Dia Mundial do Câncer: movimento global lança metas de saúde e alerta sobre o impacto da pandemia

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No Dia Mundial do Câncer, lembrado nesta quinta-feira (04), o movimento global União Internacional para o Controle do Câncer (UICC) destaca os esforços de organizações em prol da causa e indivíduos em todo o mundo que lutam para manter o progresso no tratamento do câncer.

O movimento lançou uma novidade este ano: o “Desafio dos 21 dias para a mudança”. A ideia é que por meio de tarefas diárias, que vão desde mudanças de atitude – como comer mais verduras e legumes – consiga a melhora da saúde com a criação de hábitos saudáveis.

A ação faz parte do encerramento da campanha lançada em 2019, com o título “Eu sou, eu vou: Juntos, todas as nossas ações são importantes”, que compartilhou a ideia de que os indivíduos podem reduzir o impacto do câncer em sua vida, na das pessoas que ama e no mundo. Neste ano, o movimento destaca o trabalho realizado pelos profissionais de saúde, pesquisadores, voluntários e defensores da oncologia que estiveram na linha de frente na pandemia do novo coronavírus.

inca 21 dias cancer 1

No Brasil, o Instituto Nacional do Câncer José Alencar Gomes da Silva (Inca), vinculado ao Ministério da Saúde, também aderiu ao movimento. A instituição vai divulgar em sua página na internet os 21 desafios, um a cada dia, com o objetivo de conscientizar, educar sobre a saúde e apoiar alguém que está em processo de tratamento da doença.

Serão dadas dicas para cada desafio, diariamente, pela equipe do instituto. “Se todo mundo experimentar uma coisa diferente, nem que seja por um dia, quem sabe se anima a mudar o comportamento para sempre em sua vida. Essa é a ideia da campanha”, informou a chefe da Coordenação de Prevenção e Vigilância do Inca, Liz Almeida.


Pandemia e o diagnóstico de câncer

Uma estimativa das Sociedades Brasileiras de Patologia (SBP) e de Cirurgia Oncológica
(SBCO) aponta que, desde o início da pandemia mais de 50 mil brasileiros deixaram de ser diagnosticados com câncer. De acordo com os dados, apenas no mês de abril de 2020, 70% das cirurgias oncológicas foram adiadas.

De acordo com a OMS, entre os 53 países da Europa (incluindo vários da Ásia Central), um em cada três países interrompeu parcial ou totalmente os seus serviços oncológicos por causa da mobilização contra a pandemia e das restrições de viagens.

Levantamento realizado pela Fundação do Câncer aponta que o número de exames de mamografias realizados no Sistema Único de Saúde (SUS) despencou mais de 80% durante a pandemia da Covid-19, se comparado aos mesmos meses no ano anterior. A situação global tem desestimulado as pessoas a procurar os serviços de saúde, dificultando o diagnóstico e tratamento dos casos de câncer de mama.

Os pacientes oncológicos têm mais chance de se infectar pelo novo coronavírus, devido às condições imunológicas, maior frequência de visitas aos hospitais e clínicas, e tratamentos instituídos. Apesar disso, é imprescindível que o tratamento continue sendo realizado.

“A Covid-19 impactou o controle do câncer globalmente e a resposta da comunidade do câncer foi extraordinária, até heroica. Este ano, mais do que nunca, é apropriado comemorarmos suas conquistas no Dia Mundial do Câncer. Vamos todos ter como objetivo, em 2021, reorientar nossos esforços coletivos para os desafios de longo prazo que o câncer representa para todos os países do mundo. Devemos prevenir mais, diagnosticar mais cedo e garantir que todas as pessoas que vivem com câncer tenham acesso ao tratamento de qualidade de que precisam”, destacou o CEO do movimento global UICC, Dr. Cary Adams.

Cenário global do câncer

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o panorama do câncer no mundo está mudando. Estatísticas publicadas pela Agência Internacional de Pesquisa sobre o Câncer (IARC) em dezembro de 2020 mostram que o câncer de mama superou o câncer de pulmão como o câncer mais comumente diagnosticado no mundo.

Nas últimas duas décadas, o número total de pessoas diagnosticadas com câncer quase dobrou, de cerca de 10 milhões em 2000 para 19,3 milhões em 2020. Atualmente, uma em cada 5 pessoas no mundo desenvolverá câncer durante a vida. Segundo a OMS, as projeções sugerem que o número de pessoas com diagnóstico de câncer aumentará ainda mais nos próximos anos e será quase 50% maior em 2040 do que em 2020.

O número de mortes por câncer também aumentou, de 6,2 milhões em 2000 para 10 milhões em 2020. Mais de uma em cada seis mortes é devido ao câncer. O câncer também é uma das principais causas de morte de crianças e adolescentes, com cerca de 400.000 crianças diagnosticadas com câncer a cada ano. 

Câncer no Brasil

O Instituto Nacional do Câncer (INCA), estima que para cada ano do triênio 2020-2022 ocorrerão 625 mil casos novos de câncer (450 mil, excluindo os casos de câncer de pele não melanoma), no Brasil. O câncer de pele não melanoma será o mais incidente (177 mil), seguido pelos cânceres de mama e próstata (66 mil cada), cólon e reto (41 mil), pulmão (30 mil) e estômago (21 mil).

Em homens, em 2020, foram diagnosticados quase 310 mil casos de câncer, exceto o de pele não melanoma. O total de mortes notificadas foram 117.477, contabilizando todas as neoplasias. Confira os dados no quadro a seguir:

Localização PrimáriaCasos Novos
Próstata65.840
Cólon e Reto20.540
Traqueia, Brônquio e Pulmão17.760
Estômago13.360
Cavidade Oral11.200
Esôfago8.690
Bexiga7.590
Laringe6.470
Leucemias5.920
Sistema Nervoso Central5.870
Todas as Neoplasias, exceto pele não melanoma225.980
Fonte: Instituto Nacional do Câncer (INCA)

Em mulheres, no ano de 2020, foram diagnosticadas 316.280 casos de câncer. Foram notificadas 107.235 mortes, no total. Confira os dados para cada tipo de câncer, em mulheres, no Brasil:

Localização PrimáriaCasos Novos
Mama feminina66.280
Cólon e Reto20.470
Colo do útero16.710
Traqueia, Brônquio e Pulmão12.440
Glândula Tireoide11.950
Estômago7.870
Ovário6.650
Corpo do útero6.540
Linfoma não-Hodgkin5.450
Sistema Nervoso Central5.230
Todas as Neoplasias, exceto pele não melanoma223.110
Fonte: Instituto Nacional do Câncer (INCA)

Mesmo durante a situação global de pandemia, o Ministério da Saúde destaca que o paciente com câncer não deve, em hipótese alguma, interromper seu tratamento por conta própria, seja quimioterapia, radioterapia ou uma cirurgia. Toda decisão deve ser pensada junto com a equipe de saúde. Em algumas situações, caso seja necessário e possível, consultas e exames poderão ser adiados e remarcados.

O paciente oncológico deve redobrar a atenção caso tenha sintomas de uma doença respiratória, como tosse ou falta de ar, principalmente se houver contato próximo com uma pessoa suspeita ou confirmada para a covid-19.


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