Consumo de alimentos ultraprocessados prejudica o desenvolvimento ósseo de crianças

Estudo realizado por uma equipe de pesquisadores da Universidade Hebraica de Jerusalém revela que o consumo de alimentos ultraprocessados está relacionado com a perda da qualidade da estrutura esquelética, causando danos principalmente em crianças em fase de desenvolvimento. A pesquisa foi publicada na revista científica Bone Research.

Os ultraprocessados são produtos alimentícios industrializados prontos, com o modo de preparo rápido – geralmente preparados em micro-ondas. Esses alimentos, que possuem um prazo de validade maior, são produzidos com alta adição de açúcar, sódio, gordura, substâncias sintetizadas em laboratório e conservantes. Alguns dos exemplos de ultraprocessados são: bebidas prontas, como refrigerante ou suco de caixinha; biscoitos recheados; salgadinhos; comidas congeladas, como lasanha ou pizza; macarrão instantâneo; carnes processadas, como hambúrguer e salsicha; e chocolate.

O consumo exagerado desse tipo de alimento é muito conhecido por trazer inúmeros danos à saúde, aumentando o risco para doenças crônicas não transmissíveis (DCNTs), como diabetes, hipertensão, obesidade, câncer e problemas cardiovasculares. No entanto, o estudo da Universidade Hebraica apresentou a primeira análise que demonstra que os danos à saúde no consumo de ultraprocessados vão muito além, sendo um fator de risco direto para a saúde óssea.

Para a pesquisa, foi realizado um experimento com roedores jovens de laboratórios, sendo examinados os efeitos de uma dieta ultraprocessada durante o crescimento esquelético pós-natal. Segundo os pesquisadores do estudo, o experimento mostrou que os ratos jovens, que foram alimentados com ultraprocessados ricos em gordura e açúcar, sofreram retardo de crescimento devido a lesões em suas placas de crescimento tibial e a resistência óssea foi afetada.

 “A densidade mineral óssea diminui significativamente e os parâmetros estruturais do osso se deterioram, apresentando um aspecto de peneira nos córtices e parâmetros trabeculares deficientes em ossos longos e vértebras. Isso resulta em desempenho mecânico inferior de todo o osso, com alto risco de fratura”, explicam os pesquisadores.

Na análise histológica, foi detectada uma extensa cartilagem nas placas de crescimento dos roedores. Foram realizados testes adicionais com células de roedores, onde, segundo os pesquisadores, a análise da sequência de RNA das células da cartilagem que haviam sido submetidas a dieta de ultraprocessados apresentavam características de desenvolvimento ósseo prejudicado. 

A análise da sequência de RNA das placas placas de crescimento demonstrou um desequilíbrio na formação e degradação da matriz extracelular e comprometimento dos processos de proliferação, diferenciação e mineralização”, aponta a pesquisa.

O estudo buscou analisar os padrões alimentares e a frequência de consumo de ultraprocessados em crianças e replicou o tipo de ingestão para os roedores. No experimento, 30% dos ratos receberam uma dieta balanceada e 70% uma dieta ultraprocessada. Os resultados apresentaram danos moderados na densidade óssea dos roedores, mesmo havendo indicação de acúmulo de cartilagem nas placas de crescimento. “Esses resultados provaram que mesmo o consumo parcial de uma dieta processada desequilibrada leva a um comprometimento da qualidade do esqueleto”, ressaltam os pesquisadores

A pesquisa acende um alerta para o aumento do consumo de alimentos ultraprocessados entre crianças e adolescentes. A má alimentação na infância traz sérias consequências à saúde. É necessário promover hábitos alimentares de qualidade para as crianças e adolescentes e, assim, obter um desenvolvimento saudável ao longo da vida. 


Imagem: Marc Manhart/Pixabay


Bruna Faraco
Jornalista formada pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), radialista e fotógrafa.

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