Covid-19: dados da Pfizer indicam que terceira dose da vacina aumenta proteção contra variante Delta

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Novos dados divulgados nesta quarta-feira, 28, pela farmacêutica Pfizer apontam que uma terceira dose da vacina contra a Covid-19 pode aumentar ainda mais a proteção contra a variante Delta, identificada pela primeira vez na Índia.

O documento divulgado pela Pfizer sugere que os níveis de anticorpos que podem atingir a variante indiana crescem cinco vezes em pessoas com idade entre 18 a 55 anos quando recebem uma terceira dose da vacina. Já entre pessoas idosas, entre 65 a 85 anos, os dados indicam que os níveis de anticorpos que deveriam proteger contra o Delta crescem 11 vezes em comparação com a segunda dose.

As informações, que envolveram testes de 23 pessoas, ainda não foram revisados ​​por pares ou publicados.

Ainda não ficou evidente se os níveis de anticorpos aumentados realmente se correlacionam com uma melhor proteção, ou se essa terceira dose é mesmo necessária. Os Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC, na sigla em inglês) afirmam que as vacinas atuais protegem bem as pessoas contra todas as variantes comuns. 

No Brasil, a Agência Sanitária de Vigilância Sanitária (Anvisa) informou que os esquemas de vacinas já existentes apresentam proteção, inclusive, contra as variantes. A agência reguladora, porém, aponta que ainda não é possível afirmar por quanto tempo essa proteção durará em várias populações e, portanto, se uma dose de reforço será necessária, sobretudo para os mais vulneráveis.

Os dados publicados pela Pfizer também revelam que os níveis de anticorpos, após uma terceira dose, são muito mais elevados contra a versão original do coronavírus e a variante Beta – identificada pela primeira vez na África do Sul.

Nova análise de eficácia e segurança

A Pfizer junto com sua parceira BioNTech também divulgaram novos dados de segurança e eficácia para sua vacina contra a Covid-19. Os resultados evidenciaram que a proteção do imunizante se mantém por pelo menos seis meses, embora possa começar a diminuir ligeiramente no final desse período.

A pesquisa, divulgada em artigo pré-impresso no medrxiv.org, atualiza os resultados do estudo da Pfizer envolvendo 44.000 voluntários em todo o mundo.

Os dados do estudo mostraram que a eficácia geral do imunizante da Pfizer/BioNtech foi de aproximadamente 91% durante o período de seis meses. A eficácia da vacina contra a forma grave da Covid-19 foi de cerca de 97%. O artigo ainda não foi revisado por pares nem publicado em uma revista científica.

A pesquisa também revela que a eficácia da vacina atingiu alta porcentagem de mais de 96% de uma semana a cerca de dois meses após a aplicação da segunda dose do imunizante. Após o período de quatro a seis meses, a proteção pareceu diminuir gradualmente para 83,7%, com um declínio médio de cerca de 6 % nos últimos dois meses.

A farmacêutica, no início deste mês, anunciou que foi observada uma diminuição da imunidade de sua vacina contra o novo coronavírus, e, por isso, informou que está buscando desenvolver uma terceira dose para proteger as pessoas das variantes, sobretudo as de preocupação, que estão predominando no mundo. 

A Pfizer também informou que buscaria autorização de uso emergencial sob a Food and Drug Administration (FDA), agência reguladora de medicamentos dos Estados Unidos, para uma terceira dose em agosto.

No entanto, a FDA e o CDC, na época, comunicaram que os americanos ainda não precisavam da terceira dose da vacina. Além disso, os órgãos informaram que não cabe às empresas decidir sozinhas quando uma dose adicional poderia ser necessária.

Aprovação da terceira dose

Considerando os novos dados divulgados, a Pfizer comunicou que antecipa o envio de dados sobre uma terceira dose de sua vacina contra o coronavírus ao FDA já no próximo mês.

Para que a terceira dose seja administrada em pessoas nos Estados Unidos, a autorização de uso emergencial deve ser emitida pela FDA. No Brasil, a Anvisa já autorizou três pedidos formais para realização de estudos clínicos considerando a administração de doses extras das vacinas, sendo um estudo da Pfizer/BioNTech que investiga os efeitos, a segurança e o benefício de uma dose de reforço da sua vacina, informa a agência reguladora. 

No estudo aprovado pela Anvisa, a dose de reforço da vacina da Pfizer será aplicada em pessoas com esquema vacinal completo do imunizante há pelo menos seis meses.   


Foto: Breno Esaki/Agência Saúde DF


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