Fome no Brasil atinge 19 milhões de pessoas


A pandemia por Covid-19 afetou inúmeros âmbitos da sociedade brasileira. Além dos impactos na saúde e na economia, o país enfrenta uma séria crise de desigualdade social. O mapa da fome voltou a crescer no Brasil e, atualmente, o país soma 19 milhões de brasileiros em situação de fome, representando 9% da população.

Os dados foram divulgados no Inquérito Nacional sobre Insegurança Alimentar no Contexto da Pandemia da Covid-19 no Brasil, desenvolvido pela Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar (Rede PENSSAN), como parte do projeto VigiSAN.

O inquérito nacional realizou entrevistas com moradores de 1.662 domicílios urbanos e 518 domicílios rurais, entre cinco a 24 de dezembro de 2020, período em que houve redução do auxílio emergencial concedido a trabalhadores informais. Segundo a pesquisa, foi realizada uma amostragem probabilística considerando as cinco grandes regiões do país: Norte, Nordeste, Centro-Oeste, Sul e Sudeste, e a localização dos domicílios em áreas urbanas e rurais.

Entre o período abrangido pela pesquisa, 116,8 milhões de brasileiros não tinham acesso total e permanente a alimentos. Desse total, 43,4 milhões (20,5% da população) não tinham alimentos em quantidade suficiente e 19,1 milhões de brasileiros estavam em insegurança alimentar grave, isto é, a comida não chegava no prato de 9% da população.

Imagem: Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar/VigiSAN.

O impacto do corte no auxílio emergencial no prato dos brasileiros

Em 2020, o Governo Federal instituiu o Auxílio Emergencial, suporte financeiro para trabalhadores informais que foram afetados drasticamente pela crise provocada pela pandemia, depositando parcelas de R$600,00 a R$1.200,00 na conta dos beneficiários. Porém, ainda assim, o auxílio não foi o suficiente para que a fome não chegasse à mesa de inúmeros brasileiros.

Segundo o inquérito nacional, a insegurança alimentar grave aumentou em 19% nos domicílios onde algum morador havia perdido o emprego ou houve endividamento devido à pandemia. As famílias com membros que solicitaram e receberam o auxílio emergencial viviam com insegurança alimentar moderada ou grave em proporção três vezes superior à média nacional observada.

Em meio a maior crise sanitária do país, ultrapassando a marca de 330 mil mortos por Covid-19, foi divulgada uma nova rodada do auxílio emergencial. O benefício, que foi cortado em dezembro de 2020, dessa vez, conta com quatro parcelas que variam os valores entre R$150,00, R$250,00 e R$375,00, valores inferiores aos que foram pagos na primeira etapa do auxílio. 

É preciso de políticas públicas eficientes para combater a fome

A alimentação é um direito que deve ser defendido e assegurado para todos os brasileiros. O direito à alimentação adequada está previsto no artigo 25 da Declaração Universal dos Direitos Humanos, no qual enfatiza que:

“Todo ser humano tem direito a um padrão de vida capaz de assegurar a si e à sua família saúde, bem-estar, inclusive alimentação, vestuário, habitação, cuidados médicos e os serviços sociais indispensáveis e direito à segurança em caso de desemprego, doença invalidez, viuvez, velhice ou outros casos de perda dos meios de subsistência em circunstâncias fora de seu controle”

O inquérito nacional acende um alerta para a sociedade brasileira e gestores públicos para a realização de ações urgentes de políticas públicas mais efetivas para auxiliar estes grupos populacionais, promovendo a Segurança Alimentar e Nutricional e combatendo as desigualdades sociais que permeiam o Brasil. 


Foto: PremierCompanies/Pixabay


Bruna Faraco
Jornalista formada pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), radialista e fotógrafa.

Faça um comentário

Deixe seu comentário

Artigos Relacionados

Redes Sociais

3,811FãsCurtir
603SeguidoresSeguir
56SeguidoresSeguir

Atualizações