Doença Falciforme: saiba mais sobre essa condição hereditária que requer atenção


O Dia Mundial de Conscientização sobre a Doença Falciforme, data instituída pela Organização das Nações Unidas (ONU), é comemorado anualmente no dia 19 de junho. Desde 2008, a data tem por objetivo chamar a atenção e conscientizar a população mundial sobre as causas, sintomas e tratamento dessa doença que ainda é pouco discutida.

A anemia falciforme é uma doença genética, sem cura, caracterizada por uma alteração na estrutura dos glóbulos vermelhos do sangue, que passam a ter um formato de foice ou meia-lua. Essa alteração faz com que a capacidade dos glóbulos vermelhos de transportar o oxigênio para o organismo fique reduzida, podendo causar atrasos no desenvolvimento de alguns órgãos e obstruir os vasos sanguíneos. Além disso, essas células rompem-se com maior facilidade, causando anemia. Essa condição é mais comum na população negra.

Sintomas

Os sintomas da anemia falciforme podem variar de pessoa para pessoa. Alguns indivíduos possuem apenas sinais leves, outros podem apresentar um ou mais sintomas.

Os sintomas característicos da anemia falciforme são:

  • Palidez;
  • Cansaço, fadiga e sono;
  • Olhos e pele amarelados;
  • Atraso no desenvolvimento ou puberdade atrasada;
  • Baixos níveis de oxigênio no corpo e desidratação;
  • Dores nos ossos e articulações, uma vez que há dificuldade para transportar oxigênio para o organismo,  sobretudo nas extremidades do corpo – mãos e pés;
  • Crise de dor na região abdominal, tórax e lombar, podendo estar acompanhada de febre, vômitos e urina escura ou com sangue;
  • Infecções recorrentes, as crianças ficam mais propensas a ter pneumonias e meningites.

Os sintomas da doença podem ser controlados com a administração de remédios que devem ser tomados durante toda a vida. Os fármacos ajudam a diminuir o risco de complicações, mas a cura só é possível por meio do transplante de células tronco hematopoiéticas.

Diagnóstico e tratamento

Normalmente, os sintomas surgem nos primeiros meses de vida da criança. No entanto, a doença geralmente é detectada precocemente nos primeiros dias de vida do bebê através da realização do teste do pezinho. Além disso, o diagnóstico pode ser realizado por meio do exame eletroforese de hemoglobina solicitado por um médico hematologista ou outros especialistas.

Quando identificada a doença, o paciente deve ser acompanhado por um médico, em que dará o tratamento adequado e baseado em um programa de atenção integral. Os programas visam acompanhar o portador da doença por toda a vida, onde uma equipe de profissionais habilitados para o tratamento da anemia falciforme, que engloba médicos, enfermeiras, assistentes sociais, nutricionistas, dentistas, entre outros, orientam a família e o paciente.

O tratamento é realizado com o uso de medicamentos, mas em alguns casos pode ser necessária a transfusão sanguínea e transplante de medula óssea.

Complicações

O portador da anemia falciforme pode ser acometido por algumas complicações clínicas, entre elas:

  • Infecções de repetição;
  • Anemia crônica;
  • Complicações pulmonares, neurológicas, renais hepatobiliares e oculares;
  • Úlceras de perna;
  • Articulações das mãos e dos pés inchados, doloridos e deformados em decorrência de infecção;
  • Comprometimento dos rins, com aumento da frequência urinária, comum também a urina ser mais escura e a criança fazer xixi na cama até a adolescência;
  • AVC, devido a dificuldade do sangue em irrigar o cérebro;
  • Insuficiência cardíaca, com cardiomegalia, infartos e sopro no coração;
  • Priapismo, que é a ereção dolorosa, anormal e persistente não acompanhada de desejo sexual ou excitação;
  • Sequestro do sangue no baço. Tendo em vista que o baço é o órgão que filtra o sangue, em crianças com a doença, o baço pode aumentar rapidamente por sequestrar todo o sangue e isso pode levar rapidamente à morte por falta de sangue para os outros órgãos, como o cérebro e o coração. 

As crianças menores de cinco anos com doença falciforme têm risco maior de desenvolver infecção quando comparadas com crianças sadias. Por isso, é essencial que o portador da doença receba a assistência necessária e adequada para ter mais qualidade de vida, assim, evitando complicações. 


Foto: Freepik


Bruna Faraco
Jornalista formada pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), radialista e fotógrafa.

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