Covid-19: jovens estão lotando UTIs nas Américas, diz Opas


A diretora da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), Carissa F. Etienne, disse nesta quarta-feira (5) em coletiva de imprensa que as hospitalizações e óbitos entre jovens estão aumentando à medida que a pandemia cresce nas Américas.

Na semana passada, aproximadamente 40% de todas as mortes por Covid-19 notificadas no mundo ocorreram na região das Américas. “Hoje, mais do que nunca, países da América Latina estão notificando mais de 1 mil casos de Covid-19 por dia”, disse Etienne.

No total, mais de 1,3 milhão de pessoas foram infectadas pelo novo coronavírus nas Américas na última semana e mais de 36 mil morreram de complicações decorrentes da Covid-19.

No Brasil, as hospitalizações foram maiores entre pessoas na faixa dos 40 anos. Entre dezembro de 2020 e março deste ano, as taxas de mortalidade no país dobraram entre pacientes com idade inferior a 39 anos, quadruplicaram entre os 40 anos e triplicaram entre os 50 anos, informou a diretora da Opas.  “Isso é trágico e as consequências são terríveis para nossas famílias, nossas sociedades e nosso futuro”, acrescentou.

As taxas de hospitalização entre pessoas abaixo dos 39 anos aumentaram mais de 70% no Chile durante os últimos meses e pessoas na faixa dos 20 anos estão sendo mais hospitalizadas por Covid-19 do que pessoas na faixa dos 70 em algumas regiões dos Estados Unidos.

Os jovens saudáveis têm maior probabilidade de sobreviver, no entanto, se infectados, podem permanecer hospitalizados por semanas. Como resultado, os países devem estar preparados para o aumento da demanda hospitalar. “Se as infecções continuarem aumentando nessa taxa, esperamos que, nos próximos três meses, os países de nossa região precisem manter e até aumentar ainda mais a capacidade de leitos de UTI”, alertou Etienne.

“Durante grande parte da pandemia, nossos hospitais estiveram lotados de pacientes idosos com Covid-19, muitos dos quais tinham condições pré-existentes que os tornavam mais suscetíveis à doença grave. Mas olhem para as unidades de terapia intensiva em nossa região hoje. Vocês verão que estão cheias não apenas de pacientes idosos, mas também de pessoas mais jovens”, analisou a diretora da Opas.

Ela ainda destacou que os países deveriam contratar e treinar mais profissionais de Saúde e pessoal especializado. Segundo ela, os trabalhadores da área que já estão atuando devem ser apoiados “depois de operar em ‘modo de crise’ por tanto tempo”.

De acordo com a diretora, “não podemos expandir a capacidade de UTIs indefinidamente. Simplesmente não há profissionais de saúde suficientes para contratar e treinar a tempo”. Ela reforça que a melhor opção é o comprometimento de todos com uma resposta abrangente baseada na prevenção, além de manter a atenção à saúde para a Covid-19 e outras condições. 

Os países devem continuar com as medidas de saúde pública, com distanciamento social, uso de máscaras e evitar encontros em espaços fechados. Os testes e rastreamento de contato no nível de atenção primária, segundo Etienne, devem ser priorizados novamente, bem como campanhas de comunicação para lembrar e alertar os mais jovens que precisam se proteger. 

“Embora as vacinas estejam sendo lançadas o mais rápido possível, elas não são uma solução de curto prazo – não podemos confiar nas vacinas para reduzir as infecções quando não há vacinas suficientes para todos. Eles são uma parte da resposta abrangente que inclui a prevenção por meio de medidas de saúde pública e da melhoria da preparação dos sistemas de saúde”, reforçou a diretora da Opas.


Foto: Freepik.com


Bruna Faraco
Jornalista formada pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), radialista e fotógrafa.

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