UFMG desenvolve teste inédito capaz de detectar Covid-19 pela urina

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Através de uma tecnologia inédita para diagnóstico da Covid-19, a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) patenteou nesta quarta-feira (19) um teste para detectar a presença de anticorpos contra o novo coronavírus através de amostras de urina dos pacientes. 

A tecnologia criada por pesquisadores da UFMG no teste pioneiro é baseada no método Elisa (Sigla, em inglês, para ensaio de imunoabsorção por ligação enzimática), sendo um processo considerado pelos pesquisadores mais simples, barato e menos invasivo do que os exames de sangue. 

“Não há nenhum teste disponível que usa urina dos pacientes. Também não encontramos nenhum relato na literatura que pudesse indicar o uso da urina para a pesquisa por anticorpos específicos ao vírus causador da covid-19”, disse a pesquisadora Fernanda Ludolf Ribeiro de Melo, integrante do grupo de pesquisa.

Ludolf explica que a presença de anticorpos na urina de pacientes é um meio ainda pouco estudado, o que a leva a acreditar ser um motivo pelo qual as pesquisas para diagnosticar a Covid-19 não tenham optado pelo uso desse tipo de amostra. “Poucas pessoas acreditam que existam [anticorpos na urina], mas há relatos para outras doenças, o que inspirou a ideia”, conta a pesquisadora. 

O teste e sua eficácia

Os pesquisadores indicam que o método utilizado é eficaz, e que os resultados da técnica alcançados são melhores que com Elisa empregando amostras de soro dos pacientes, anteriormente aprovada pelo Food and Drug Administration (FDA) dos Estados Unidos e pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). 

Para verificar as vantagens do diagnóstico através da urina, foram analisadas inúmeras amostras de pacientes em poucas horas, o que pode confirmar que o teste é rápido. Os benefícios do teste para os pesquisadores é o fato de ser um exame pouco invasivo. “Muitas pessoas não aceitam puncionar seu sangue por motivos físicos, psicológicos ou religiosos. Como é menos invasivo, o novo teste poderia ser feito em toda a população, o que seria importante para os estudos epidemiológicos e as ações das autoridades governamentais”, comenta Ludolf.

Outro ponto positivo do teste da UFMG, é o baixo custo. Segundo a pesquisadora, considerando que a urina é expelida naturalmente do organismo, o exame elimina a necessidade de um flebotomista, de agulhas e seringas, o que barateia o processo. Além do mais, oferece ao paciente a possibilidade de realizar a coleta e o transporte em horários convenientes. 

Patente

A patente da inovação está sendo negociada pela Coordenadoria de Transferência e Inovação Tecnológica (CTIT) da UFMG com laboratórios das áreas de saúde e biotecnologia, com o intuito de levar a tecnologia à sociedade o mais rápido possível.

“Esperamos que chegue ao mercado o quanto antes para que a população possa se beneficiar desse método em um momento em que testes diagnósticos têm sido muito importantes para nortear as ações pessoais e governamentais de enfrentamento da pandemia”, conclui Ludolf.


Foto: Freepik.com


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