Máscara PFF2: maior proteção contra a Covid-19


Com a crescente curva no número de infecções e óbitos pelo novo coronavírus no Brasil e o surgimento das novas variantes do vírus – potencialmente mais transmissíveis -, a busca por máscaras profissionais teve um aumento considerável.

As máscaras de pano, recomendadas no início da pandemia pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como uma das formas de proteção e contenção da circulação do vírus, estão ficando de lado, e os brasileiros estão cada vez mais aderindo às máscaras do tipo PFF2, nomenclatura utilizada no Brasil para designar as máscaras profissionais equivalentes às N95, padrão dos EUA.

Anteriormente, as dúvidas eram relacionadas aos tipos de tecidos ideais para a confecção de máscaras caseiras, quantas camadas deveriam ter e qual estampa usar. Atualmente, os questionamentos ligados aos cuidados com as máscaras PFF2, forma correta de uso, modelo adequado para cada tipo de rosto, entre outros em meio a tantas opções de máscaras à venda. Pensando nisso, conversamos com profissionais habilitados para esclarecer as dúvidas envolvendo esse equipamento de proteção.

O que é uma máscara PFF2?

A PFF2 (Peça Facial Filtrante) é um padrão brasileiro de respirador profissional que garante maior vedação sobre a face e possui uma camada filtrante eficiente para proteção contra aerossóis e gotículas, esclarece Antônio Vladimir Vieira, mestre em engenharia e coordenador da Comissão de Equipamentos de Proteção Respiratória do CB-32 da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT).

Esse padrão de respirador necessita atender aos requisitos normativos para obter o Certificado de Aprovação (CA) fornecido pelo Ministério do Trabalho (MTE), além do da certificação do Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro). Desse modo, ao comprar uma máscara PFF2, verifique sempre se ela possui o selo do Inmetro e a marcação do número do CA para evitar possíveis modelos falsificados. 

Por que esse tipo de respirador protege mais contra a Covid-19?

O SARS-CoV-2 pode ser transmitido tanto pelas gotículas quanto pelos aerossóis. O mestre e doutor em epidemiologia e professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Paulo Petry, explica que os aerossóis são partículas minúsculas, capazes de permanecer suspensas no ar por um longo período. Por outro lado, as gotículas são partículas maiores, que não alcançam grandes distâncias por terem maior peso, ficando depositadas em superfícies e objetos. 

Os respiradores PFF2 possuem uma camada filtrante eficiente para retenção de determinados agentes contaminantes. “Uma máscara tipo PFF2 é constituída, normalmente, por uma camada de cobertura (lado externo), uma camada no meio (material filtrante) e uma camada interna (que fica em contato com a face do usuário)”, explica Vieira. 

E, por ter um alto poder de filtragem, as PFF2 podem e devem ser usadas em situações de maior risco de exposição ao vírus. “Em situações profissionais de contato com pessoas contaminadas, ou quando a pessoa for conviver em um ambiente compartilhado e não tão ventilado. E, também, em todas as situações de transporte público como ônibus, trens, metrôs e os aviões”, recomenda Petry.

Fique atento ao uso adequado da máscara

Para garantir maior proteção contra o novo coronavírus e evitar contaminações, as máscaras, de modo geral, devem ser utilizadas de maneira adequada, e devem estar bem vedadas ao rosto para impedir a entrada de gotículas ou aerossóis.  “Muitas vezes as pessoas têm uma falsa sensação de proteção estando com a máscara no queixo, ou mal adaptada. Elas precisam estar bastante ajustadas ao rosto, essas máscaras que têm folga entre o nariz, as bochechas ou o queixo, elas não estão adequadas”, alerta o epidemiologista.

Ao colocar e retirar uma máscara PFF2, cuidados devem ser tomados. Seguindo as instruções da figura abaixo, da Cartilha de Proteção Respiratória contra Agentes Biológicos para Trabalhadores de Saúde da Anvisa, antes de colocar a máscara, 

1. Com as mãos higienizadas, segure o respirador com o clipe nasal próximo à ponta dos dedos deixando as tiras pendentes;
2. Encaixe o respirador sob o queixo;
3. Coloque a tira inferior na nuca e a superior sobre a cabeça;
4. Ajuste o clipe nasal no nariz para se adequar ao seu rosto;
5. Verifique se a máscara está bem vedada fazendo o teste de pressão positiva.

