Pesquisa indica que uso indiscriminado de probióticos para tratamento de asma pode fazer mal à saúde

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Um estudo realizado por pesquisadores da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) investiga os possíveis benefícios e riscos causados pelo uso indiscriminado de probióticos por pessoas asmáticas. O artigo foi publicado no periódico científico Microbiome, e o conteúdo da pesquisa foi divulgado pela Unifesp.

A asma é uma condição respiratória crônica caracterizada pela dificuldade na respiração, uma vez que causa inflamação nas vias aéreas ou brônquios. A asma constitui um importante problema de saúde pública no Brasil e no mundo. No Brasil,  a Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT) estima que existam cerca de 20 milhões de pessoas asmáticas.

De acordo com a Unifesp, os diferentes fenótipos da doença podem ser influenciados pela interação entre o ambiente, a microbiota intestinal e a genética do hospedeiro. Por isso, com o objetivo de minimizar os efeitos da asma nos pacientes, métodos são investigados para modular a composição da microbiota, como a suplementação com probióticos – produtos alimentares que contêm micro-organismos vivos cuja ingestão pode trazer benefícios à saúde, como facilitar a digestão e a absorção de nutrientes e fortalecer o sistema imunológico. 

No entanto, segundo a Unifesp, os estudos ainda não são conclusivos sobre os efeitos dos probióticos em doenças alérgicas, devido à complexa interação entre fatores ambientais, composição da microbiota e background genético do indivíduo. 

O estudo

Os pesquisadores do estudo investigaram se a diversidade da microbiota intestinal e fatores genéticos do hospedeiro influenciam os efeitos da administração oral de um probiótico produtor de acetato, chamado Bifidobacterium longum 51A, na inflamação alérgica experimental das vias aéreas induzida por ovoalbumina (OVA) em duas linhagens de camundongos.

“Nossos dados mostraram que o uso do mesmo probiótico induziu diferentes mudanças na microbiota intestinal, que se correlacionaram com a microbiota intestinal do hospedeiro, mas que essas mudanças podem nem sempre ter implicações positivas para a saúde, e efeitos adversos podem ocorrer”, explica à Unifesp Caroline Marcantonio Ferreira, docente e pesquisadora do Instituto de Ciências Ambientais, Químicas e Farmacêuticas (ICAQF/Unifesp) que conduziu o estudo.

Para chegar aos resultados da pesquisa, foram usadas duas linhagens de camundongos, A/J e C57BL/6. Os camundongos A/J apresentam uma maior predisposição para desenvolver respostas alérgicas comparado aos C57BL/6. Além disso, eles apresentam uma microbiota menos diversa comparado aos C57BL/6.

A pesquisa ainda revela que, através de um experimento de transplante de embrião, a composição da microbiota foi muito relevante para o fenótipo de inflamação alérgica das vias aéreas. “Portanto, o uso indiscriminado de probióticos deve ser reconsiderado, pois os efeitos desses produtos são dependentes de parâmetros do hospedeiro, como a microbiota intestinal residente”, complementa a pesquisadora.


Foto: Freepik


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