Anvisa não recomenda mistura de doses das vacinas contra a Covid-19 de fabricantes diferentes

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Vacinação drive thru na Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), zona norte do Rio. A cidade do Rio de Janeiro retoma hoje (25) sua campanha de aplicação da primeira dose da vacina contra a covid-19 em idosos da população em geral. Hoje serão vacinados os idosos com 82 anos.

O surgimento de vacinas contra a Covid-19 produzidas por inúmeros laboratórios está abrindo espaço para questionamentos e gerando discussões a respeito da intercambialidade de vacinas, uma prática comum que visa fornecer para o mesmo indivíduo doses de vacinas de laboratórios distintos. Porém, para aplicar vacinas diferentes, ainda que para a mesma doença, estudos são feitos para avaliar possíveis reações adversas que essa prática pode causar. 

No início deste ano, o Reino Unido permitiu, em raras ocasiões, que seus cidadãos recebessem doses de vacinas contra a Covid-19 de fabricantes diferentes, mesmo com a falta de evidências de que a mistura garante imunidade.

No Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) alerta que a administração das vacinas contra a Covid-19 tanto a primeira quanto a segunda dose deve ser realizada do mesmo fabricante. “Não existe, até o momento, informação sobre intercambialidade entre as vacinas utilizadas no Brasil, ou seja, não há dados que sustentem que a troca de fabricantes de vacinas entre a primeira e a segunda dose produza resposta imune ao Sars-CoV-2”.

No entanto, aproximadamente 16,5 mil brasileiros receberam duas doses da vacina contra a Covid-19 de fabricantes diferentes. Os dados, levantados pelo jornal Folha de S. Paulo, foram obtidos a partir do sistema de informações de dados do Ministério da Saúde, o Datasus. 

Atualmente, as vacinas contra a Covid-19 disponíveis para aplicação no Brasil são a CoronaVac, do Instituto Butantan com a farmacêutica Sinovac, e a vacina da Universidade de Oxford em parceria com o laboratório AstraZeneca. Os imunizantes são produzidos com tecnologias diferentes. A vacina da AstraZeneca usa a tecnologia conhecida como vetor viral não replicante e a vacina CoronaVac utiliza a tecnologia de mRNA ou RNA-mensageiro.

Em casos de pessoas vacinadas com dois imunizantes diferentes, a Anvisa orienta ao vacinado que ao detectar a troca de fabricantes entre as duas doses da vacina, comunique à equipe de saúde o mais rápido possível e leve o cartão de vacinação. A agência reguladora ainda solicita aos profissionais que registrem a ocorrência no sistema e-SUS Notifica.

Aos fabricantes, a Anvisa orienta que realizem a ocorrência no sistema VigiMed e a ativem o sistema farmacovigilância para o acompanhamento do caso, das quais informações devem integrar o Sumário Executivo e o Relatório Periódico de Benefício-Risco.

Segundo o Programa Nacional de Imunizações (PNI), as pessoas que são vacinadas de forma inadvertida com vacinas de fabricantes diferentes “não poderão ser considerados como devidamente imunizadas, no entanto, neste momento, não se recomenda a administração de doses adicionais de vacinas Covid19”.


Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil


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