Estudo do Inca aponta que 41% dos gastos oncológicos do SUS estão relacionados à obesidade

Em pesquisa inédita, o Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (Inca) publicou dados que revelam que os gastos do Sistema Único de Saúde (SUS) com oncologia estão associados à obesidade entre adultos, somando 41,1% do investimento para o tratamento da doença. Segundo o estudo do Inca, em 2018, dos  R$1,7 bilhão gastos aplicados pelo governo federal para o SUS com tratamentos oncológicos, R$700 milhões foram para casos de cânceres relacionados ao excesso de peso, principalmente tumores malignos de mama, intestino grosso e endométrio.

O artigo Costs of cancer attributable to excess body weight in the Brazilian public health system in 2018, realizado em parceria com a Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) e a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), teve início em 2019 e foi publicado 11 de março na revista científica Plos One.

Em entrevista à Agência Brasil, o oncologista clínico do Inca Ronaldo Corrêa e coordenador da pesquisa disse que, de modo geral, o câncer é uma doença multifatorial. Isso significa que existem diversos fatores de risco para a doença, entre os quais o consumo de tabaco, de álcool e de carne vermelha, o sedentarismo e o excesso de peso ou obesidade.

A pesquisa

No levantamento, foram calculados os custos relacionados a 11 tipos de câncer considerando os procedimentos realizados em 2018 por todas as organizações que prestam atendimento oncológico no sistema público de saúde. Dados dos Sistemas de Informação Hospitalar e Ambulatorial do Sistema Único de Saúde Brasileiro foram obtidos na pesquisa. 

A obesidade é um fator de risco que pode desencadear inúmeras doenças como a diabetes, doenças cardiovasculares, acidente vascular cerebral (AVC), hipertensão e vários tipos de câncer. De acordo com a pesquisa, a prevalência de excesso de peso corporal aumentou mais de 10% entre 2006 e 2019, atingindo 55,4% da população adulta em 2019.

Segundo o Inca, no Brasil, os cânceres mais recorrentes nos homens são os de próstata, pulmão, colorretal, estômago e cavidade oral, e em mulheres são os de mama, colorretal, colo do útero, pulmão e tireóide. No entanto, um dos cânceres mais relacionados ao excesso de peso corporal é o de endométrio. Os de mama e o colorretal são significativos na pesquisa devido à alta incidência, ocupando, respectivamente, a primeira colocação para mulheres e a segunda para ambos os sexos. Para 2021 são esperados no país 66.280 casos de câncer de mama feminino e 40.990 de câncer colorretal.

O estudo concluiu que são altos os gastos com cânceres vinculados ao excesso de peso, considerando o cálculo da fração atribuível. “A gente pega a prevalência do fator de risco na população, quer dizer, quantas pessoas têm excesso de peso na população brasileira em diferentes faixas etárias e por sexo e vê qual é a prevalência desse fator de risco. Quanto maior a prevalência, maior a chance que o fator de risco tem de estar causando o câncer”, disse Corrêa à Agência Brasil.

A pesquisa ressalta a importância no investimento de estratégias de prevenção primária, sobretudo em países como o Brasil, com recursos financeiros escassos.  “É hora de promover um debate público para buscar um equilíbrio adequado entre o que é gasto na prevenção, especificamente na prevenção da prevalência do excesso de peso corporal, e no tratamento do câncer”, apontam os pesquisadores no artigo.


Foto: Freepik.com


Bruna Faraco
Jornalista formada pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), radialista e fotógrafa.

Faça um comentário

Deixe seu comentário

Artigos Relacionados

Redes Sociais

3,811FãsCurtir
603SeguidoresSeguir
56SeguidoresSeguir

Atualizações