Estudo encontra coronavírus presente na gengiva de pacientes

Em estudo com resultado inédito, pesquisadores da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FM-USP) detectaram a presença do novo coronavírus (SARS-CoV-2) no tecido periodontal de pacientes que vieram a óbito em decorrência da Covid-19. O estudo, realizado com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), foi publicado na revista Journal of Oral Microbiology. Segundo os pesquisadores da FM-USP, as descobertas contribuem para indicar uma nova abordagem que auxilia a entender o padrão de contaminação da Covid-19.

Durante as autópsias minimamente invasivas, de sete pacientes acometidos pelo vírus, que morreram no Hospital das Clínicas da FM-USP, os pesquisadores coletaram amostras por meio de biópsia por videoendoscopia, sendo utilizado um sistema de endoscópio associado a um smartphone para localizar o tecido periodontal. As amostras foram analisadas pelo exame RT-PCR, para identificar o RNA do vírus e análise histopatológica.

A maioria, dos sete pacientes analisados, três homens e quatro mulheres, apresentava comorbidades preexistentes como diabetes mellitus, hipertensão arterial sistêmica, neoplasia maligna, doença cardiovascular, asma ou qualquer quadro imunossupressor.

Bruno Fernandes Matuck, um dos coordenadores da pesquisa, esclareceu à Fapesp que, “a presença do SARS-CoV-2 no tecido periodontal pode ser um dos fatores que contribuem para a presença desse vírus na saliva de pacientes infectados e demonstra que as origens do novo coronavírus em gotículas salivares não são somente as vias respiratórias”. Além dissodo mais, o estudo mostra que a região periodontal pode ser um alvo, contribuindo por muito tempo para a presença do vírus em amostras de saliva.

A pesquisa aponta que a detecção do vírus na região periodontal levanta a hipótese de que a inflamação do tecido gengival (periodontite) agrave o quadro clínico de pacientes com Covid-19. “Uma vez que o SARS-CoV-2 infecta o tecido periodontal, a maior secreção de fluido gengival eleva a carga do vírus na saliva”, afirma Matuck.

O estudo, atualmente, busca compreender como ocorre a entrada do SARS-CoV-2  na cavidade oral. “Estamos tentando identificar esses receptores no tecido periodontal, nas papilas gustativas e nas glândulas salivares, para entender como ocorre a entrada do vírus na cavidade oral e verificar se isso tem relação com a perda de paladar, um dos principais sintomas da Covid-19”, diz Matuck.


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