Consumir café diariamente pode reduzir risco de doença hepática, indica estudo


Um novo estudo realizado por pesquisadores das Universidades de Southampton e Edimburgo, no Reino Unido, descobriu que todos os tipos de café podem reduzir o risco de doença hepática crônica, doença hepática gordurosa, câncer de fígado e morte por doença hepática crônica. O artigo foi publicado na revista BMC Public Health.

O café, para muitas pessoas, é essencial durante o dia. No entanto, essa bebida, no âmbito das pesquisas, causa um fluxo constante de estudos que oferecem evidências dos benefícios e riscos de seu consumo.

De acordo com o estudo, as doenças hepáticas causam 2 milhões de mortes globais anualmente, sendo um milhão de pessoas morrendo de complicações de cirrose e outras de hepatite viral e carcinoma hepatocelular. Os fatores de risco para doenças hepáticas incluem consumo de álcool, excesso de peso e diabetes.

O médico hepatologista, Talal Adhami disse ao portal Medical News Today  que o estudo é “absolutamente incrível”, graças ao seu escopo. “Houve estudos menores e houve uma associação [entre a saúde do fígado e o café], mas este estudo, na verdade, atraiu uma associação muito maior apenas pelo grande número de pacientes”, disse.

Pesquisa

Segundo os pesquisadores, o maior benefício é obtido ao beber de 3 a 4 xícaras de café por dia, mesmo descafeinado. O café moído é ainda mais benéfico do que o café instantâneo.

Para chegar aos resultados, os autores do estudo analisaram os dados de saúde do UK Biobank de 494.585 pessoas, que foram acompanhadas por uma média de 10,7 anos.

Do total de participantes analisados, 384.818 bebiam café e 109.767 não bebiam, servindo como grupo de controle do estudo. Os que bebiam café consumiam café com cafeína, descafeinado, moído e instantâneo.

Durante o estudo, a amostra continha 3.600 diagnósticos de doença hepática crônica, 5.439 casos de doença hepática crônica ou doença hepática gordurosa e 184 casos de carcinoma hepatocelular. Houve 301 mortes por doença hepática crônica.

Quando comparado com o grupo de participantes que não consumia café, o risco de doença hepática crônica do grupo que consumia café era 21% menor. O risco também foi reduzido em 19% de desenvolver doença hepática crônica ou doença hepática gordurosa, e reduziram o risco de carcinoma hepatocelular em 21%. Os consumidores de café ainda tinham 49% menos probabilidade de morrer de doença hepática.

Para os indivíduos que consumiam café em grãos moídos, a redução do risco foi ainda maior. O risco de desenvolver doença hepática crônica ou doença hepática gordurosa foi reduzido em 35%,  em 34% de desenvolver carcinoma hepatocelular e em 61% de morrer de doença hepática.

Contraponto do estudo

Apesar dos resultados, há uma limitação no estudo cuja sua amostra foi composta por indivíduos brancos de níveis socioeconômicos mais elevados, o que significa que os achados podem acabar não sendo universalmente aplicáveis.

O bioquímico Nathan Davies, do Instituto de Saúde Digestiva e Fígado da Universidade College London, advertiu ao portal Medical News Today de que o estudo não prova que o café é um “superalimento anti-doença hepática”. Davies apontou que outros estudos até “indicam o oposto”.

“O risco e o benefício a longo prazo no estudo eram tão pequenos. Apenas 4 em cada 1.000 bebedores de café que não desenvolveram doença hepática versus 5 em cada 1.000 não bebedores de café. É provável que outros fatores tenham um efeito mais substancial do que café”, disse o bioquímico.

O médico hepatologista manteve o entusiasmo no estudo, porém, disse que seria diferente se já tivéssemos remédios eficazes para todas as doenças do fígado. É importante observar que o estudo não se aprofunda na mecânica de por que o café é tão benéfico para o fígado.

Adhami ainda disse que, como resultado deste estudo, ele antecipa ensaios clínicos randomizados controlados que testam várias moléculas de café contra doenças do fígado. “Acredite em mim, esta é a notícia mais emocionante para as doenças do fígado”, comentou.

O autor principal do estudo, Oliver Kennedy, conclui: “O café é amplamente acessível e os benefícios que observamos em nosso estudo podem significar que ele pode oferecer um potencial tratamento preventivo para doenças hepáticas crônicas. Isso seria especialmente valioso em países com renda mais baixa e pior acesso aos cuidados de saúde e onde o fardo da doença hepática crônica é maior”.


Foto: Freepik


Bruna Faraco
Jornalista formada pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), radialista e fotógrafa.

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