Vacina produzida pela UFMG e Fiocruz pode ser usada como dose de reforço contra Covid-19

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Pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e da Fiocruz Minas desenvolvem, no Centro Tecnológico de Vacinas (CT-Vacinas) da UFMG, a vacina SpiN-TEC contra a Covid-19. O desenvolvimento de vacinas 100% nacionais representa um avanço no combate à Covid-19, que dará mais autonomia ao Brasil para a imunização da população.

A UFMG protocolou na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa),  no dia 30 de julho, o pedido de autorização para realização de testes clínicos de fases 1 e 2 em humanos do imunizante, que faz parte das 15 estratégias de vacinas da rede de especialistas RedeVírus MCTI, do Ministério da Ciência, Tecnologias e Inovações. 

A expectativa é de que os testes clínicos possam começar ainda neste semestre. Segundo a Anvisa, a análise considerará a proposta do estudo, o número de participantes e os dados de segurança obtidos até o momento nos estudos pré-clínicos que são realizados em laboratório e animais.

O pesquisador Ricardo Gazzinelli, coordenador do estudo, disse à Agência Fiocruz de Notícias que a ideia é que o imunizante funcione como dose de reforço, uma vez que a maior parte da população já terá sido vacinada em 2022, quando a SpiN-TEC poderá estar disponível. 

“Nosso pedido à Anvisa é para testarmos a capacidade de resposta em relação a esse reforço contra a Covid-19. Inicialmente, os testes  serão feitos com pessoas que já tenham recebido as duas doses CoronaVac há seis meses, pelo menos”, explica Gazzinelli.

Estudo clínico

Nos ensaios clínicos 1 e 2, visam, em primeiro momento, avaliar a segurança da vacina, verificando se há possíveis efeitos colaterais adversos, como dor de cabeça, dor local, febre, náusea, entre outros. E, por fim, verificar a imunogenicidade, ou seja, o nível de anticorpos gerados e a resposta dos linfócitos, que, juntos, poderão garantir a proteção do organismo contra a infecção por Covid-19.

De acordo com Gazzinelli, na fase pré-clínica, esses mesmos testes realizados em animais de laboratório e em primatas não humanos apresentaram resultados bastante positivos. Fatores como temperatura, perda de peso, alterações sistêmicas ou locais foram analisados pelos pesquisadores. 

O pesquisador ainda afirma que “não foi observado nenhum efeito colateral no local da aplicação ou alterações sistêmicas, como perda de peso ou mudança de temperatura. Além disso, foram verificados excelentes níveis de anticorpos, resposta de linfócitos T e proteção contra a infecção com Sars-CoV-2 nos animais de laboratório”.

Na fase 1, irão participar cerca de 40 voluntários. Já a fase 2, compreende entre 150 e 300 voluntários. De acordo com a UFMG, os testes serão realizados com pessoas que já tenham tomado as duas doses da vacina Coronavac, produzida pelo Instituto Butantan em parceria com a farmacêutica chinesa Sinovac, há pelo menos seis meses. O objetivo é avaliar a capacidade de resposta imunológica do organismo à terceira dose de um imunizante.

Desenvolvimento da SpiN-TEC

A SpiN-TEC, que é administrada em duas doses via intramuscular, é considerada pelos pesquisadores fácil de ser produzida. A pesquisa que deu origem ao imunizante, segundo a UFMG, baseou-se na modificação genética da bactéria E.coli, que recebeu pedaços do genoma do Sars-CoV-2 para que fosse possível produzir as proteínas S e N do coronavírus.

Essa tecnologia utilizada no desenvolvimento do imunizante, que consiste na combinação de diferentes proteínas para formar uma única proteína artificial, constitui um composto chamado de “quimera”, que é injetado no organismo em duas doses e induz à resposta imune. Além disso, segundo a Fiocruz, essa associação de proteínas confere à SpiN-TEC um diferencial em relação aos demais imunizantes. Dessa forma, a expectativa dos pesquisadores é de que a SpiN-TEC possa agir contra as variantes do coronavírus. 

É uma vacina que atua na produção de anticorpos e também no nível celular, induzindo resposta de linfócitos Ts, células com funções imunológicas de efetuação de respostas antivirais. Os pesquisadores ainda destacam que, por ter um método de produção mais simples, essa vacina poderia ser produzida no Brasil.


Foto: Freepik


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