Fiocruz: boletim aponta redução nos casos e óbitos por Covid-19 no Brasil, mas taxas permanecem em patamares críticos

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A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) divulgou nesta quarta-feira (29) o Boletim Extraordinário do Observatório Covid-19 Fiocruz, que aponta queda no número de casos e óbitos e taxas de ocupação de leitos de UTI Covid-19 para adultos.

Porém, a fundação alerta que os níveis ainda permanecem em patamares críticos, e a taxa de letalidade é preocupante. Em comparação com 2020, os números mostram que, no final do ano passado, o indicador se encontrava na faixa de 2%, no entanto, subiu para 3% na semana epidemiológica 11 (14 a 20 de março) e, na última semana, passou para 4,4%. A análise do Boletim é referente à Semana Epidemiológica 15, período entre 18 e 24 de abril.

Considerando o número de casos, o boletim aponta que a taxa diminuiu para -1,5% ao dia, enquanto os óbitos por Covid-19 foram reduzidos a uma taxa de -1,8% ao dia, “mostrando uma tendência de ligeira queda, mas ainda não de contenção, da epidemia”. 

Referente a ocupação de leitos, chamam a atenção os estados de Rondônia e Acre com a redução nas taxas de 94% para 85% e 94% para 83%, respectivamente, mas ambos ainda permanecem na zona de alerta crítico. A mudança de Alagoas da zona de alerta crítico para a zona de alerta intermediário, de 83% para 76%, e a saída da Paraíba da zona de alerta,de 63% para 53%.

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Fonte: Observatório Covid-19/Fiocruz

Em 14 capitais brasileiras, as taxas de ocupação de leitos de UTI Covid-19 estão acima dos 90%, são elas: Teresina (100%), Fortaleza (98%), Aracajú (97%), Brasília (97%) Rio de Janeiro (96%), Campo Grande (96%), Rio Branco (95%), Curitiba (93%), Palmas (93%), São Luís (92%), Natal (92%), Recife (92%), Vitória (91%), Goiânia (90%).

Como mostram os dados do boletim, embora venham melhorando gradativamente, as taxas de ocupação de leitos de UTI continuam indicando um quadro crítico, que envolve dificuldades de acesso de pacientes com Covid-19 a cuidados complexos necessários, sem os quais a evolução para óbito é muito provável. “É a ponta do iceberg’. Por isso, é fundamental, em paralelo à vacinação, a ampliação e a manutenção de medidas de controle da pandemia tais como a restrição à circulação de pessoas, o distanciamento físico, higiene frequente das mãos e uso adequado de máscaras”, enfatizam os responsáveis pelo estudo.

Segundo os pesquisadores responsáveis pelo Observatório Covid-19, o quadro atual pode representar uma desaceleração da pandemia, com a formação de um novo patamar, como o ocorrido em meados de 2020, porém com números muito mais elevados de casos graves e óbitos, que revelam a intensa circulação do vírus no país. “Esse conjunto de indicadores, que vêm sendo monitorados pelo Observatório Covid-19 Fiocruz, mostram que a pandemia pode permanecer em níveis críticos ao longo das próximas semanas”.

Diante desse cenário, os pesquisadores do boletim alertam que a flexibilização sem um controle rigoroso das medidas de distanciamento físico e social pode retomar o ritmo acelerado da transmissão no novo coronavírus, com a “produção” de novos casos, muitos deles graves, e a ascensão da curva das internações e taxas de ocupação de leitos.

“A integração entre Atenção Primária à Saúde e a Vigilância em Saúde deve ser intensificada para otimizar os processos de triagem de casos graves, seu encaminhamento para serviços de saúde mais complexos, bem como a identificação e aconselhamento de contatos para medidas de proteção e quarentena. Além disso, a reorganização e ampliação da estratégia de testagem é essencial para evitar novos casos, bem como reduzir a pressão sobre os serviços hospitalares”, indicam os pesquisadores.


Foto: Freepik.com


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