Síndrome de Burnout: o desgaste emocional de inúmeros profissionais

A síndrome de Burnout, ou síndrome do esgotamento profissional, é uma condição caracterizada por um colapso mental, emocional e físico. O distúrbio ocorre, principalmente, entre profissionais que lidam com responsabilidades e pressões constantes no ambiente de trabalho, porém, pode ocorrer entre estudantes.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) incluiu a síndrome de Burnout como um fenômeno ocupacional na nova Classificação Internacional de Doenças (CID-11), que entrará em vigor em 1º de janeiro de 2022.

Segundo a cartilha “Síndrome de Burnout: o que você precisa saber para enfrentar”, publicada em parceria pelo Conselho Regional de Medicina do Estado do RS (Cremers) e pela Caixa de Assistência dos Advogados do RS (CAA/RS), o termo Burnout consagrou-se a partir dos estudos do psicanalista alemão Herbert J. Freudenberger, que atuava em clínicas de atendimento psicológico gratuitas durante a década de 70. O psicanalista percebeu o aparecimento de um processo de esgotamento emocional, deterioração no humor e diminuição da motivação dos trabalhadores voluntários que atuavam nessas clínicas – médicos, psicólogos e enfermeiros. 

A cartilha classifica a burnout como:

  1. Um estado de exaustão emocional, física e mental causado por estresse excessivo e prolongado. 
  2. Estado de impotência, onde a pessoa se sente emocionalmente drenada e incapaz de satisfazer as demandas. 
  3. Reduz a produtividade e drena a energia.
  4. Tem repercussão multidimensional: na vida doméstica, no trabalho e na vida social.
  5. É um processo gradual, com sintomas inicialmente sutis. 
  6. É um fenômeno da esfera psicossocial e, portanto, não existe nenhum teste sanguíneo, de imagem ou complementar que possa ser usado como um marcador.
A síndrome de Burnout é atribuída a um fósforo queimado, que representa a sensação das pessoas com a doença. Ilustração: Succo/Pixabay

A síndrome de Burnout pode afetar pessoas de todas as idades, independente da atividade profissional. No Brasil, 30% dos profissionais sofrem de burnout, aponta pesquisa realizada pela International Stress Management Association do Brasil (Isma-BR). No entanto, indivíduos cujo trabalho envolve um contato direto com outras pessoas, como profissionais de Saúde, psicólogos, assistentes sociais, advogados, professores, policiais, bombeiros e jornalistas, são diagnosticados com burnout com maior frequência. Porém, no atual cenário de pandemia por Covid-19, a prevalência da burnout torna-se ainda maior em médicos e enfermeiros, profissionais que atuam na linha de frente no combate ao novo coronavírus.

Sintomas

As pessoas acometidas pelo distúrbio podem desenvolver uma série de sintomas psicológicos, são eles:

  • Cansaço mental excessivo;
  • Sensação constante de negatividade;
  • Falta de ânimo e energia;
  • Falha na memória;
  • Dificuldade de concentração
  • Alterações de humor;
  • Isolamento social;
  • Sentimento de incompetência, fracasso e insegurança;
  • Insônia.

E também podem desenvolver sintomas clínicos, como:

  • Dores no corpo e na cabeça;
  • Pressão alta;
  • Palpitações;
  • Tontura;
  • Perda de apetite.

Outros sinais da síndrome também podem ser observados, como a falta de produtividade e demora para realizar tarefas, assim como faltar ao trabalho ou chegar com frequência atrasado. Além do mais, mesmo após o período de férias, é comum a pessoa voltar para o trabalho com a sensação de cansaço.

Como diagnosticar e tratar a síndrome

Em inúmeros casos, a burnout é difícil de ser identificada pela própria pessoa que está sofrendo com a síndrome.  Quando ocorrem suspeitas dos sintomas, o recomendado é que a pessoa busque consultar um psiquiatra ou psicólogo, que irão analisar o caso e dar um diagnóstico preciso. 

O tratamento deve ser sempre orientado por esses profissionais, que auxiliam com sessões de terapia. Para tratar os sintomas, também pode ser indicado o uso de medicamentos antidepressivos.

Além da psicoterapia, a pessoa deve diminuir a sobrecarga no trabalho e estudos, definindo objetivos a serem traçados. Inserir na rotina a prática de atividade física e exercícios de relaxamento, evitar pessoas negativas e conversar com amigos e familiares também são recomendados para contribuir com a prevenção e o controle dos sintomas.

Se a síndrome não for tratada, ela pode evoluir para complicações graves, com o desenvolvimento de doenças como a diabetes, hipertensão e até mesmo depressão e suicídio.

O Sistema Único de Saúde (SUS) oferece tratamentos para problemas relacionados a transtornos mentais de forma integral e gratuita. Procure por uma Unidade Básica de Saúde (UBS) próxima de você para ser encaminhado aos centros especializados para cada tipo de atendimento.


Foto: Piacquadio/Pexels


Bruna Faraco
Jornalista formada pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), radialista e fotógrafa.

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