Oswaldo Cruz: o sanitarista que revolucionou a ciência e a saúde pública no Brasil

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A saúde é o estado de equilíbrio físico e mental do nosso corpo, que mantém as características estruturais e funcionais do organismo em pleno funcionamento, além de abranger fatores sociais. No dia 5 de agosto, anualmente é celebrado o Dia Nacional da Saúde, data que visa conscientizar a população brasileira sobre a importância dos cuidados com a saúde e incentivar os hábitos que promovam uma vida mais saudável para evitar doenças. 

O dia 5 de agosto foi escolhido para homenagear a data de nascimento do médico, cientista e sanitarista Oswaldo Cruz, um importante nome na história da saúde pública do Brasil. O sanitarista foi responsável por liderar uma revolução científica no país com a medicina experimental e lutar contra doenças transmissíveis, sobretudo no combate e erradicação das epidemias da peste, febre amarela e varíola, que ocorreram no início do século XX no Brasil.

O legado de Oswaldo Cruz segue contribuindo para a saúde pública e a ciência nacional, com instituições científicas e pesquisadores dedicados a contribuir com a ciência e a saúde, aprofundando seus conhecimentos na busca por tratamentos e prevenção de patologias infecciosas e parasitárias. O atual cenário da pandemia de Covid-19 é um exemplo recente de que a ciência e a saúde pública são essenciais para promover o bem-estar de toda a população e, por isso, devem ser valorizadas e reconhecidas.

A microbiologia na vida de Oswaldo Cruz

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Preocupado com a saúde do país, Oswaldo Cruz também buscava formar novos cientistas. Foto: acervo COC (Casa de Oswaldo Cruz/Fiocruz)

Nascido em São Luís do Paraitinga, São Paulo, em 5 de agosto de 1872, Oswaldo Gonçalves Cruz era filho de Bento Gonçalves Cruz e Amália Bulhões Cruz. Em 1877, se mudou para o Rio de Janeiro com sua família, onde se formou na Faculdade de Medicina do Rio de janeiro em 1892, apresentando sua tese “A veiculação microbiana pelas águas”. O sanitarista já demonstrava sua paixão pela microbiologia durante o curso, visto que, além de sua tese, antes da conclusão do curso produziu dois artigos sobre microbiologia que foram publicados na revista Brasil Médico.

Esse interesse pela microbiologia o levou a montar um pequeno laboratório no porão de sua casa, porém, deixou de aprofundar seus estudos na área após a morte de seu pai. Em 1897, ele se mudou para Paris, onde ficou por dois anos estudando microbiologia, soroterapia e imunologia, no Instituto Pasteur, e medicina legal no Instituto de Toxicologia, em que adquiriu maiores conhecimentos nas técnicas de produção de soros e vacinas.

Combate a epidemias

Ao voltar para o Rio de Janeiro, ele assumiu a direção técnica do Instituto Soroterápico Federal, no qual produziu os primeiros cem frascos de vacina e soro contra a peste bubônica, que até então eram importados. No entanto, a peste não era a única patologia que atingia o Rio de Janeiro, doenças como febre amarela e varíola resultaram em surtos epidêmicos que ameaçavam o país. 

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Sanitarista está ao lado do filho Bento Oswaldo Cruz e de Burle de Figueiredo, no interior de um dos laboratórios do Castelo de Manguinhos, em 1910. Foto: acervo COC (Casa de Oswaldo Cruz/Fiocruz)

Diante do colapso na saúde, o sanitarista então, no ano seguinte, foi nomeado ao cargo de Diretoria-Geral de Saúde Pública (DGSP), com o objetivo de combater as epidemias que estavam causando milhares de mortes. Porém, esse desafio a ser enfrentado não seria nada fácil. O  sanitarista teve que adotar medidas por meio de uma campanha sanitária: determinou o isolamento dos doentes, a notificação compulsória dos casos positivos, a captura dos vetores (mosquitos e ratos), e a desinfecção das moradias, em sua maioria cortiços, nas regiões em que haviam surtos. Ele conseguiu, então, diminuir a incidência de peste bubônica e combater a febre amarela.

Contudo, suas medidas de combate da transmissão dessas patologias foi rechaçada por uma grande parte de médicos e da população, que acreditavam que as doenças eram transmitidas pelo contato com os doentes, vendo as medidas do sanitarista como um exagero. Mas o cientista acreditava em uma nova teoria: o transmissor da febre amarela era um mosquito. 

A Revolta da Vacina

A oposição ao sanitarista atingiu seu ápice em 1904, com o agravamento de surtos de varíola. Oswaldo Cruz tentou promover a vacinação em massa da população para combater a doença que, com campanhas contra a medida lançada por jornais, acabou gerando uma rebelião popular. A Revolta da Vacina, que levou inúmeras pessoas às ruas, durou uma semana, no entanto, a obrigatoriedade da vacina foi suspensa. 

Apesar dos percalços, em 1907, a febre amarela foi erradicada do Rio de Janeiro, com o extermínio em massa de ratos. E, quatro anos após a revolta contra a vacinação da varíola, em 1908, em uma nova epidemia, a própria população procurou os postos de vacinação.

O reconhecimento na luta pela saúde

Em 1907, a luta do sanitarista contra as doenças ganhou reconhecimento internacional. Oswaldo Cruz recebeu a medalha de ouro no 14º Congresso Internacional de Higiene e Demografia de Berlim, na Alemanha, pelo trabalho de saneamento realizado no Rio de Janeiro.  Um ano depois, ele foi recepcionado como herói nacional e, em 1909, o Instituto Soroterápico Federal passou a levar o nome de Oswaldo Cruz. 

Últimas contribuições

Oswaldo Cruz reformou o Código Sanitário e reestruturou todos os órgãos de saúde e higiene do Brasil. Além disso, com a equipe do Instituto Oswaldo Cruz (IOC), ele fez o levantamento das condições sanitárias do interior do país. No ano de 1910, o médico combateu a malária durante a construção da Ferrovia Madeira-Mamoré, em Rondônia, além de contribuir para a erradicação da febre amarela no estado do Pará e na campanha de saneamento da Amazônia.

Oswaldo Cruz saiu da direção do IOC em 1915 e, por motivos de saúde, se mudou para Petrópolis. Ainda assim, ele participou da fundação da Academia Brasileira de Ciências e foi eleito prefeito de Petrópolis, elaborando um plano de urbanização para a cidade. Dois anos depois, no dia 11 de fevereiro de 1917, morreu de insuficiência renal.


Imagem: Fiocruz


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