Covid-19: variante B.1.1.7 está associada a uma taxa maior de mortalidade


Um estudo realizado por epidemiologistas das Universidades de Exeter e Bristol, na Inglaterra, mostrou que a variante B.1.1.7 do novo coronavírus está associada a uma taxa de mortalidade significativamente maior entre adultos diagnosticados com Covid-19 em comparação com cepas circulantes anteriormente. Os dados foram publicados no British Medical Journal.

A variante foi detectada pela primeira vez no Reino Unido em setembro de 2020, e foi identificada como altamente infecciosa e fácil de se espalhar. De acordo com o estudo, a maior transmissibilidade da cepa significa que mais pessoas que antes seriam consideradas de baixo risco foram hospitalizadas com a nova variante.

Quando um vírus está circulando amplamente em uma população e causando muitas infecções, a probabilidade de mutação do vírus aumenta. Quanto mais oportunidades um vírus tem de se espalhar, mais ele se replica – e mais oportunidades ele tem de sofrer mudanças. Dependendo de onde as alterações estão localizadas no material genético do vírus, elas podem afetar as propriedades do vírus, como transmissão ou gravidade.

Ao analisar dados de 54.609 pacientes de todas as faixas etárias e demográficas, os pesquisadores descobriram que houve 227 mortes atribuídas à nova variante, em comparação com 141 mortes entre o mesmo número de pacientes que tiveram as cepas anteriores.

Um dos principais autores do estudo, da Universidade de Exeter, Robert Challen, disse: “Na comunidade, a morte por Covid-19 ainda é um evento raro, mas a variante B.1.1.7 aumenta o risco. Juntamente com sua capacidade de se espalhar rapidamente, isso torna B.1.1.7 uma ameaça que deve ser levada a sério.” 

Com a nova variante já detectada em mais de 50 países em todo o mundo, o estudo concluiu que é preocupante, além de ser mais transmissível e parece ser mais letal. “Esperamos que isso esteja associado a mudanças em suas propriedades fenotípicas devido a múltiplas mutações genéticas”, destaca a pesquisa.

O autor sênior, da Universidade de Bristol, Leon Danon, relatou: “O SARS-CoV-2 parece capaz de sofrer mutação rapidamente e existe uma preocupação real de que outras variantes surjam com resistência a vacinas lançadas rapidamente. O monitoramento de novas variantes conforme elas surgem, medindo suas características e agindo de forma adequada deve ser uma parte fundamental da resposta de saúde pública no futuro“.

De acordo com o Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC), a variante B.1.1.7 carrega uma mutação na proteína S que afeta a conformação do domínio de ligação ao receptor. 

Análises indicam que a B.1.1.7 é transmitida de forma mais eficiente em comparação com outras variantes do SARS-CoV-2 que circulam no Reino Unido e no mundo.


Foto: NIAID


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