Covid-19: boletim da Fiocruz alerta para alta mortalidade materna


O boletim do Observatório Covid-19 da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), divulgado na última sexta-feira (4), traz um alerta para o aumento nos níveis de mortes entre gestantes e puérperas decorrentes da Covid-19.

Segundo o boletim, com dados do Observatório Obstétrico Brasileiro Covid-19, os óbitos maternos deste ano já superaram os números totais de 2020. Até o dia 26 de maio, foram registrados 911 óbitos, com média semanal de 47,9 óbitos. Por outro lado, durante o ano de 2020, 544 óbitos de gestantes e puérperas acometidas pela Covid-19 foram registrados, com média semanal de 12,1 óbitos. 

“Esse quadro aumenta a preocupação em relação à disponibilidade de leitos de UTI adulto para essas mulheres e de leitos de UTI neonatal para os recém-nascidos, que podem ser inclusive prematuros. Os pesquisadores alertam que ambos precisam de cuidados especializados e imediatos. A partir de meados de 2020, começaram a ser publicados artigos sobre a morte de gestantes e puérperas por Covid-19 no Brasil, alertando para a necessidade de preparação e organização de toda a rede de atenção em saúde”, destaca o boletim. 

Os especialistas do estudo ainda alertam que as gestantes podem evoluir para formas graves da doença, com complicações respiratórias, sobretudo aquelas que estão em torno de 32 ou 33 semanas de gestação. Desse modo, havendo, em muitos casos, necessidade de antecipar o parto. 

Crescimento de Síndrome Respiratória Aguda Grave

O boletim também constatou uma tendência de crescimento de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) em 12 estados e no Distrito Federal. As regiões apresentam dados preocupantes, sobretudo nos estados das regiões do Sul e Centro-Oeste. Aproximadamente 96% dos casos de SRAG são causados pelo novo coronavírus.

O documento aponta que todos os estados das regiões Nordeste, Sul e Centro-Oeste, e a maior parte da região Sudeste estão com a ocupação de leitos de UTI em níveis críticos ou mesmo extremamente críticos, com taxas iguais ou superiores a 80%. “Dezessete capitais também se encontram em níveis críticos ou extremamente críticos. O sistema de saúde está sobrecarregado, com capacidade de resposta comprometida para o atendimento a esses casos, assim como para outras demandas represadas”. 

Os pesquisadores do estudo chamam atenção para o fato de o país pode estar diante de um momento crítico, com riscos reais de agravamento da pandemia nas próximas semanas, uma vez que as taxas de ocupação de leitos UTI são a “ponta do iceberg” e que o país ainda não obteve quedas significativas em casos e óbitos.

O boletim da Fiocruz ainda enfatiza que estudos relacionados à vacinação com resultados positivos, como a vacinação em massa realizada pelo Instituto Butantan no município de Serrana, em São Paulo, revelam que um esquema vacinal completo de 75% da população gera impactos bastante positivos. No entanto, os pesquisadores manifestam que ainda há um longo caminho a ser percorrido para que se possa chegar a um percentual próximo para todo o Brasil. 


Foto: Pexels


Bruna Faraco
Jornalista formada pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), radialista e fotógrafa.

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