Componente presente em óleos essenciais pode ajudar no tratamento da doença de Parkinson


Um estudo publicado na revista científica Science Translational Medicine descobriu que o farnesol, um componente natural presente em óleos essenciais usados para melhorar o perfume de produtos cosméticos, preservou os nervos dopaminérgicos em um camundongo com doença Parkinson.

A nova pesquisa, liderada por pesquisadores da Escola de Medicina da Universidade Sungkyunkwan em Suwon, Coreia do Sul, e da Escola de Medicina da Universidade Johns Hopkins em Baltimore, Maryland, pode representar uma grande mudança no tratamento para o Parkinson.

Já existem fármacos, como a levodopa, que aumentam os níveis de dopamina no cérebro e melhoram a sinalização nervosa da dopamina, o que ajuda a aliviar os sintomas motores da doença. No entanto, esses tratamentos não retardam a perda progressiva dos nervos dopaminérgicos.

O farnesol ocorre naturalmente nas plantas e é um componente de vários óleos essenciais, incluindo citronela, capim-limão e bálsamo. Há muito tempo é um ingrediente utilizado na fabricação de perfumes. Além disso, o composto também é comum em tecidos animais.

O Parkinson, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), afeta 1% da população mundial acima dos 65 anos de idade. No Brasil, a estimativa é de que mais de 200 mil pessoas sejam acometidas pela doença.

No Parkinson, os neurônios produtores de dopamina em uma parte do cérebro chamada substância nigra morrem progressivamente. Os neurônios dopaminérgicos são essenciais para o movimento e a cognição, por isso, sua perda gradual ao longo de muitos anos causa o agravamento dos sintomas, que são caracterizados com tremores, rigidez muscular, dificuldade para andar e demência. Atualmente, não existem terapias comprovadas para atrasar ou prevenir a progressão do Parkinson.

O estudo

Os pesquisadores iniciaram o estudo examinando uma gama de fármacos para encontrar um composto que inibe uma proteína chamada Paris, que está implicada na morte de neurônios dopaminérgicos no Parkinson. De acordo com os pesquisadores, essa proteína retarda a fabricação de uma outra proteína, a PGC-1 alfa, que protege as células cerebrais de moléculas de oxigênio altamente reativas. Se os níveis de PGC-1 alfa são baixos, as moléculas reativas eventualmente matam as células.

No processo de seleção dos fármacos, os pesquisadores identificaram o farnesol como um inibidor potente de Paris. O farnesol altera quimicamente a proteína Paris em um processo conhecido como farnesilação. Os pesquisadores ficaram intrigados ao descobrir, a partir de estudos post-mortem, que os níveis de Paris farnesilado eram mais baixos na substância nigra de pessoas com a doença de Parkinson em comparação com os controles.

Os achados indicam que a farnesilação reduzida de Paris contribui para a morte de neurônios dopaminérgicos do Parkinson. Para investigar se o farnesol pode proteger os neurônios, os cientistas então alimentaram ratos com uma dieta regular suplementada com farnesol ou apenas com a dieta regular por uma semana. Foram injetadas fibrilas de uma proteína mal dobrada chamada alfa-sinucleína – uma marca registrada do Parkinson – no cérebro dos animais.

As análises apontaram que os roedores que consumiram a dieta suplementada com farnesol tiveram um desempenho duas vezes melhor em testes padrão de força e coordenação em comparação com os ratos da dieta normal. Após, os pesquisadores identificaram que os ratos na dieta de farnesol tinham o dobro de neurônios dopaminérgicos saudáveis ​​em seus cérebros.

Os cérebros dos roedores da dieta normal continham cerca de 55% menos da proteína protetora PGC-1 alfa do que os dos ratos com a dieta suplementada com farnesol, apontam os pesquisadores.

Em experimentos em tubo de ensaio, eles ainda descobriram que quando o farnesol se liga à proteína Paris, ele muda a forma da outra proteína. Isso evita que Paris interfira na produção de PGC-1 alfa. Os pesquisadores reconheceram o PGC-1 alfa há algum tempo como um alvo potencial para novos medicamentos para a doença de Parkinson, visto que os níveis elevados podem proteger os neurônios de dopamina.

Embora outros fármacos em desenvolvimento estimulem a PGC-1 alfa diretamente, os pesquisadores acreditam que isso não ajudará se os níveis da proteína protetora forem muito baixos. Em contrapartida, o farnesol atua aumentando a produção de PGC-1 alfa, garantindo que o suficiente esteja disponível para prevenir a morte dos neurônios dopaminérgicos. 

Para avançar o estudo, os pesquisadores estão planejando um ensaio clínico de farnesol em pacientes com doença de Parkinson.


Foto: Freepik


Bruna Faraco
Jornalista formada pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), radialista e fotógrafa.

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