Estudo investiga prevalência do autismo em homens


Pesquisadores da Universidade James Cook e da Universidade de Queensland investigam uma teoria que associa o autismo ao cérebro masculino, em que indica que o transtorno tem “cérebro extremamente masculino”. No entanto, os pesquisadores do estudo descobriram que a teoria não é tão simples. O artigo do estudo foi publicado na revista científica Autism Research.

Segundo a pesquisadora que conduziu o estudo, Liza van Eijk, o Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) é quatro vezes mais comum em homens do que mulheres, sendo associado a um comportamento típico masculino.

“Os homens pontuam em média mais baixa em tarefas de empatia do que as mulheres, enquanto os adultos com TEA, independentemente de seu sexo, têm a pontuação mais baixa. Por outro lado, os homens pontuam em média mais alta do que as mulheres em uma tarefa de atenção aos detalhes, enquanto indivíduos com TEA pontuam mais alto”, disse van Eijk.

O TEA é um distúrbio neurológico sem cura, que caracteriza dificuldades de comunicação e interações sociais e afetivas de crianças, alterando a capacidade comunicacional e comportamental do indivíduo. O TEA, que costuma ser identificado nos primeiros anos de vida – entre 1 a 3 anos de idade – tende a persistir na adolescência e na idade adulta.

A pesquisadora aponta que  existem inúmeras diferenças nas regiões dos cérebros masculinos e femininos, tanto em tamanho quanto em forma, então indica a questão de saber se o autismo está relacionado a um cérebro mais masculino típico, que, segundo ela, é uma teoria popular conhecida como a hipótese do ‘Cérebro Masculino Extremo’. Porém, essa teoria não foi submetida a testes diretos e rigorosos.

“Nós derivamos uma medida baseada em dados das diferenças individuais ao longo de uma dimensão homem-mulher com base nas diferenças de sexo na forma subcortical do cérebro, ou masculinidade do cérebro. Consistente com a hipótese do Cérebro Masculino Extremo, encontramos uma pontuação média de masculinidade cerebral mais alta no grupo de TEA do que nos controles “, disse a pesquisadora.

Além do mais, os pesquisadores do estudo destacam que os escores de masculinidade cerebral mostraram associações positivas com sintomas autistas. No entanto, eles explicaram que as diferenças no tamanho do cérebro, nos escores de masculinidade do cérebro entre o grupo de TEA e dos controles desapareceram, e nenhuma associação entre masculinidade do cérebro e sintomas autistas permaneceu.

Liza van Eijk ressalta que estudos mais extensos e aprofundados são necessários para desvendar as mudanças cerebrais e comportamentais relacionadas ao autismo e para examinar se essas mudanças estão associadas às diferenças de sexo, em específico durante o desenvolvimento inicial.


Foto: Freepik


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Bruna Faraco
Jornalista formada pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), radialista e fotógrafa.

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