Vacinação: estudo aponta queda de óbitos por Covid-19 em idosos com 80 anos ou mais

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Vacinação drive thru na Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), zona norte do Rio. A cidade do Rio de Janeiro retoma hoje (25) sua campanha de aplicação da primeira dose da vacina contra a covid-19 em idosos da população em geral. Hoje serão vacinados os idosos com 82 anos.

A vacinação contra a Covid-19 no Brasil já está apresentando reflexos positivos. A proporção de mortes de idosos brasileiros com 80 anos ou mais caiu pela metade após o início da vacinação no país. No final de abril, o percentual de óbitos teve queda de 13%, o menor já registrado em toda a pandemia. A análise integra um estudo liderado pela Universidade Federal de Pelotas (UFPel).

Somente em 2020, o percentual de óbitos por Covid-19 entre essa faixa etária era de 25% a 30%. Em janeiro, início da campanha de imunização para os grupos prioritários no Brasil, as mortes entre esse grupo representavam 28% do total de óbitos.

Segundo Cesar Victora, epidemiologista e líder do estudo, outras pesquisas já demonstraram a associação entre a vacinação e as quedas no número de hospitalizações e mortes decorrentes da Covid-19, como exemplo a população de  Israel. Porém, o epidemiologista ressalta que, até o momento, nenhuma análise populacional sobre mortalidade havia sido realizada em um cenário com predominância da variante P.1.

No atual cenário que o Brasil enfrenta, totalizando 408.622 óbitos pelo novo coronavírus, segundo dados registrados pelo Ministério da Saúde, os pesquisadores estimam que, no período de ampla circulação da nova cepa, 13,8 mil mortes de pessoas com 80 anos ou mais foram evitadas, em um intervalo de oito semanas – entre fevereiro e abril. 

Em janeiro, segundo o estudo, a taxa de mortalidade entre pessoas de 80 anos ou mais era 13,7 vezes maior do que para pessoas com zero a 79 anos. No início de abril, essa relação caiu para 6,9 vezes. Na semana do dia 11 a 17 de abril, dados preliminares apontaram uma taxa 5,8 vezes maior, o que sugere a continuação da tendência de queda.

As estimativas dos pesquisadores indicam que, se o número de mortes entre os mais idosos tivesse continuado no mesmo ritmo observado para grupos etários mais jovens, seriam esperadas  47,9 mil mortes contra as 34.168 registradas no período.

“A explicação mais provável para a queda proporcional de mortes entre os mais idosos em comparação com indivíduos mais jovens é o rápido aumento da cobertura vacinal entre brasileiros com oitenta ou mais anos, com esse aumento precedendo o declínio das mortes”, aponta o epidemiologista. 

Para realizar as análises, foram utilizados dados disponibilizados pelo Ministério da Saúde, entre o período de 3 de janeiro a 22 de abril, com registro de 171.454 mortes pelo novo coronavírus no país. 

Segundo o estudo, o aumento da cobertura vacinal entre as pessoas com 80 anos ou mais coincide com a priorização dos grupos populacionais mais idosos. Na primeira quinzena de fevereiro, os níveis de cobertura vacinal com a primeira dose para essa faixa etária alcançaram 50%, na segunda quinzena ficou em 80% e no mês de março, 95%.

A pesquisa também concluiu que as vacinas aplicadas no Brasil possuem eficácia de proteção mesmo em um cenário em que a variante P.1 predomina. Desse modo, o estudo reforça ainda mais resultados de outras pesquisas  realizadas em Manaus e São Paulo com profissionais de Saúde imunizados, evidenciando a proteção contra a variante.


Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil


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