Saúde da mulher: quais são alguns dos principais exames de rotina?

Ser mulher tem um impacto significativo na saúde, tanto por diferenças na natureza biológica quanto por questões como discriminação de gênero e socioculturais. As mulheres vivem mais do que os homens, porém adoecem mais frequentemente. No entanto, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a vulnerabilidade feminina perante algumas doenças e causas de morte está mais relacionada com a discriminação e preconceito do que com fatores biológicos.

A situação de saúde envolve inúmeros fatores e aspectos da vida, como a relação com a alimentação, condições de trabalho, moradia, relação com o meio ambiente, renda, entre outros fatores. No caso das mulheres, problemas são agravados pelo preconceito nas relações de trabalho, a sobrecarga com o trabalho doméstico, variáveis como raça, etnia e situação de pobreza, que podem realçar a desigualdade.

Um dado positivo é que as mulheres saem na frente quando o assunto é tratar da saúde. No Brasil, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a expectativa de vida das mulheres é de 80,1 anos, enquanto a do homem é 73,1 anos. Ou seja, elas vivem cerca de 7 anos a mais, indicando a importância dos cuidados com a saúde.

As mulheres são a maioria da população brasileira (50,77%) e as principais usuárias do Sistema Único de Saúde (SUS). Pensando nisso, selecionamos alguns dos principais exames que devem estar na rotina de saúde da mulher.

É importante destacar que para cada momento, idade e situação da vida da mulher, é necessário um exame ou tratamento diferente e particular. Por isso, lembre-se de consultar com um profissional de saúde..


1. Papanicolau

O Papanicolau — também chamado de Colpocitologia Oncótica —, é um exame que detecta alterações nas células do colo do útero. É a principal estratégia para detectar lesões precocemente e fazer o diagnóstico de doenças bem no início, como lesões e verrugas pré-cancerígenas. A realização periódica do exame, por exemplo, permite que o diagnóstico seja feito cedo e reduza a mortalidade por câncer do colo do útero, o segundo mais frequente nas mulheres.

O exame é realizado com o uso de um utensílio, conhecido popularmente como “Bico de Pato”, que o médico introduz levemente na cavidade da vagina, e coleta uma pequena amostra de descamação do colo de útero. No contexto da oncologia, o Papanicolau também pode identificar ainda neoplasias intraepiteliais, bem como doenças sexualmente transmissíveis (DSTs), como, por exemplo: tricomoníase, gonorreia, sífilis e clamídia.

Quem pode fazer o exame? Toda mulher que já iniciou sua vida sexual deve realizá-lo periodicamente, especialmente as que têm entre 25 e 59 anos. Mulheres grávidas também podem realizar, sem causar prejuízo a saúde do bebê.

Pode ser feito em postos ou unidades de saúde da rede pública. Para garantir um resultado correto, a mulher não deve ter relações sexuais nos dois dias anteriores ao exame. Evitar o uso de duchas, medicamentos vaginais e anticoncepcionais locais nas 48 horas anteriores. É importante também que não esteja menstruada, pois a presença de sangue pode alterar o resultado.

2. Exame de sangue e dosagens hormonais

O hemograma — conhecido como exame de sangue completo — permite avaliar a quantidade, o volume e o funcionamento das diferentes células que compõem o sangue, incluindo as hemácias (glóbulos vermelhos), os leucócitos (glóbulos brancos) e as plaquetas.

É um exame importante, já que indica se os componentes e nutrientes do sangue estão normais e sem alterações. É possível identificar doenças como: anemia; leucemia; policitemia; infecções virais; infecções bacterianas; alergias, entre outras.

Os exames que avaliam os níveis hormonais, como T4, T3 e TSH, são importantes pois avaliam a quantidade de hormônios produzidos pela tireoide. Após os 30 anos, as mulheres têm três vezes mais chances de desenvolver distúrbios como o hipotireoidismo e doenças como câncer.

