Anticorpos produzidos na infecção pela variante sul-africana podem ser a chave para vacinas contra Covid-19


Pessoas que foram infectadas com a variante B. 1.351 do novo coronavírus têm anticorpos que afastam todas as variantes, segundo a descoberta da virologista Penny Moore, do Instituto Nacional de Doenças Transmissíveis. O estudo ainda sugere que as vacinas podem oferecer proteção contra todas as variantes do vírus — mesmo aquelas que ainda não evoluíram.

A pesquisa sugere que as vacinas podem lidar com variantes antigas do coronavírus, as do presente — e talvez até as novas cepas do futuro. “Obter vacinas que irão combater as variantes que estão circulando atualmente é um problema eminentemente solucionável”, respondeu à pesquisa o virologista da Universidade Rockefeller, Paul Bieniasz, cujo laboratório também estuda variantes. “Pode ser que já tenhamos essa solução.”, relata no site da Nature.

A pesquisa, publicada na revista científica Nature, relatou a análise de anticorpos de 89 pessoas hospitalizadas com a variante B.1.351., identificada pela primeira vez na África do Sul, no início de outubro de 2020. A equipe de cientistas esperavam notícias pessimistas, mas o resultado da análise surpreendeu.

Os dados mostram que a infecção pela nova cepa desencadeou anticorpos que afastam as novas e antigas variantes. “Foi uma surpresa”, destacou a virologista Penny Moore. As pessoas que se recuperaram produziram tantos anticorpos quanto aqueles infectados com variantes anteriores. De acordo com o estudo, os anticorpos fizeram um bom trabalho no bloqueio de pseudovírus com mutações B.1.351. Além disso, os anticorpos também bloquearam outras cepas, como a chamada P.1, identificada no Brasil, que compartilha várias mutações em comum com a da África do Sul.

A equipe utilizou um pseudovírus — uma forma modificada de HIV que infecta as células usando a proteína spike SARS-CoV-2 — para medir a capacidade dos anticorpos de bloquear a infecção.

A pesquisadora ainda não sabe o porquê a infecção B.1.351 resulta em uma resposta imunológica tão ampla, mas está trabalhando para descobrir. “É a única coisa que penso hoje em dia”, disse.

A variante B.1.351 já se espalhou por todo o mundo. A nova cepa atraiu a atenção dos cientistas porque estava ligada a surtos em locais que já haviam sido duramente atingidos pela primeira onda do novo coronavírus da África do Sul, e porque carregava mudanças que enfraqueciam a potência de alguns anticorpos que normalmente desativavam o SARS-CoV- 2.

Além disso, em pesquisas anteriores, ensaios clínicos mostraram que a variante B.1.351. diminuiu a eficácia das vacinas desenvolvidas por Novavax e Johnson & Johnson, e eliminou grande parte da proteção conferida pelo imunizante da AstraZeneca.

No entanto, os novos resultados são um impulso para os esforços para desenvolver vacinas capazes de lidar com variantes como a B.1.351. Diferentes variantes do novo coronavírus podem desencadear diferentes respostas imunológicas, e os pesquisadores estão apenas começando a mapear toda a sua diversidade. 

“Tenho fé infinita na capacidade de um vírus escapar de uma resposta imunológica”, destacou a virologista Penny Moore. “Precisamos reduzir o número global de infecções até o ponto em que o vírus não tenha tantas oportunidades de escapar.”, destacou a virologista Penny Moore.


Foto: Science Photo Library

Fonte: Nature


LEIA MAIS:
França detecta nova variante do coronavírus que escapa do teste PCR
“Maior colapso sanitário e hospitalar da história do Brasil”, segundo Fiocruz
Pfizer e BioNTech afirmam que a vacina pode prevenir a infecção assintomática da Covid-19

Infohealth
Primeiro site de notícias de saúde do Brasil.

Faça um comentário

Deixe seu comentário

Artigos Relacionados

Redes Sociais

3,814FãsCurtir
603SeguidoresSeguir
56SeguidoresSeguir

Atualizações