Perda de peso com jejum intermitente não é diferente de dietas tradicionais, indica estudo


O jejum intermitente é um tipo de plano alimentar que consiste em ficar por um longo período do dia sem se alimentar, podendo durar por períodos de 12 horas, 14 horas e até mesmo 24 horas. Essa técnica, que pode levar meses, está sendo cada vez mais adotada por pessoas que desejam perder peso. 

Mas, afinal, será que esse tipo de “dieta” é mais eficaz que as dietas tradicionais? Para responder esse questionamento, uma equipe de fisiologistas da Universidade de Bath realizou um novo estudo, em que foram identificadas evidências de que até o momento a eficácia do jejum intermitente quando comparado com outras dietas mais tradicionais, que visam reduzir a ingestão de calorias ao longo de uma semana inteira, foram limitadas e indica que não há “nada de excepcional” no jejum intermitente, apontam os fisiologistas. A pesquisa foi publicada na revista científica Science Translational Medicine.

O estudo, realizado em um ensaio de controle randomizado, contou com 36 participantes, definidos como “magros” – com índice de massa corporal de 20 a 25 kg por m2. As descobertas indicaram que os participantes perderam menos peso enquanto faziam o jejum intermitente em comparação com aqueles que seguiram uma dieta tradicional – mesmo quando sua ingestão de calorias foi a mesma no geral.

A pesquisa foi organizado por uma equipe do Centro Universitário de Nutrição, Exercício e Metabolismo, e reuniu participantes em três grupos: no Grupo 1, os participantes jejuaram em dias alternados, ou seja, com o dia de jejum seguido por um dia se alimentando 50% a mais do que o habitual; no Grupo 2, foram reduzidas em 25% as calorias dos participantes em todas as refeições diárias; e no grupo 3, os participantes jejuaram da mesma forma que o Grupo 1, em dias alternados, no entanto, continuaram seu dia de jejum com um dia comendo 100% a mais do que o normal.

No início do estudo, em média, todos os participantes dos grupos consumiam diariamente uma dieta de cerca de 2.000 a 2.500 kcal. Durante o período de acompanhamento do estudo, que durou três semanas, os dois grupos que continham restrição de energia, grupos 1 e 2, reduziram suas ingestões de calorias, em média, entre 1.500 a 2.000 kcal. No grupo 3, a dieta os submeteu a jejuar sem reduzir o total de calorias.

Os resultados da pesquisa revelaram que o segundo grupo, que não realizou dieta em jejum, perdeu 1,9 kg nas três semanas de monitoramento, e o exame de composição Corporal (DEXA) indicou que a perda de peso foi praticamente devida à redução no conteúdo de gordura corporal.

Em contrapartida, o primeiro grupo de jejum, que realizou a mesma redução na ingestão de calorias em jejum em dias alternados e consumindo 50% mais em dias sem jejum, perdeu quase que a mesma proporção de peso corporal, 1,6 kg, mas considerando somente metade da redução foi de gordura corporal, a outra parte foi de massa muscular. 

Já no terceiro grupo, que realizou o jejum, mas aumentou o consumo de energia em 100% nos dias sem jejum, o organismo não necessitou recorrer aos estoques de gordura corporal para obter energia e, com isso, a perda de peso não foi significativa.

O professor James Betts, diretor do Centro de Nutrição, Exercício e Metabolismo da Universidade de Bath, que liderou a pesquisa, disse que “muitas pessoas acreditam que dietas baseadas em jejum são especialmente eficazes para perda de peso ou que essas dietas têm benefícios metabólicos específicos para a saúde até mesmo se você não perder peso”. No entanto, Betts pondera que o jejum intermitente “não é uma fórmula mágica”, considerando que as descobertas do estudo apresentam que não há nada que torne o jejum diferente ou melhor quando comparado com as dietas mais tradicionais que podem ser seguidas.

“Mais significativamente, se você está seguindo uma dieta de jejum, vale a pena pensar se os períodos de jejum prolongados estão realmente tornando mais difícil manter a massa muscular e os níveis de atividade física, que são fatores conhecidos por serem fatores muito importantes para a saúde a longo prazo”, concluiu o professor.


Foto: Freepik


Bruna Faraco
Jornalista formada pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), radialista e fotógrafa.

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