Figura: Cartilha de Proteção Respiratória contra Agentes Biológicos para Trabalhadores de Saúde/Brasília – Anvisa, 2009

Para retirar a máscara, higienize as mãos e retire através das tiras, evitando tocar na parte frontal do respirador.

Posso reutilizar uma máscara PFF2?

Vladimir Vieira, também servidor aposentado da Fundacentro, órgão do atual Ministério da Economia, aponta que a reutilização das máscaras PFF2 não é recomendável. No entanto, considerando o atual contexto da pandemia por Covid-19, e a grande demanda de usuários do equipamento, as máscaras podem ser reutilizáveis com cautela. “Se o usuário perceber, por exemplo, alguma sujidade ou deformação de qualquer tipo, a máscara deverá ser descartada imediatamente”, alerta Vieira.

A PFF2 não pode entrar em contato com água ou ser lavada com nenhum tipo de produto para limpeza, tampouco ser desinfetada com álcool.  Essas medidas, podem danificar e comprometer a eficácia de proteção do respirador. A máscara deve ser deixada em local arejado, longe da luz solar por, pelo menos, três a sete dias para “respirar”. Após o período, pode ser utilizada novamente.

Por que não é recomendável utilizar respiradores com válvula de expiração para se proteger contra a Covid-19?

Esse tipo de máscara protege apenas o usuário, uma vez que as válvulas de expiração são dispositivos com a função de facilitar a saída do ar durante a expiração de quem a usa. A válvula filtra as partículas do ar quando ocorre a inspiração da pessoa, mas a saída do ar passa sem nenhuma filtragem.

Petry esclarece que esse tipo de máscara não é recomendável utilizar em pandemias, pois “ao expirar através das válvulas, o ar é expelido sem filtragem. Ou seja, se a pessoa que está usando esse tipo de equipamento estiver contaminada, ela certamente vai transmitir o vírus e contaminar diversas pessoas”.

As máscaras de tecido ainda protegem ou devo trocá-las por PFF2?

Apesar de possuírem um grau de proteção menor do que as PFF2, as máscaras de tecido ainda protegem, e são recomendadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como um equipamento de proteção contra o novo coronavírus. Porém, é essencial utilizá-las corretamente. 

O médico epidemiologista Paulo Petry sugere uma técnica rápida e simples para verificar se a máscara de tecido está adequada para uso: “se você quer testar o poder de filtragem da sua máscara, ao colocá-la, acenda um fósforo e sopre para tentar apagar a chama. Se você conseguir apagar com facilidade, sua máscara tem pouco poder de filtragem”. Neste caso, a máscara deve ser trocada por uma com maior poder de filtragem. 

Crianças podem usar PFF2?

O uso de PFF2 não é recomendável para crianças. Vladimir Vieira justifica que “as máscaras podem ser mais uma fonte de contaminação, desse modo, exigindo muito cuidado como a questão de levar a mão à máscara, ou seja, seguir o protocolo para ter a eficácia esperada da PFF2”. Ele ainda reforça que as crianças devem ser muito bem orientadas com a questão do distanciamento e outras medidas de ordem geral.

PFF2, tecido ou cirúrgica: o importante é se proteger e proteger o próximo

Atualmente, o Brasil vem enfrentando o maior colapso no sistema de saúde da história. As taxas de ocupação dos leitos de Unidades de Terapia Intensiva (UTI) na maioria dos estados brasileiros passaram do limite e, com isso, inúmeros pacientes estão sofrendo com a falta de vagas nessas unidades. 

Diante desse cenário crítico, o epidemiologista Paulo Petry reforça a importância de seguir os protocolos de segurança e distanciamento social, sobretudo o respeito quanto ao uso das máscaras faciais. “Pedimos que as pessoas colaborem, higienizem suas mãos, evitem se aproximar umas das outras e respeitem as normas de distanciamento”. Proteja-se, porque cuidar de você, é cuidar também do próximo.

Bruna Faraco
Jornalista formada pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), radialista e fotógrafa.

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