Dia Mundial da Voz: cuide bem da sua voz

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A voz é um instrumento essencial de comunicação verbal entre indivíduos. É através da voz que expressamos ideias, sentimentos, preferências, que lutamos por direitos e defendemos ideais. A voz também é uma ferramenta de trabalho para inúmeros profissionais, como professores, cantores, atores, jornalistas, comunicadores, vendedores, recepcionistas, entre tantos outros. E, por isso, devemos cuidar desse bem tão precioso.  

Em meio a inúmeras explicações filosóficas, fisiológicas e anatômicas sobre a produção da voz humana, a fonoaudióloga da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) Chenia Caldeira Martinez explica que a produção dos sons da voz ocorre pela saída de ar dos pulmões. O ar, que é expirado, passa pelas cordas vocais que vibram e, assim, produzem um som que será filtrado e modificado através das estruturas que envolvem a faringe, boca, nariz, dentes e lábios. 

A fonoaudióloga indica que existem inúmeras condições físicas e mentais que interferem na produção da voz, que vão desde o sistema respiratório, condições ligadas à laringe, garganta e, até mesmo, condições psíquicas e emocionais, como o estresse, tensão muscular, ansiedade e depressão. “Sempre que a nossa voz não cumpre o papel de transmitir de forma adequada as informações que gostaríamos, quando não conseguimos modular a voz, ou sempre que houver qualquer dificuldade na comunicação, devemos procurar ajuda profissional”, esclarece.

Para cuidar da sua voz e manter a saúde vocal em dia, a profissional indica alguns hábitos benéficos:

  • Ter uma alimentação balanceada;
  • Beber água regularmente; 
  • Manter uma boa rotina de sono e descanso;
  • Manter hábitos vocais saudáveis;
  • Não gritar;
  • Não fazer falar excessivamente sem repouso;
  • Não fazer força para falar;
  • Procurar ajuda profissional sempre que perceber dificuldades;
  • Utilizar técnicas de aquecimento e desaquecimento vocal quando for fazer uso profissional da voz.

Além disso, a fonoaudióloga recomenda a busca por um fonoaudiólogo ou um médico otorrinolaringologista quando houver rouquidão, ou alguma dificuldade na voz por um período que dure de uma a duas semanas ou mais. Para pessoas que usam a voz profissionalmente, é imprescindível ter um acompanhamento regular  para verificar se a situação de saúde vocal está adequada para o uso profissional.

A voz na infância e adolescência

Durante a vida, a voz passa por processos de transformação. A adolescência é a fase em que esse processo fica ainda mais perceptível, tendo em vista que é nesse período da vida que o corpo passa por inúmeras modificações. A fonoaudióloga explica que as mudanças na característica da voz, principalmente dos meninos que passam para um tom mais grave, é natural em decorrência dos fatores hormonais, metabólicos, de crescimento e desenvolvimento dos adolescentes. 

No entanto, devemos estar atentos à infância, a rouquidão nos pequenos pode ser um indício de que algo está errado, uma vez que não é comum que as crianças apresentem a voz rouca. “Sempre que for identificada identifica uma disfonia na criança, é muito importante procurar ajuda profissional para investigar o que está acontecendo e se realmente há a presença de algum distúrbio vocal”, explica Chenia.

Saúde vocal da pessoa idosa

Assim como na adolescência, na terceira idade a alteração vocal se faz presente. A voz da pessoa idosa, tanto quanto parte do organismo que passa pelo processo de envelhecimento, merece atenção redobrada.

Algumas práticas diárias, como falar sem esforço, realizar atividades que estimulem a voz, além dos hábitos de vida saudáveis, com uma alimentação equilibrada e hidratação são medidas que contribuem para minimizar as falhas na voz decorrentes do avanço da idade. “É muito importante ter o acompanhamento, para que a gente tenha um envelhecimento saudável também da nossa comunicação”, destaca a fonoaudióloga.

Fonoaudiologia educacional

A fonoaudiologia educacional é uma das áreas de especialização da profissão, sendo reconhecida pelo Conselho Federal de Fonoaudiologia. A área torna-se fundamental considerando que o profissional trabalha com a orientação, promoção da saúde e prevenção de distúrbios. “Nessa área de atuação, o fonoaudiólogo trabalha muitas vezes antes do distúrbio se instalar, ou ele consegue identificar de forma precoce e, assim, fazer os encaminhamentos necessários”, ressalta Chenia.

Câncer de laringe

De acordo com o Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (Inca), o câncer de laringe é um dos mais comuns entre os que atingem a região da cabeça e pescoço. Esse tipo de câncer representa cerca de 25% dos tumores malignos que acometem essa área e 2% de todas as doenças malignas.

E o álcool e o fumo são um dos principais fatores que aumentam o risco de câncer de laringe. “O álcool tem efeitos negativos no organismo e, consequentemente, na voz, e o fumo da mesma forma. A inalação da fumaça faz com que cause um edema nas cordas vocais, deixando a voz mais rouca, mais grave. Além do mais, os dois associados aumentam muito o risco de desenvolvimento de câncer de laringe”, alerta a profissional.

Aproximadamente dois terços dos tumores surgem na corda vocal verdadeira (localizada na glote) e um terço acomete a laringe supraglótica (acima das cordas vocais). A estimativa do Inca para novos casos de câncer de laringe, em 2020, foi de 7.650 pessoas acometidas pela doença, sendo 6.470 em homens e 1.180 em mulheres.


Foto: Freepik.com


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