OMS alerta que 1 em cada 4 pessoas terá problemas auditivos até 2050


Quase 2,5 bilhões de pessoas em todo o mundo terão algum grau de perda auditiva até 2050, alerta o primeiro Relatório Mundial sobre Audição da Organização Mundial da Saúde (OMS), divulgado nesta terça-feira (02). De acordo com os dados, pelo menos 700 milhões dessas pessoas precisarão de acesso a cuidados auditivos e outros serviços de reabilitação.

O relatório destaca a necessidade de intensificar os esforços na prevenção e tratamento da perda auditiva, investindo e expandindo o acesso a serviços de saúde na área. De acordo com a OMS, a falta de informações em relação às doenças do ouvido e à perda auditiva costumam limitar o acesso das pessoas a cuidados para essas doenças. 

“Nossa capacidade de ouvir é preciosa. A perda auditiva não tratada pode ter um impacto devastador na capacidade das pessoas de se comunicarem, estudar e ganhar a vida. Também pode afetar a saúde mental das pessoas e sua capacidade de manter relacionamentos”, disse o Diretor-Geral da OMS, Dr. Tedros Adhanom Ghebreyesus. “Este novo relatório descreve a escala do problema, mas também oferece soluções na forma de intervenções baseadas em evidências que encorajamos todos os países a integrarem seus sistemas de saúde como parte de sua jornada rumo à cobertura universal de saúde.”

Na maioria dos países, os cuidados auditivos ainda não estão integrados aos sistemas nacionais de saúde e o acesso aos serviços é um desafio para os pacientes. Além disso, faltam indicadores relevantes no sistema de informação em saúde.

Segundo o relatório, entre os países de baixa renda, cerca de 78% têm menos de um especialista em ouvido, nariz e garganta por milhão de habitantes; 93% têm menos de um audiologista por milhão; apenas 17% têm um ou mais fonoaudiólogos por milhão; e 50% têm um ou mais professores para surdos por milhão.

Mesmo em países com proporções relativamente altas de profissionais de saúde auditiva e de ouvido, há distribuição desigual de especialistas. Esta lacuna, de acordo com a OMS, pode ser eliminada por meio da integração dos cuidados auditivos aos cuidados primários de saúde por meio de estratégias como compartilhamento de tarefas e treinamento, descritas no relatório.

Principais causas de perda auditiva

A identificação é o primeiro passo para lidar com a perda auditiva e as doenças relacionadas. A triagem clínica em momentos estratégicos da vida, por exemplo, pode garantir que qualquer perda de audição e doenças do ouvido possam ser diagnosticadas o mais cedo possível. A identificação precoce do problema é fundamental.

Em crianças, quase 60% da perda auditiva pode ser evitada por meio de medidas como imunização para prevenção da rubéola e meningite, melhoria dos cuidados maternos e neonatais e tratamento precoce de otite média – doenças inflamatórias do ouvido médio. 

Em adultos, o controle de ruído, a escuta segura e a vigilância de medicamentos ototóxicos, juntamente com uma boa higiene do ouvido, podem ajudar a manter uma boa audição e reduzir o potencial de perda auditiva.

O relatório também destaca que o uso da língua de sinais e outros meios de substituição sensorial, como a leitura da fala, são opções importantes para muitos surdos; tecnologia e serviços de assistência auditiva, como legendagem e interpretação em linguagem de sinais, podem melhorar o acesso à comunicação e à educação para pessoas com perda auditiva.

As tecnologias disponíveis, como aparelhos auditivos e implantes, quando acompanhadas por serviços adequados e reabilitação, são eficazes e também podem beneficiar os pacientes.

 “Para garantir que o benefício desses avanços tecnológicos e soluções sejam equitativamente acessíveis a todos, os países devem adotar uma abordagem integrada centrada nas pessoas”, disse o Diretor do Departamento de Doenças Não Transmissíveis da OMS, Dr. Bente Mikkelsen. “Integrar intervenções de saúde auditiva e auditiva nos planos nacionais de saúde e disponibilizá-las por meio de sistemas de saúde fortalecidos, como parte da cobertura universal de saúde, é essencial para atender às necessidades das pessoas em risco de ou vivendo com perda auditiva.”, destaca.


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