Inicia na África ensaio clínico de nova vacina contra o HIV

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O HIV (Vírus da Imunodeficiência Humana, na sigla em inglês), em 2020, atingiu cerca de 37,6 milhões  de pessoas em todo o mundo, é o que indica dados das estatísticas globais do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids (Unaids). E, apesar de haver avanços nos tratamentos medicamentosos para a doença, aproximadamente 690 mil pessoas morreram de doenças associadas à AIDS no ano passado.

Por isso, há quatro décadas pesquisadores buscam por uma vacina contra o HIV. Durante os anos, os conhecimentos relacionados ao vírus da imunodeficiência humana avançaram muito. Nesta semana, um ensaio clínico de Fase I de uma nova vacina para o HIV iniciou na Zâmbia, no sul da África. 

O teste, realizado pela Globally Relevant AIDS Vaccine Europe-Africa Trials Partnership (GREAT) em parceria com a Universidade de Oxford, teve a primeira dose administrada nesta terça-feira (3) no Centro de Pesquisa em Saúde da Família na Zâmbia (CFHRZ), em Lusaka, Zâmbia, e se estenderá a locais no Quênia e Uganda nas próximas semanas.

O diretor de projeto do CFHRZ e pesquisador principal do estudo, William Kilembem, apontou que “as parcerias internacionais são cruciais no desenvolvimento e avaliação de candidatos a vacinas contra o HIV em países e comunidades onde as vacinas contra o HIV terão, em última análise, o maior impacto na saúde pública.

O ensaio clínico, conhecido como  HIV-CORE 006, tem por objetivo avaliar a segurança, tolerabilidade e imunogenicidade de uma nova vacina candidata, a HIVconsvX, que visa uma ampla gama de variantes do HIV-1, sendo potencialmente aplicável contra diferentes cepas do HIV em qualquer região geográfica.

A HIVconsvX induz as células T potentes e destruidoras de patógenos do sistema imunológico, isso faz com que elas sejam direcionadas para regiões altamente conservadas e, portanto, vulneráveis ​​do HIV, diferente da maioria das vacinas candidatas contra o HIV, que funcionam por meio da indução de anticorpos gerados pelas células B.

Vincent Muturi-Kioi, diretor médico da International AIDS Vaccine Initiative (IAVI), disse: “É crucial termos uma linha diversificada de candidatos a vacinas contra o HIV que têm como alvo tanto os braços de anticorpos quanto de células T do sistema imunológico. HIVconsvX representa uma excitante nova hipótese no envolvimento do braço da célula T assassina para prevenir a infecção pelo HIV”.

Segundo o professor de imunologia de vacinas da Universidade de Oxford e pesquisador principal do ensaio, Tomas Hanke, “este projeto de vacina altamente racional e assistido por bioinformática aborda a enorme variabilidade do HIV-1 – um dos maiores desafios para o desenvolvimento de uma vacina eficaz contra o HIV/AIDS”. 

O ensaio clínico envolve 88 adultos saudáveis, HIV não reagente (negativo), com idades entre 18 e 55 anos, considerados não apresentarem alto risco de exposição ao vírus. Os participantes irão receber uma dose da vacina inicialmente, seguida por uma nova dose de reforço após quatro semanas.

Paola Cicconi, pesquisadora clínica sênior da Universidade de Oxford e  investigadora chefe do estudo, disse: “Uma vacina eficaz contra o HIV continua sendo um componente essencial, mas não realizado do kit de ferramentas de prevenção do HIV e continua a ser a solução mais econômica e desejável para acabar com a epidemia de HIV”. 

Atualmente, as únicas maneiras de prevenção do HIV compreendem intervenções comportamentais e biomédicas, como o uso de preservativo e medicamentos antirretrovirais usados ​​antes ou após uma relação desprotegida, conhecidos como  Profilaxia Pré-Exposição (PrEP) e a PEP (Profilaxia Pós-Exposição ao HIV).

O vírus da imunodeficiência humana é transmitido por meio de relações sexuais desprotegidas, pelo compartilhamento de seringas, transfusão de sangue contaminado, materiais perfurocortantes contaminados e não esterilizados e de mãe para filho durante a gravidez, parto e amamentação.

O diretor do KAVI-Institute of Clinical Research (KAVI-ICR) e  pesquisador principal do estudo, Walter Jaoko, disse: “As vacinas preventivas, especialmente aquelas que fornecem proteção durável contra todos os principais subtipos de HIV, seriam uma ferramenta poderosa para pessoas incapazes para acessar ou usar as opções de prevenção existentes. É por isso que continua sendo uma prioridade projetar e avaliar novas abordagens de vacinas, como HIVconsvX”.

O primeiro ensaio da nova vacina candidata foi realizado no início do mês de julho na Universidade de Oxford, no Reino Unido. Os pesquisadores informaram que esperam poder relatar os resultados do ensaio HIV-CORE 006 no final do ano que vem.


Foto: Freepik


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