O impacto dos exercícios físicos na saúde física e mental

Realizar exercícios físicos vai muito além de uma questão estética. A prática pode auxiliar na prevenção de doenças, além de proporcionar sensações de felicidade e bem-estar. Antes de apontarmos os inúmeros benefícios que essas atividades trazem, é importante esclarecermos as diferenças entre atividade física e exercício físico. Sim, embora ambos sejam benéficos à saúde, eles possuem conceitos distintos. 

Eduardo Guerim, profissional de educação física e especialista em Fisiologia do Exercício, explica que a atividade física é qualquer movimento realizado no dia a dia englobando gasto energético, por exemplo, caminhar, subir escadas e realizar alguma tarefa doméstica. O exercício físico é uma atividade planejada, ou seja, uma sessão de treinamento que pode ser executada em um treino de musculação, funcional, crossfit, pilates, natação, bicicleta, corrida de rua, entre outros tipos de esportes que são realizados de forma sistemática e conduzidos por um profissional. 

Essas atividades contribuem para a saúde física e mental em inúmeras ações do corpo, como: 

  • Perda de gordura corporal;
  • Bom funcionamento do organismo;
  • Melhor condicionamento físico;
  • Contribui para saúde mental;
  • Ativa a circulação sanguínea;
  • Melhora a respiração;
  • Melhora a memória;
  • Melhora a disposição.

Em 2020, a Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgou novas diretrizes sobre as atividades físicas, recomendando, pelo menos, de 150 a 300 minutos de atividade aeróbica moderada por semana para adultos, e de 75 a 150 minutos por semana para atividades físicas de nível intenso.  Segundo a OMS, cerca de cinco milhões de mortes por ano poderiam ser evitadas se a população em todo o mundo fosse mais ativa.

Sistema imunológico

Mas, afinal, praticar exercícios físicos com regularidade pode melhorar o sistema imunológico? Sim, Eduardo Guerim explica que “durante o treinamento físico o organismo libera hormônios que são capazes de melhorar nosso sistema imunológico, deixando ele mais forte”. Porém, adverte que cuidados devem ser tomados por pessoas que não realizam atividades com regularidade, pois fazer exercícios com muita intensidade, pode afetar negativamente o sistema imunológico de um corpo que não está acostumado a receber cargas altas de esforço físico.

Ativa o hormônio do bem-estar

Os esforços físicos podem ser grandes aliados para a saúde mental, combatendo a ansiedade, a depressão e o estresse, uma vez que o organismo libera a endorfina, “hormônio conhecido como um analgésico natural, tendo como principal função aliviar dores, controlar a ansiedade e diminuir o estresse”, explica Guerim. “Durante o treinamento, liberamos diversos hormônios como a adrenalina, endorfina, cortisol, serotonina, e vários outros, mas a endorfina ajuda muito na ansiedade, em pessoas que não estão bem consigo mesmas mentalmente. Ela libera a sensação de bem-estar e de prazer”, completa. 

Combate doenças

Sem dúvidas, praticantes de atividades físicas têm mais disposição para enfrentar o dia a dia. A prática ativa a circulação sanguínea e melhora a respiração, aumentando os níveis de energia do corpo, além de contribuir para o bom funcionamento do coração e dos pulmões. 

As atividades, ainda, combatem o sedentarismo e previnem doenças como a hipertensão arterial, acidente vascular cerebral (AVC), diabetes tipo 2, osteoporose, obesidade e auxilia no tratamento de pessoas com câncer. 

O profissional recomenda para pessoas sedentárias ou com doenças crônicas começar as atividades físicas em ritmo gradual, com caminhadas e exercícios mais leves. “Se a pessoa tem obesidade, tem histórico familiar de doenças cardiovasculares ou diabetes, o ideal é fazer um check-up antes de iniciar para fins de prevenção, para ter um cuidado maior”, aconselha.

Crianças, idosos e cardiopatas

Não há nenhuma contraindicação na realização de esforços físicos para nenhum grupo de pessoas, mas, antes de tudo, é preciso ter cuidado com determinados perfis. Crianças e idosos saudáveis podem praticar exercícios sob a supervisão de um profissional capacitado, que irá indicar a melhor atividade a ser feita. Guerim destaca que, para a terceira idade, a prática vai muito além do bem estar físico. “Na terceira idade é bom fazer, também, para a pessoa ser mais independente”

Pessoas cardiopatas possuem mais limitações e devem realizar atividades de baixa intensidade, se liberadas pelo médico cardiologista. “A pessoa cardiopata ao fazer o exercício físico vai diminuir a possibilidade de um AVC, de um infarto. Um profissional da educação física deve estar alinhado com médico cardiologista, para realizar um treinamento responsável”, enfatiza Guerim.

Alimentação saudável

Manter um estilo de vida saudável depende de inúmeros fatores, as atividades físicas devem estar em conjunto com uma boa alimentação para obter resultados ainda mais satisfatórios para a saúde. O especialista aponta que com uma alimentação controlada há a perda de peso e a melhora do condicionamento físico. Além do mais, ele acrescenta que, junto com as atividades e a alimentação balanceada, meditação e terapia são técnicas que podem ser adicionadas na rotina, que cada vez mais vão trazer benefícios à saúde física e mental. 

Exercícios na pandemia

“O processo é não parar”, aconselha Eduardo Guerim sobre a prática de atividades físicas em meio à pandemia por Covid-19. Ele sugere para quem deseja iniciar os treinos em casa, que procure por um acompanhamento para começar os treinos e não desistir. 

Manter uma rotina de horários, inserir os exercícios como uma obrigação do dia a dia são fundamentais para não perder o ritmo.  “Sabemos que é difícil, mas temos que nos manter motivados. Escreva o que vai fazer no seu dia e tente seguir. Convide amigos marcando horário para treinarem juntos. Vá melhorando, se desafiando, criando objetivos para se motivar mais”, diz. 

Guerim ainda acrescenta que procurar por atividades que você gosta pode ser uma peça-chave que facilita a inserção dos exercícios na rotina. “Procure o que você gosta, tem aula de dança online, aula de pilates, yoga, tudo que é tipo de aula na internet que tenha um acompanhamento, qualquer tipo de exercício físico é interessante nesse período de pandemia”, conclui.


Foto: Freepik.com


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Bruna Faraco
Jornalista formada pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), radialista e fotógrafa.

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