Fiocruz anuncia produção de 60 milhões de testes de antígeno para Covid-19

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A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) anunciou, nesta segunda-feira (16), que irá produzir 60 milhões de testes de antígeno de detecção da Covid-19 para o Ministério da Saúde, que será destinado ao Sistema Único de Saúde (SUS) até o final deste ano. A iniciativa, que deverá contar com um investimento de cerca de R$ 1,2 bilhão, permitirá um diagnóstico mais rápido da infecção pelo SARS-CoV-2 e faz parte da ampliação da estratégia de testagem no país. 

Os testes serão fornecidos de acordo com a demanda da pasta. A Fiocruz ainda será responsável pelo treinamento das equipes e assistência técnica e científica nas localidades a serem definidas pelo Ministério da Saúde.

A presidente da Fiocruz, Nísia Trindade Lima, destacou: “A Fiocruz vem promovendo uma série de atividades relativas ao enfrentamento da emergência de saúde pública em decorrência da Covid-19, com interação permanente e atenção às demandas colocadas pelo Ministério da Saúde para a instituição, considerando o cenário epidemiológico e os novos conhecimentos que vêm sendo produzidos a respeito da doença. Nesse sentido, a Fiocruz põe novamente sua capacidade tecnológica e de produção à disposição da saúde pública brasileira, com a produção de novos testes para o diagnóstico”.

Para o vice-presidente de Produção e Inovação em Saúde da Fiocruz, Marco Krieger, uma ampla estratégia de testagem tem um papel fundamental no monitoramento das epidemias e de suas tendências, sendo uma ferramenta para conter, desacelerar e reduzir a propagação do vírus. 

“Os testes de antígeno, combinados à estratégia dos testes moleculares, poderão ampliar a testagem no país, permitindo identificar rapidamente os infectados e implantar uma estratégia de rastreamento dos contatos do indivíduo que podem estar também infectados. Com isso, as autoridades de saúde podem fazer uma intervenção mais efetiva e direcionada, detectando e isolando os infectados e interrompendo a cadeia de transmissão do vírus”, explicou Krieger à Agência Fiocruz de Notícias.

A Fiocruz informou que vai continuar produzindo os testes moleculares (RT-PCR), considerados o padrão ouro para detecção do vírus desde os primeiros dias de infecção. Após a entrega de 11,7 milhões de testes moleculares, recentemente foi firmado um novo acordo com o Ministério, para a produção de mais 13,7 milhões de testes RT-PCR. 

Os especialistas da Fiocruz envolvidos no projeto apontam que é importante ampliar o número de produtos relacionados à testagem, a exemplo da incorporação do teste de antígeno, mas sempre considerando uma estratégia integrada que considere as vantagens e os objetivos de cada um deles. O RT-PCR, por exemplo, além de ser considerado o teste mais preciso para o diagnóstico da doença, também é o único capaz de sustentar uma ação de vigilância genômica, uma vez que o monitoramento das variantes depende do sequenciamento das amostras desse tipo de teste.

Tanto os testes de antígeno como os testes moleculares, segundo a Fiocruz, servem para detectar a presença do vírus Sars-CoV-2 – causador da Covid-19 – durante a infecção, mas as metodologias de testagem são distintas, além de possuir sensibilidade e tempo de processamento também diferentes. 

A Fiocruz explica que o RT-PCR busca encontrar material genético do vírus, chamado de RNA, e requer o envio a laboratórios especializados que possam processar a amostra e identificar o vírus. O processamento pode levar algumas horas, depende de equipamentos sofisticados e é considerado o padrão ouro na detecção do vírus.

O teste de antígeno, por sua vez, busca por proteínas específicas na superfície do vírus que podem identificá-lo. A coleta do material é realizada da mesma forma que o RT-PCR, com amostra de nasofaringe, mas seu processamento é muito mais rápido, sendo possível obter um resultado em 15 minutos. Além disso, não é necessária infraestrutura sofisticada e o processamento pode ser feito no próprio local da coleta, a partir da mistura de uma solução, que é responsável por liberar as proteínas virais, e uma tira de papel especial que contém anticorpos que se ligarão a essas proteínas, em caso de resultado positivo. A sensibilidade é um pouco menor que a do RT-PCR, mas ainda é considerada alta, com potencial acima de 95%.


Foto: André Az


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