“Kit covid” e os riscos à saúde

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O novo coronavírus (SARS-CoV-2) surgiu em dezembro de 2019, sendo um vírus misterioso e de alto contágio. Os primeiros casos de infecção foram registrados na cidade de Wuhan, na China, e, rapidamente, atingiu o mundo inteiro. Com o avanço da doença e a declaração de pandemia por Covid-19 da Organização Mundial da Saúde (OMS), inúmeros estudos foram surgindo para entender como o vírus age no organismo humano. 

Junto com a corrida de cientistas para buscar uma vacina — a forma mais eficaz de conter o vírus até o momento — surgiu o conhecido “kit covid” ou “tratamento precoce”, que engloba diversos tipos de fármacos como: cloroquina, hidroxicloroquina, ivermectina, azitromicina, nitazoxanida, zinco, vitaminas e anticoagulante. 

Apesar de estudos clínicos comprovarem a falta de eficácia e os sérios riscos à saúde no uso inadequado desses medicamentos, o tratamento precoce é defendido pelo governo Bolsonaro como uma alternativa para combater o vírus, e adotado por alguns municípios brasileiros como protocolo de tratamento contra a Covid-19. 

Por que o tratamento precoce não é eficaz para combater a Covid-19?

Autoridades de todo o mundo, como a Organização Mundial da Saúde (OMS) e Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), vêm alertando para a falta de evidências científicas que comprovem que os fármacos sejam realmente efetivos para o tratamento da doença em qualquer estágio. 

A Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI) posicionou-se contra o tratamento precoce para Covid-19 com qualquer medicamento. Segundo a SBI, por meio de documento oficial, os estudos clínicos existentes não mostraram benefício e, além disso, alguns dos medicamentos podem causar efeitos colaterais. 

O Conselho Federal de Farmácia (CFF) emitiu nota reafirmando que, até o presente momento, as melhores evidências científicas são de que não há um medicamento capaz de curar as pessoas da infecção pelo novo coronavírus e suas possíveis variantes. Ressaltando, ainda, que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) não aprovou o registro de uso de qualquer medicamento com esse propósito.

Riscos à saúde no uso inadequado 

A automedicação é um perigo para saúde pública, e na pandemia de Covid-19 esse ato se tornou cada vez mais recorrente. Muitos brasileiros optam por realizar o tratamento precoce ao invés procurar ajuda de um profissional da saúde, podendo agravar ainda mais o quadro clínico. O mix de remédios do kit covid, utilizados inadequadamente e sem prescrição, pode resultar em hepatite medicamentosa e, até mesmo, necessitar de transplante de fígado.

Recentemente, três pacientes de um hospital morreram no Rio Grande do Sul após realizarem nebulização com hidroxicloroquina. O uso do fármaco por pacientes com Covid-19 pode causar reações adversas prejudiciais à saúde, principalmente um tipo de arritmia cardíaca grave, que pode levar a óbito, além de prejudicar o funcionamento do fígado. A hidroxicloroquina é indicada para tratar casos de malária, afecções reumáticas e dermatológicas, artrite reumatoide, lúpus e condições dermatológicas provocadas ou agravadas pela luz solar.

A Associação Médica Brasileira (AMB), em boletim divulgado na última terça-feira (23), declarou que o uso desses medicamentos deve ser banido. 

A AMB ainda recomenda aos médicos que o uso de corticoides e anticoagulantes devem ser reservados exclusivamente para pacientes hospitalizados e que precisem de oxigênio suplementar, não devendo ser prescritos em casos leves de Covid-19.

E, também, alerta os pacientes com suspeita ou confirmação da infecção, que não se automediquem, principalmente com corticoides, pois estes medicamentos utilizados fora do período correto, podem piorar a evolução da doença.

Busque sempre por atendimento médico em uma Unidade Básica de Saúde ou à telemedicina.


Foto: Gustavo Duarte/Prefeitura de Cuiabá


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