Obesidade infantil: saiba como enfrentar essa epidemia global


A obesidade é considerada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) uma séria epidemia de saúde pública global. A condição está afetando cada vez mais a população, incluindo as crianças. Em 2019, segundo a OMS, aproximadamente 38,2 milhões de crianças com menos de 5 anos estavam com sobrepeso ou obesas no mundo.

A obesidade é uma doença crônica caracterizada pelo excesso de peso resultante do acúmulo de gordura corporal. Diferente dos adultos, cuja obesidade é considerada quando o Índice de Massa Corporal (IMC) está acima de 30, nas crianças o IMC pode variar de acordo com a idade e sexo. Os cálculos do IMC são realizados com base em uma tabela de padrões de crescimento infantil disponibilizada pela OMS, que deve ser avaliada por um pediatra. 

O excesso de peso entre as crianças aumenta o risco para o desenvolvimento de inúmeras doenças, como a diabetes, hipertensão e colesterol alto, gerando consequências até a fase adulta. Além disso, a criança obesa pode sofrer problemas emocionais por conta do isolamento social decorrente do bullying, desencadeando depressão, baixa autoestima e disfunções alimentares – bulimia ou anorexia.

A obesidade entre os pequenos pode ocorrer por diversos fatores, entre eles os genéticos, sedentarismo, disfunções hormonais, ansiedade, uso de medicamentos à base de corticoides e, sobretudo, má alimentação. 

Como diagnosticar a obesidade infantil

Segundo a terceira edição do Manual de Orientação Obesidade na Infância e Adolescência da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), é possível identificar critérios para o diagnóstico da obesidade infantil por meio da anamnese, isto é, entrevista realizada pelo médico para saber a história do paciente, além de coletar dados nutrológicos e exame físico, que tem por objetivo avaliar o peso altura, IMC e circunferência abdominal.

Ainda podem ser solicitados exames complementares para obter informações mais precisas de composição corporal, para investigação de possíveis causas da doença.

Tratando a obesidade infantil

Conforme o manual da SBP, o plano terapêutico deve ser traçado de forma individualizada e instituído de maneira gradativa, em conjunto com o paciente e a sua família. A imposição de dietas rígidas e extremamente restritivas devem ser evitadas. A SBP aponta que “o planejamento inadequado da intervenção dietética pode levar à diminuição da velocidade de crescimento e à redução da massa muscular”. 

A Sociedade ainda indica que o tratamento nutricional deve conter uma dieta balanceada, com distribuição adequada de macro e micronutrientes, e orientação alimentar que possibilite a escolha de alimentos de ingestão habitual ou de mais fácil aceitação por parte da criança.

As mudanças devem ser discutidas com a criança ou o adolescente, juntamente com suas famílias, este processo, segundo a SBP, é fundamental para manter a confiança no profissional e dar continuidade ao tratamento. 

Formas de prevenção

É importante que os pais cultivem hábitos saudáveis durante o desenvolvimento da criança. A alimentação adequada, que deve ser orientada por um nutrólogo ou nutricionista, é fundamental para a criança manter um estilo de vida saudável. 

Para desenvolver hábitos alimentares saudáveis é preciso:

  • Variedades de frutas, legumes e vegetais;
  • Versões integrais de farinhas e cereais;
  • Priorizar bebidas naturais, como sucos de frutas e água;
  • Servir porções adequadas;
  • Evitar alimentos ultraprocessados, como congelados, biscoitos recheados e salgadinhos, estes são ricos em gorduras, açúcares e sódio;
  • Evitar frituras e dar prioridade a alimentos feitos a vapor ou em grelhas;
  • Não exagerar no consumo de bebidas açucaradas, como sucos industrializados e refrigerantes;
  • Evitar fast-foods.

A prática de atividades físicas também deve ser inserida na rotina das crianças. É importante incentivar as crianças a realizarem exercícios físicos, uma vez que, além de queimar calorias, ajudam no crescimento e fortalecimento dos ossos e músculos, melhoram o humor e a autoestima e auxiliam o sono.

As atividades devem ser realizadas todos os dias, entre elas estão: esportes, como futebol, vôlei, judô, natação, dentre outros; aulas de dança; academia, com a recomendação de um médico e supervisão de um profissional da área de educação física; e brincadeiras ao ar livre, como pega-pega e esconde-esconde.

Com os smartphones e tablets cada vez mais presentes na vida de crianças e adolescentes, vale ressaltar que o tempo de uso desses aparelhos deve ser limitado, bem como o uso de televisão. 

Além de evitar o sedentarismo e, consequentemente, a obesidade na infância, esses hábitos podem ser cultivados no futuro, evitando complicações na fase adulta.


Foto: Freepik.com


Bruna Faraco
Jornalista formada pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), radialista e fotógrafa.

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