Guiné declara novo surto de ebola após registrar três mortes

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Surto do vírus Ebola em outubro de 2014. A equipe de gerenciamento de cadáveres no centro de tratamento de Ebola da IFRC em Kenema Serra Leoa é responsável por enterrar pacientes que já faleceram.

As autoridades de saúde de Guiné declararam um novo surto de ebola no domingo (14), depois que três pessoas morreram e quatro adoeceram, com testes do vírus confirmados pelo laboratório nacional. Os casos foram registrados na comunidade rural de Gouéké. Esta é a primeira vez que a doença reaparece desde o pior surto de ebola no mundo, entre 2013 e 2016.

As investigações revelaram que uma enfermeira da unidade de saúde local morreu em 28 de janeiro de 2021. Após seu velório, seis pessoas que compareceram ao funeral relataram sintomas e duas delas morreram, enquanto as outras quatro foram hospitalizadas.

Os pacientes adoeceram e manifestaram sintomas como diarreia, vômitos e sangramento após comparecerem a um velório na subprefeitura de Goueke. Os que ainda estão vivos foram isolados em centros de tratamento, disse o Ministério da Saúde local.

“É uma grande preocupação ver o ressurgimento do Ebola na Guiné, país que já sofreu muito com a doença. No entanto, com base na perícia e experiência acumuladas durante o surto anterior, as equipes de saúde na Guiné estão se movendo para rastrear rapidamente o caminho do vírus e reduzir outras infecções ”, disse o Diretor Regional da Organização Mundial da Saúde (OMS), Dr. Matshidiso Moeti. “A OMS está apoiando as autoridades na criação de estruturas de teste, rastreamento de contato e tratamento e para trazer a resposta geral em velocidade máxima.”

Amostras dos casos confirmados foram enviadas ao centro do InstitutPasteur, no Senegal, para sequenciamento completo do genoma para identificar a cepa do vírus Ebola. 

A Guiné foi um dos três países mais afetados no surto de Ebola na África Ocidental entre 2013 e 2016, o maior desde que o vírus foi descoberto pela primeira vez em 1976. No total, houve 28.000 casos da doença, incluindo 11.000 mortes. O surto começou na Guiné e depois cruzou as fronteiras terrestres para Serra Leoa e Libéria.

A declaração sobre os casos foi feita cerca de uma semana depois que a República Democrática do Congo anunciou que havia detectado seu primeiro caso de ebola após meses do fim do surto mais recente. Em 7 de fevereiro de 2021, o Ministro da Saúde do Congo também declarou surto de Doença do Vírus Ebola (EVD) após a confirmação laboratorial de um caso na província de Kivu do Norte. O caso era de uma mulher adulta residente na Zona Sanitária de Biena. 

O Congo confirmou quatro casos de Ebola desde que o ressurgimento do vírus. Uma campanha de vacinação contra o ebola começou na cidade de Butembo, no leste da República Democrática do Congo, informou a Organização Mundial da Saúde (OMS) em um tweet nesta segunda-feira (15). Os profissionais de saúde do centro de saúde de Matanda, onde o primeiro paciente de Ebola foi tratado, foram os primeiros a serem vacinados, disse a OMS.


De acordo com a OMS, o ressurgimento da doença não é inesperado, visto que a Ebola é endêmica na República Democrática do Congo e que o vírus está presente em reservatórios de animais na região. “O risco de ressurgimento por exposição a animais hospedeiros ou fluidos corporais de sobreviventes do Ebola não pode ser excluído. Além disso, não é incomum que ocorram casos esporádicos após um grande surto”, relata comunicado.


Doença pelo vírus Ebola (EVD)

A doença pelo vírus Ebola (EVD) é uma doença grave e frequentemente fatal que afeta humanos e outros primatas. A taxa média de letalidade é de cerca de 50%. As taxas de letalidade variaram de 25% a 90% em surtos anteriores.

O vírus é transmitido às pessoas por animais selvagens (como morcegos frugívoros, porcos-espinhos e primatas não humanos) e, em seguida, se espalha na população humana por meio do contato direto com o sangue, secreções, órgãos ou outros fluidos corporais de pessoas infectadas e materiais contaminados.


Foto: International Federation of Red Cross and Red Crescent Societies


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