção. Geralmente, dura em média de 2 a 7 anos, não obstante haja referências à períodos inferiores a 2 e superiores a 10 anos.

Tratamento

A hanseníase tem cura. O Sistema Único de Saúde (SUS) disponibiliza o tratamento e acompanhamento da doença em unidades básicas de saúde e em referências. O tratamento é realizado com a Poliquimioterapia (PQT), uma associação de antibimicrobianos, recomendado pela Organização Mundial de Saúde (OMS).

Os medicamentos são seguros e eficazes. O paciente deve tomar a primeira dose supervisionada pelo profissional de saúde. As outras são autoadministradas. Já no início do tratamento, a doença deixa de ser transmitida. Familiares, colegas de trabalho e amigos, além de apoiar o tratamento, também devem ser examinados. Para crianças com hanseníase, a dose dos medicamentos do esquema padrão é ajustada de acordo com a idade e o peso.


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