Opas alerta que controle da Covid-19 na América Latina levará anos se vacinação continuar em ritmo lento


Se o ritmo de vacinação continuar lento e a disseminação do novo coronavírus seguir persistindo na América Latina e no Caribe, levará anos para a Covid-19 ser controlada na região, alertou nesta quarta-feira (9), em coletiva de imprensa, a diretora da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), Carissa F. Etienne.

“Estamos vendo o surgimento de dois mundos: um retornando rapidamente ao normal e outro onde a recuperação continua sendo um futuro distante”, afirmou Etienne na coletiva de imprensa semanal da Opas.

Na semana passada, segundo a diretora da Opas, em todas as Américas, incluindo a América do Norte, houve quase 1,2 milhão de novos casos de Covid-19 e mais de 34 mil mortes. Dos cinco países com o maior número de mortes no mundo, quatro estão nas Américas.

“Apesar de dobrar – ou mesmo triplicar – os leitos hospitalares em toda a região, os leitos de UTI estão cheios, o oxigênio está acabando e os profissionais de saúde estão sobrecarregados”, disse Etienne.

Somente 10% da população da América Latina e do Caribe foi totalmente vacinada. A diretora da Opas aponta que os países dessas regiões devem adotar medidas comprovadas de saúde pública, como uso de máscaras, higienização das mãos e distanciamento social, medidas essenciais para evitar a disseminação do SARS-CoV-2. Ela também solicitou a implementação de “sistemas de vigilância robustos” apoiados por testes regulares e rastreamento de contatos. “Isso continuará sendo fundamental para controlar o vírus, mesmo com a expansão da cobertura vacinal e a redução dos casos”, ressaltou.

Etienne alertou que a piora do cenário da Covid-19 na América Latina e no Caribe continua. “As tendências que estamos vendo são claras: em nossa região, este ano foi pior do que o anterior. Em muitos lugares, as infecções são mais altas agora do que em qualquer momento desta pandemia.”

No Brasil, Equador e Peru ela indica que há uma notificação de declínio nos casos, mas a maioria dos países sul-americanos, incluindo Argentina, Uruguai e Chile, notificam infecções crescentes.

A diretora da Opas ainda pediu o aumento “urgente” do acesso às vacinas na América Latina e no Caribe e a priorização de países onde “mesmo as populações vulneráveis ainda precisam ser protegidas”. Ela convocou os países ricos em vacinas e recursos a seguirem o exemplo dos Estados Unidos, que doou inicialmente 6 milhões de doses de vacinas contra a Covid-19; da Espanha, que contribuiu com 5 milhões de doses; e do Canadá, que se comprometeu a doar 50 milhões de dólares canadenses para expandir o acesso às vacinas na América Latina e Caribe.

“Esperamos que outros países, especialmente aqueles com doses sobrando, e instituições financeiras globais sigam seus passos para fornecer o apoio de que precisamos para proteger 70% da nossa população que não será coberta pelo Covax”, disse Etienne referindo-se ao mecanismo global para garantir a igualdade de acesso às vacinas contra a Covid-19, o consórcio Covax Facility.

Copa América no Brasil

Ainda na coletiva de imprensa, o diretor de emergências de saúde da Opas, Ciro Ugarte, citou a realização dos jogos da Copa América no Brasil. Ugarte disse que  “os organizadores deveriam considerar o adiamento do evento para um momento mais favorável”. A Copa América está programada para ser realizada no próximo domingo, 13.


Imagem: Freepik


Bruna Faraco
Jornalista formada pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), radialista e fotógrafa.

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