Manter o cérebro ativo na velhice pode adiar em cinco anos o Alzheimer


Atividades simples e cotidianas como ler, escrever, jogar cartas ou montar quebra-cabeças podem atrasar em cinco anos o princípio da doença de Alzheimer. E o mais surpreendente: os benefícios são visíveis mesmo quando tais hábitos são iniciados aos 80 anos. É o que revelou um estudo publicado na Neurology, periódico da Academia Americana de Neurologia.

Os pesquisadores concluíram que o atraso da demência é resultado de atividades de estimulação cognitiva em idades mais avançadas, e não no início da vida. Isso após acompanhar 1 978 pessoas com idade média de 80 anos e que não apresentavam a doença no início do estudo.

Por um período de sete anos, os participantes realizaram anualmente uma série de testes cognitivos. Além disso, responderam a um questionário sobre a frequência com que tinham praticado no ano anterior certas atividades, como leitura de livros, jogos de cartas e tabuleiros ou quebra-cabeças, assim como na infância, idade adulta e meia-idade.

Após a análise da frequência das respostas, os cientistas constataram que as atividades cognitivas desenvolvidas no início da vida não estão associadas à idade em que a pessoa desenvolve Alzheimer. Por isso, a pesquisa sugere que o bem-vindo atraso de cinco anos para o início dos sinais da doença é principalmente impulsionado pela manutenção do cérebro ativo na velhice.

Entre os 1.978 idosos que participaram da pesquisa, 457 foram diagnosticados com demência de Alzheimer ao longo do estudo. Aqueles que pontuaram com os níveis mais altos de atividade cognitiva desenvolveram a doença aos 94 anos, em média. Já as pessoas com os índices mais baixos, aos 89 anos. Fatores como educação e sexo também foram analisados, porém, não houve diferença significante.

Mais pesquisas ainda são necessárias para que se possa extrapolar as conclusões do estudo para a população em geral, já que os participantes eram predominantemente brancos e com alto nível de escolaridade.

A doença

Trata-se de uma doença degenerativa do cérebro que acomete pessoas com mais idade, principalmente entre 60 e 90 anos, e que afeta a memória e a linguagem devido a alterações patológicas no tecido cerebral. 

Em alguns casos, pode provocar depressão, agitação e agressividade, além de limitar a capacidade de caminhar e de engolir. Uma das prováveis causas é a perda de células cerebrais ao longo da vida.

Além da atividade intelectual, a prática de exercícios físicos, a alimentação balanceada e a preservação das relações sociais e familiares são medidas preventivas de demência, sobretudo se mantidas conjuntamente.

No Brasil, estima-se que um milhão de pessoas sofram de Alzheimer. Até o momento a doença não tem cura. No entanto, medicações estabilizam ou diminuem a velocidade de perda funcional.


Foto: Freepik


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