Estudo da CoronaVac em Serrana indica queda de 95% das mortes por Covid-19 após vacinação em massa

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O Instituto Butantan apresentou nesta segunda-feira, 31, os primeiros resultados do estudo realizado com a CoronaVac na cidade de Serrana, interior de São Paulo. Chamado Projeto S, o estudo indicou que, com 95,7% da população adulta totalmente imunizada pela CoronaVac, houve quedas significativas de 95% das mortes, 86% de internações e 80% em casos sintomáticos de Covid-19.

A pesquisa foi realizada entre 17 fevereiro a 11 abril deste ano, com o objetivo de vacinar toda a população adulta da cidade de Serrana para avaliar a eficácia da vacina CoronaVac, do Instituto Butantan em parceria com o laboratório chinês Sinovac. Aproximadamente 27 mil moradores do município do interior paulista receberam o esquema vacinal completo, ou seja, as duas doses da CoronaVac com intervalo de 28 dias entre a primeira e a segunda. 

Para obter os resultados, os pesquisadores realizaram comparação dos dados desde o início do projeto, até completar a vacinação de todos os grupos, com o restante do trimestre avaliado. “Serrana se transformou em um laboratório epidemiológico, um exemplo para o mundo”, disse o presidente do Instituto Butantan, Dimas Covas, em coletiva de imprensa.

O governador de São Paulo, João Doria, afirmou que: “O estudo indica também que, com 75% da população-alvo imunizada com as duas doses da vacina Coronavac, a pandemia foi controlada em Serrana e isso pode se reproduzir em todo o Brasil”. Doria ainda ressaltou que a vacina para todos os brasileiros é o único caminho para controlar a pandemia. 

Os resultados da pesquisa ainda revelaram que os benefícios da vacina podem ser indiretos, isto é, não protege somente os adultos que receberam as duas doses do imunizante, mas também as crianças e adolescentes menores de 18 anos, que não foram vacinados. 

“A redução de casos em pessoas que não receberam a vacina indica a queda da circulação do vírus. Isso reforça a vacinação como uma medida de saúde pública, e não somente individual”, explica o diretor de ensaios clínicos do Instituto Butantan, Ricardo Palacios, também diretor do estudo. “O resultado mais importante foi entender que podemos controlar a pandemia mesmo sem vacinar toda a população. Quando atingida a cobertura de 70% a 75%, a queda na incidência foi percebida até no grupo que ainda não tinha completado o esquema vacinal”, completa.

Além do mais, Palacios destacou a curva de redução de casos sintomáticos entre os idosos que não puderam se vacinar. “Nos maiores de 80 anos, essa redução é ainda mais importante. O efeito em hospitalizações e mortes das pessoas mais idosas não deixa nenhuma dúvida sobre a importância da vacinação nessas faixas etárias”, esclarece.

Segundo o Butantan, outro ponto importante identificado no estudo é que a vacinação de toda a população, realizada em quatro etapas, não provocou o surgimento de novas variantes do vírus. Pelo contrário, a imunização ajudou a controlar as cepas circulantes. A variante brasileira P1 é, atualmente, a maior em circulação no Brasil e também em Serrana, o que demonstrou a efetividade da vacina do Butantan também contra a cepa brasileira. 

“A vacina é segura, eficaz, eficiente, de altíssima qualidade, e contribui para prevenir o desenvolvimento da doença, complicações e óbitos entre os infectados. Agora também sabemos que ela provoca efeito benéfico em uma população inteira, protegendo tanto os vacinados quanto os não vacinados e reduzindo a circulação viral de forma expressiva”, conclui Dimas Covas.

Assista abaixo o vídeo de apresentação dos dados do Projeto S do Instituto Butantan


Foto: Divulgação/Instituto Butantan


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