MÁSCARA ROXA: campanha ajuda mulheres vítimas de violência a denunciarem em farmácias

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Desde o início da pandemia estamos convivendo com a medida de isolamento social, que busca conter a disseminação do novo coronavírus. No entanto,  ainda que a medida seja necessária para o enfrentamento da Covid-19, o isolamento está causando impactos negativos entre os domicílios de brasileiras que sofrem violência doméstica.

Diariamente, a cada segundo, inúmeras mulheres são vítimas de algum tipo de violência praticada, principalmente, por parceiros ou familiares. Entre elas, estão a violência física, psicológica, sexual, patrimonial e verbal, além do assédio e do feminicídio. 

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Selo Farmácia Amiga das Mulheres. Divulgação/Comitê Gaúcho Eles Por Elas/Agência Moovie

Diante do contexto da pandemia de Covid-19, no estado do Rio Grande do Sul, surgiu a campanha Máscara Roxa, iniciativa do Comitê Gaúcho ElesPorElas/HeForShe, da ONU Mulheres Brasil. A campanha, coordenada pelo deputado Edegar Pretto, segue, desde junho de 2020, atuando no combate à violência doméstica, ajudando mulheres vítimas a denunciarem seus agressores através de farmácias que apoiaram a campanha. 

Todo o processo é feito com segurança e descrição para preservar as vítimas. As denúncias são realizadas da seguinte forma: a vítima deve procurar por uma farmácia que possui o selo “Farmácia Amiga das Mulheres”, pedir ao atendente, que está capacitado para realizar o procedimento,  uma máscara roxa. O atendente, ciente do que está acontecendo, irá informar que a máscara não está disponível e anotar os dados da vítima, como nome completo e telefone, para avisar quando a máscara chegar. Depois, o atendente irá passar as informações à Polícia Civil, através do WhatsApp, para que medidas necessárias sejam tomadas.

De acordo com o Comitê Gaúcho ElesPorElas – HeForShe Brasil, a Polícia Civil já recebeu 88 denúncias e efetuou duas prisões. 

A campanha é integrada por diversos órgãos, são eles: Ministério Público Estadual (MPRS), Tribunal de Justiça do RS (TJRS), Poder Executivo gaúcho – Departamento de Políticas Públicas para as Mulheres, Polícia Civil e Brigada Militar, Defensoria Pública, Associação dos Procuradores do RS (Apergs), ONG Themis, Justiça e Direitos Humanos, Comitê Latino-Americano e do Caribe para a Defesa dos Direitos da Mulher (Cladem), Agência Moove, Grupo RBS e Rede de Farmácias Associadas.

Violência contra a mulher e feminicídio em números

De acordo com dados levantados pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), do relatório “Violência doméstica durante a pandemia de Covid-19”, houve redução nos registros de lesão corporal dolosa entre março de 2020 – início da pandemia no Brasil –  e maio de 2020, em comparação com o mesmo período do ano de 2019. A queda no período acumulado foi de 27,2%, com reduções ainda maiores nos estados do Maranhão (84,6%), Rio de Janeiro (40,2%) e Ceará (26%). Segundo o fórum, essa redução é um indicativo de que as mulheres estão encontrando mais dificuldades em denunciar as agressões sofridas nesse período pandêmico. 

Em relação ao feminicídio, os levantamentos do relatório têm apontado, em todos os meses, aumentos nos índices em diversos estados. Somente entre os meses de março e maio de 2020, houve um aumento de 2,2% nos casos registrados de feminicídio em comparação ao mesmo período do ano de 2019, sendo registrados 189 casos em 2020, contra 185 casos em 2019. No mês de maio, os homicídios dolosos envolvendo vítimas do sexo feminino, no entanto, subiram de 127 vítimas em 2019 para 136 em 2020, aumento de 7,1%.

Conforme a ONU Brasil Mulheres, a violência doméstica é uma das maiores violações dos direitos humanos, antes mesmo da pandemia por Covid-19 acontecer. “Nos 12 meses anteriores, 243 milhões de mulheres e meninas – de 15 a 49 anos – em todo o mundo foram submetidas à violência sexual ou física por um parceiro íntimo”, informa a ONU.

Ao se deparar com algum caso de violência contra a mulher, não se cale, denuncie. O silêncio deve ser rompido. 

Onde pedir ajuda 

  • Ligue para a Central de Atendimento à Mulher, disque 180;
  • Procure na sua cidade uma delegacia especializada no atendimento à mulher. Acesse o Mapa da Delegacia da Mulher, produzido pelo Instituto AzMina, para verificar a delegacia mais próxima de você.

Foto: Leandro Molina/Divulgação Comitê Gaúcho Eles Por Elas


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