Canabidiol é eficaz no tratamento da síndrome de Burnout, revela estudo da USP


O canabidiol (CBD), substância derivada da Cannabis, é alvo constante de inúmeras pesquisas que investigam os benefícios do composto para o tratamento de doenças. Na última sexta-feira (13), pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) divulgaram os resultados de um estudo que constatou os benefícios do uso do CBD para o tratamento da síndrome de Burnout.

Por ter propriedades ansiolíticas e antidepressivas, o canabidiol pode ser capaz de reduzir a exaustão emocional e os sintomas da doença. O CBD é um óleo extraído da planta da Cannabis (maconha), que apresenta potencial terapêutico. Diferente do THC, composto presente na planta, o CBD não possui propriedades psicoativas.

O estudo, publicado no periódico científico Journal of the American Medical Association (JAMA) e liderado pelo psiquiatra José Alexandre Crippa, faz parte do grupo de pesquisa Prevenção de Burnout e Estresse com canabidiol em profissionais da linha da frente da Covid-19.

O estudo

Realizada no Hospital das Clínicas da USP de Ribeirão Preto, a pesquisa contou com a participação de 120 profissionais da área da saúde que atuam na linha de frente no combate à Covid-19, abrangendo médicos, enfermeiras e fisioterapeutas. De acordo com os pesquisadores, os profissionais de saúde, sobretudo os que trabalham com pacientes Covid-19, têm uma incidência maior de sintomas de burnout. 

Os participantes foram divididos em dois grupos: o grupo randomizado recebeu 300 mg de CBD associado ao tratamento padrão para o burnout, que consiste em terapia semanal e vídeos motivacionais e instrucionais sobre exercícios físicos de baixo impacto. O grupo de controle apenas seguiu com o tratamento padrão. Todos os participantes foram acompanhados remotamente pelo período de 28 dias.

As análises indicaram que o tratamento diário de canabidiol (300 mg) junto com o tratamento padrão reduziu os sintomas de exaustão emocional, ansiedade e depressão entre os profissionais de saúde em comparação com aqueles que receberam somente o tratamento padrão. 

Os pesquisadores ainda relatam no estudo que o tratamento com CBD atrelado ao tratamento padrão diminuiu o número de diagnósticos de síndrome de burnout e reduziu significativamente o número de participantes com escores indicativos de ansiedade e depressão quatro semanas após o início do tratamento. 

Apesar dos resultados, os pesquisadores relataram que cinco participantes do grupo de tratamento tiveram eventos adversos pelo uso da substância. De acordo com os autores, todos os participantes se recuperaram totalmente após a interrupção da terapia com CBD.

“O canabidiol pode atuar como um agente eficaz na redução dos sintomas de burnout em uma população com importantes necessidades de saúde mental em todo o mundo. No entanto, é necessário equilibrar os benefícios com potenciais efeitos adversos e indesejados na tomada de decisões quanto ao uso desse composto”, relatam os autores no artigo. 

Os pesquisadores ainda ressaltam que novos ensaios clínicos serão necessários para avaliar se as conclusões obtidas na pesquisa podem ser aplicadas de forma mais ampla.

Síndrome de Burnout

A síndrome de Burnout, ou síndrome do esgotamento profissional, é uma condição caracterizada por um colapso mental, emocional e físico, causados por estresse excessivo e prolongado. O distúrbio tende a ocorrer entre profissionais que lidam com responsabilidades e pressões constantes no ambiente de trabalho, porém, pode acometer os estudantes.

A síndrome de Burnout, a partir de janeiro de 2022, será incluída como um fenômeno ocupacional na nova Classificação Internacional de Doenças (CID-11), de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS).

Os sintomas do burnout podem afetar a vida social e falta de produtividade, visto que o paciente tem dificuldade de concentração, devido aos cansaço mental excessivo, falta de ânimo, alterações de humor, insônia, entre outros sinais psicológicos e clínicos. 

Para saber mais sobre a síndrome de Burnout, clique aqui.


Foto: Freepik


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Bruna Faraco
Jornalista formada pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), radialista e fotógrafa.

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