Butantan inicia produção da vacina ButanVac

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O governo de São Paulo anunciou que o Instituto Butantan iniciou nesta quarta-feira, 28, a produção da vacina contra a Covid-19, a ButanVac, que é o primeiro imunizante contra o novo coronavírus totalmente nacional, sem necessidade de importação de matéria-prima exterior. O primeiro lote produzido da ButanVac terá um milhão de doses. A estimativa é que, até o mês de junho, sejam produzidas 18 milhões de doses do imunizante. Os testes clínicos em humanos ainda não foram autorizados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), pediu à Anvisa senso de urgência na aprovação dos testes clínicos e na aprovação da vacina. “O Brasil segue, infelizmente, perdendo 2.500 vidas todos os dias, já temos mais de 395 mil mortes. Menos burocracia e mais solidariedade, é o que nós esperamos da Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Seguir os critérios científicos, sim, mas lembrar que nós estamos diante de uma pandemia, de um drama jamais visto, jamais presenciado em nosso país. Senso de urgência, é isso que esperamos da Anvisa”, disse o governador em coletiva de imprensa. 

O Butantan informou que solicitou à Anvisa, na última sexta-feira, 23, a autorização para iniciar as testagens da ButanVac em humanos e está em processo de enviar os documentos adicionais solicitados pela agência. O instituto protocolou a autorização para estudo clínico de fase 1 e 2 do imunizante com duração máxima prevista de 20 semanas. 

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Através da ButanVac, o Brasil irá realizar um estudo comparativo entre vacinas inédito no mundo. Foto: Governo do Estado de São Paulo

Após a aprovação, o instituto irá divulgar os centros onde o estudo será realizado e como os voluntários poderão se inscrever. O ensaio clínico da pesquisa será realizado em adultos acima de 18 anos. De acordo com  o Butantan, as doses já em produção serão armazenadas e fornecidas à população somente após a autorização da agência reguladora, o que deve acontecer no segundo semestre.

O presidente do instituto, Dimas Covas, ressaltou que a produção da ButanVac é uma oportunidade para mostrar o valor da ciência, do investimento público em ciência e, sobretudo, o valor inestimável dos institutos de pesquisa brasileiros. “A vacina começa a ser produzida integralmente aqui no Brasil, não dependemos de importação, não dependemos de licenciamentos, seremos autossuficientes. Vamos atender o Brasil e podemos atender parte do mundo, a nossa capacidade de produção é muito grande”.  

Covas já havia adiantado que a produção do imunizante começaria em breve, e que a produção, ainda em fase inicial, é substancial. “Obviamente nós temos que aperfeiçoar o nosso sistema produtivo, mas já existem, hoje, na nossa fábrica, um milhão de doses em processamento”. E completou informando que até a primeira quinzena do mês de junho o Brasil terá ao menos 18 milhões de doses da ButanVac.

Doria ainda comunicou que o Butantan poderá produzir, no mínimo, 40 milhões de doses da ButanVac no segundo semestre deste ano para a imunização dos brasileiros.

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Presidente do Butantan, Dimas Covas, e o governador de São Paulo, João Doria, em coletiva de imprensa. Foto: Divulgação/Instituto Butantan

Tecnologia da vacina

A tecnologia utilizada na vacina é a mesma usada na produção da vacina contra a Influenza (gripe), onde o desenvolvimento ocorre a partir da inoculação do vírus em ovos embrionados de galinhas. Segundo o instituto, “além de ser barata e muito disseminada, especialmente em países emergentes, essa técnica é uma especialidade do Butantan. O Instituto produz anualmente 80 milhões de vacinas da gripe usando ovos”.

Assista ao vídeo para saber o passo a passo de fabricação da ButanVac

Consórcio internacional 

Segundo o Instituto, a ButanVac é resultado de um consórcio internacional que tem, como produtores públicos, o Butantan, o Instituto de Vacinas e Biologia Médica do Vietnã e a Organização Farmacêutica Governamental da Tailândia. A tecnologia da Butanvac usa o vírus da doença de NewCastle desenvolvido‪ por cientistas na Icahn School of Medicine no Mount Sinai, em Nova York, Estados Unidos. A proteína S estabilizada do vírus SARS-Cov-2 utilizada na vacina com tecnologia HexaPro foi desenvolvida na Universidade do Texas em Austin.


Foto: Governo do Estado de São Paulo


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