Pesquisa sugere que poluição do ar prejudica recuperação de lesões pulmonares

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Dados de um estudo conduzido no Laboratório de Poluição Atmosférica Experimental da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) sugerem que a poluição do ar compromete a resposta das células de defesa do organismo, causando um atraso na resolução da inflamação e prejuízo da recuperação e cicatrização da lesão pulmonar aguda

O estudo foi realizado durante o mestrado da bióloga Natália de Souza Xavier Costa, sob orientação do professor Luiz Fernando Ferraz da Silva, da FMUSP, com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). O artigo foi publicado na revista científica Scientific Reports.

As análises da bióloga foram realizadas em camundongos, com o objetivo de verificar os efeitos do material particulado fino na síndrome da angústia respiratória aguda (SARA) nas fases mais tardias da inflamação, quando o tecido pulmonar está se recuperando.

Costa disse ao Jornal da USP que a SARA é caracterizada por um quadro de insuficiência respiratória aguda, ocasionada por dano difuso nos alvéolos (células dos pulmões onde ocorrem as trocas gasosas) e edema pulmonar com alto teor de proteínas. Ela pode ser desencadeada por diversos motivos, como pneumonia, aspiração de conteúdo gástrico, pancreatite e até infecções bacterianas e virais, como a Covid-19.

O orientador da pesquisa indica que já se sabe os efeitos da poluição atmosférica nas doenças respiratórias. No entanto, ele conta que o trabalho mostra que essa exposição pode não apenas estar associada ao desenvolvimento e agravamento dos quadros, mas também interferir na melhora dos pacientes. “O efeito da poluição, modulando as respostas de cicatrização e imunológica, pode interferir no processo de recuperação dos pacientes”, destaca.

A pesquisadora diz que a recuperação da lesão pulmonar aguda envolve fases de resolução da inflamação e reparo, que podem levar até duas semanas. Entretanto, ela aponta que grande parte dos estudos são focados em curtos períodos após a lesão, de 24 a 48 horas. “O modelo utilizado no nosso estudo permite avaliar as etapas posteriores e pode ajudar a compreender como os fatores ambientais interagem com o momento tardio da doença”.

Um grupo de 16 camundongos foi exposto, durante cinco semanas, a um material particulado fino, que tem diâmetro aerodinâmico menor ou igual a 2,5 micrômetros, com o auxílio do concentrador de partículas ambientais localizado na FMUSP. Esse grupo de camundongos e outros 16 animais, 24 horas antes da exposição, foram submetidos à lesão pulmonar por meio da nebulização de lipopolissacarídeos (LPS). Também foram avaliados outros dois grupos: o de animais saudáveis (controle) e os expostos apenas ao material particulado fino, mas sem lesão

Os lipopolissacarídeos são proteínas presentes na membrana da maioria das bactérias gram-negativas. Essas proteínas estimulam o sistema imunológico, levando à produção de mediadores inflamatórios e recrutamento de células inflamatórias, o que simula a resposta imune à infecção bacteriana.

Os resultados da pesquisa revelam que os animais com SARA expostos ao material particulado fino tinham inflamação persistente caracterizada por níveis elevados de mediadores inflamatórios e contagem de macrófagos nos pulmões. Esses animais também apresentavam contagem de linfócitos no sangue, nos pulmões e no baço em níveis mais baixos em comparação aos que não tiveram contato com a poluição.


Com informações do Jornal da USP/Agência Fapesp
Foto: Freepik.com


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