Metabolismo de pessoas adultas permanece estável até os 60 anos, indica estudo

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Acredita-se que o metabolismo desacelera na meia-idade, porém, um estudo publicado na revista científica Science revelou que o metabolismo de pessoas adultas permanece estável até cerca de 60 anos.

O estudo, realizado por uma equipe internacional de pesquisadores, mediu a quantidade total de energia que as pessoas gastam diariamente, mostrando que o gasto total de energia, ajustado para o tamanho do corpo, diminui continuamente de um pico na infância até por volta dos 20 anos de idade e então permanece estável até os 60 anos. Os pesquisadores ainda descobriram que, para seu tamanho, crianças de um ano queimam calorias 50% mais rápido do que os adultos.

Para os pesquisadores, as fases da vida que o estudo revela oferecem novas perspectivas sobre doença, atividade de drogas e cura, que estão ligadas à taxa metabólica.

O estudo

Para chegar aos resultados, os pesquisadores analisaram dados sobre o gasto energético total de 6.421 indivíduos com idades entre 8 dias e 95 anos, residentes em 29 países diferentes.

Anteriormente, a pesquisa sobre o gasto de energia se concentrava principalmente no metabolismo de repouso ou basal, que é o número de calorias queimadas apenas para manter o corpo funcionando.

O metabolismo basal inclui a energia que o corpo dedica às funções vitais, como respirar, digerir os alimentos e bombear o sangue pelo corpo. Isso representa, no entanto, apenas 50-70% de todas as calorias que os humanos queimam. A exemplo, não inclui atividades comuns, mas enérgicas, como caminhar, subir escadas, correr ou fazer compras.

O novo estudo adotou uma abordagem diferente, usando a técnica científica padrão ouro para medir o gasto total de energia, conhecida como “água duplamente marcada”, um método que requer que os participantes do estudo bebam água que contém isótopos incomuns (versões mais pesadas) de átomos de hidrogênio e oxigênio. A técnica é utilizada desde a década de 1980, para monitorar quantas calorias os humanos queimam em suas atividades diárias. Porém, devido ao alto custo do isótopo de oxigênio, este meio tem sido limitado em estudos.

Os pesquisadores então analisam amostras diárias de urina de cada participante para rastrear as taxas nas quais seu corpo excreta cada isótopo. A diferença entre as duas taxas de eliminação mostra a quantidade de dióxido de carbono que a pessoa está produzindo, o que, por sua vez, reflete a taxa na qual estão queimando calorias.

Segundo os pesquisadores, a taxa metabólica surpreendentemente alta encontrada nos tecidos das crianças pode estar relacionada ao rápido crescimento e desenvolvimento. Por outro lado, o gasto energético reduzido em pessoas idosas pode refletir um declínio no metabolismo de seus órgãos.

Para os autores do estudo, as alterações metabólicas que identificaram levarão a novas investigações sobre a progressão da doença, a atividade da droga e a cura, todas intimamente relacionadas à taxa metabólica. Além disso, eles identificaram diferenças consideráveis ​​no gasto de energia entre os indivíduos, mesmo depois de levarem em conta a composição corporal, o sexo e a idade.

Apesar dos resultados, os pesquisadores reconhecem que uma das limitações do estudo foi não fornecer informações sobre possíveis fatores contribuintes, como dieta alimentar e exercícios físicos.

“Elucidar os processos subjacentes às mudanças metabólicas ao longo do curso de vida e à variação entre os indivíduos pode ajudar a revelar os papéis da variação metabólica na saúde e na doença. A manutenção e o reparo podem estar diminuindo, contribuindo para os processos de envelhecimento, mas vamos precisar de mais ciência para definir isso”, concluíram os autores do estudo.


Foto: Freepik


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