Quem pode fazer o exame? Em geral, todas as mulheres a partir dos 20 anos devem realizá-lo. Pacientes que tenham algum fator de risco, doenças autoimunes ou histórico familiar de doenças, devem fazê-lo mais cedo, ou sob prescrição médica.

3. Ultrassonografia pélvica e transvaginal

O ultrassom pélvico é utilizado para a avaliação dos órgãos internos femininos, como útero, ovários e trompas de Falópio, a fim de detectar a presença de alguma doença, para acompanhar a gestação ou controlar a ovulação de pacientes que estão fazendo tratamento de fertilidade.

Já o ultrassom transvaginal é um exame de diagnóstico complementar ao ultrassom pélvico, e tem como objetivo avaliar e medir órgãos do aparelho reprodutor feminino. É realizado via endovaginal, permitindo que o médico avalie imagens como maior definição. Para sua realização, um transdutor encapado com um preservativo e envolvido em gel é inserido no canal vaginal, proporcionando imagens que serão exibidas em um monitor.

Assim, é possível verificar com maior nitidez fatores como: a espessura do endométrio; presença de sangramento uterino; presença de massa pélvica (como um mioma ou câncer); possíveis anomalias no útero; localização do DIU; possíveis complicações de uma gravidez.

Quem pode fazer os exames? Em geral, toda mulher adulta pode fazer o exame, ou quando apresentar alguma alteração menstrual ou hormonal.

4. Ultrassom das mamas e mamografia

Fazer o exame das mamas é outro passo essencial nos cuidados preventivos da saúde da mulher. O câncer de mama é o que mais atinge as mulheres, além de ser o mais frequente no Brasil — em 2019, foram registradas 18.068 mortes de mulheres pela doença, de acordo com o Instituto Nacional do Câncer (INCA).

O ultrassom das mamas identifica possíveis alterações na região das mamas, como nódulos e cistos mamários, a partir do diagnóstico por imagem. A vantagem é que ele é capaz de identificar anomalias e de diferenciar um nódulo sólido de um cisto.

Já a mamografia é outro exame de imagem mais específico para o diagnóstico do câncer de mama. O exame identifica microcalcificações, assimetrias, nódulos ou lesões nas mamas, que não seriam possíveis de identificar com o simples exame do toque. É feita com um mamógrafo, aparelho que aplica pequenas porções de raios-X para gerar radiografias das mamas.

Quem pode fazer os exames? O ultrassom pode ser feito, como prevenção, por toda mulher após seu primeiro ciclo menstrual. Já a mamografia deve ser feita anualmente a partir dos 35 anos. Caso haja histórico de câncer de mama na família, é necessário realizar o exame após os 30 anos.

5. Densitometria óssea

A partir dos 40 anos a mulher deve incluir em seus exames preventivos a densitometria óssea, que identifica sinais de osteoporose, uma doença que atinge um número grande de mulheres, e consiste na perda de massa óssea, afetando principalmente as mulheres depois da menopausa. A doença surge por conta do desequilíbrio da atividade das células ósseas, devido à perda de cálcio e por consequência o desgaste do osso.

Como essa doença é silenciosa, ela muitas vezes é descoberta apenas depois que a paciente sofre uma fratura. Para evitar traumas e complicações, recomenda-se realizar o exame a partir da menopausa para mulheres que apresentam fatores de risco para essa doença — ser fumante, não ter feito reposição hormonal, ter histórico familiar de fraturas, ter histórico pessoal de fraturas em idade adulta, entre outros. Para mulheres com baixo risco para osteoporose, o exame é recomendado a partir dos 65 anos.


Destacamos que os exames preventivos são fundamentais para a prevenção de doenças e para proporcionar uma boa qualidade para a saúde da mulher. No entanto, o texto deste portal tem apenas caráter informativo e NÃO substitui uma consulta clínica. Em caso de dúvidas, entre em contato com um profissional de saúde.


LEIA MAIS:
Higiene menstrual: como o assunto afeta a saúde das mulheres
Clamídia: o que é, quais os sintomas e como é transmitida
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