INCA: estudo inédito investiga formação e evolução do câncer de esôfago

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Pesquisadores do Instituto Nacional de Câncer (Inca) participaram de um estudo internacional inédito sobre alterações epigenéticas de pacientes com câncer de esôfago. As alterações epigenéticas estão relacionadas às mudanças na atividade de gene que não envolvem alterações no DNA. O estudo foi publicado na revista Cancer Research

A pesquisa identificou que as alterações nas atividades de gene estão entre as causas mais relevantes para o desenvolvimento de câncer de esôfago, uma vez que o mesmo padrão é observado em pacientes analisados em diferentes países. As análises possibilitam o desenvolvimento de novas terapias e avanços nos métodos de detecção precoce da doença. 

De acordo com o Inca, o câncer de esôfago é o sétimo mais frequente no mundo, cuja incidência em homens é aproximadamente duas vezes maior do que em mulheres. No Brasil, a neoplasia é a sexta mais incidente e a quinta de maior mortalidade. 

O Inca aponta que os principais fatores que aumentam o risco de desenvolvimento da doença estão associados ao uso de tabaco e ingestão de álcool. Além do mais, o consumo de bebidas muito quentes, como chimarrão, chá e café, também pode elevar o risco. 

Pesquisa

Os pesquisadores do estudo analisaram 240 pacientes de diferentes países, sendo que 28% faziam parte do Inca, que representa o Brasil e integra um grupo com com membros de diferentes países, coordenado pela Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (Iarc, na sigla em inglês). 

A pesquisadora do Instituto e participante do estudo, Sheila Coelho, destacou que, a partir da identificação dos marcadores, a possibilidade de realizar métodos menos invasivos para o diagnóstico do câncer de esôfago foram achados da pesquisa muito significativos. “Um exemplo é a biópsia líquida, que é pouco invasiva e com boa relação custo-efetividade, esse método permite investigar os marcadores da doença a partir do sangue do paciente”, explicou a pesquisadora.

Considerando que o câncer de esôfago não apresenta sintomas em sua fase inicial, o que dificulta o diagnóstico precoce, a pesquisa, além de facilitar esse diagnóstico precoce dos pacientes, também favorece o acesso ao tratamento adequado. A detecção em estágios avançados da doença e a falta de opções de tratamento são os principais motivos da alta taxa de letalidade.

Segundo Luis Felipe Ribeiro, chefe do Programa de Carcinogênese Molecular e Coordenador de Pesquisa do Inca, já é possível a utilização de medicamentos capazes de reverter alterações epigenéticas dos pacientes. “Alguns remédios até mesmo já são utilizados no tratamento de outros tipos de câncer. Assim, poderemos avaliar o potencial de incorporação dessas drogas no tratamento de pacientes com câncer de esôfago”.

O estudo apresenta análises que possibilitam o entendimento de como esses tumores se formam e quais mudanças nas atividades dos genes estão ligadas ao desenvolvimento e evolução da doença. Assim, sendo possível identificar os sintomas da neoplasia em estágio inicial, contribuindo para o tratamento precoce e aumentando as chances de controle da doença para os pacientes. 


Foto: Pixabay


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