Pelo menos 20,5 milhões de anos de vida foram perdidos para a Covid-19

O impacto da pandemia de Covid-19 pode ter resultado em espantosos 20,5 milhões de anos de vida perdidos em todo o mundo, de acordo com estimativas de um novo estudo publicado na Scientific Reports. Em média, cada pessoa que morreu pela doença perdeu 16 anos de vida. A pesquisa compreendeu que a mortalidade por Covid-19 não somente requer contar as vítimas, mas também analisar o quão prematuras são as mortes.

Os pesquisadores analisaram o impacto da mortalidade prematura por Covid-19 calculando a quantidade de anos de vida perdidos em 81 países, cobrindo mais de 1.279.866 mortes. 

Os dados foram retirados de um banco de dados de mortes e casos confirmados de Covid-19, conhecido como COVerAge-DB, que inclui dados de 112 países. A análise incluiu todos os países com pelo menos uma morte pela doença em 6 de janeiro de 2021. Em seguida, eles calcularam os “anos de vida perdidos”, ou a diferença entre a idade de uma pessoa ao morrer e sua expectativa de vida, usando dados sobre a expectativa de vida nesses países.

Até o dia 6 de janeiro de 2021, apenas um quarto desses anos de vida perdidos veio de pessoas com mais de 75 anos. Quase metade dos anos de vida foi perdida por pessoas de 55 a 75 anos de idade, e quase um terço veio de pessoas com menos de 55 anos. Os homens perderam 45% mais anos de vida do que as mulheres, segundo os autores. Os resultados do estudo confirmam o grande impacto da mortalidade da Covid-19 entre os idosos.

“Do ponto de vista da saúde pública, anos de vida perdidos são cruciais porque avalia o quanto a vida foi interrompida para as populações afetadas pela doença”, escreveram os autores no artigo, publicado no dia 18 de fevereiro, na revista científica Nature.

O estudo também descobriu que em países com muitos casos de Covid-19, os anos de vida perdidos foram duas a nove vezes maiores do que os anos de vida perdidos devido à gripe durante uma temporada típica de gripe.

Limitações do estudo

Os pesquisadores observam que o estudo tem algumas limitações importantes. Dado que muitos países provavelmente subestimam as mortes por Covid-19, o cálculo do total de anos de vida perdidos pode estar subestimado. Por outro lado, as pessoas que morrem pela doença podem tender a ter uma expectativa de vida mais curta do que a média das pessoas, o que também pode levar a uma superestimativa dos anos de vida perdidos. 

Além disso, a pesquisa também não analisou os anos de vida perdidos em todos os 195 países do mundo, o que significa que o número mundial de vítimas pode ser ainda maior.

Por fim, foi examinada apenas a morte prematura e não o potencial fardo para a saúde da doença entre os sobreviventes, ou “anos vividos com deficiência” como resultado da doença. De acordo com os pesquisadores, mais pesquisas são necessárias sobre os efeitos de longo prazo do Covid-19 na saúde e a frequência com que ocorrem.

Comparações com outras causas de mortalidade

A fim de colocar os impactos da Covid-19 nos anos de vida perdidos em perspectiva, os pesquisadores compararam os dados com os [da mortalidade prematura de três outras causas comuns de morte: problemas cardíacos (doenças cardiovasculares), acidentes de trânsito e a “gripe” sazonal ou influenza

As doenças cardíacas são uma das principais causas de anos de vida perdidos, enquanto os acidentes de trânsito são uma causa de nível médio. A gripe sazonal comum também foi comparada com a Covid-19, uma vez que ambas são doenças respiratórias infecciosas.

Descobriu-se que em países altamente impactados, a Covid-19 é duas a nove vezes maior do que a gripe sazonal comum (em comparação com um ano de gripe mediana para o mesmo país), entre 2 e 8 vezes as taxas de anos de vida perdidos relacionadas ao tráfego, entre um quarto e meio atribuíveis a doenças cardíacas nos países. 

“Esses resultados devem ser entendidos no contexto de uma pandemia ainda em andamento e após a implementação de medidas políticas sem precedentes.”, destacou o estudo.


Foto: Amazônia Real/Raphael Alves


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