CoronaVac é eficaz contra casos graves de Covid-19 provocados pela variante Delta, aponta estudo

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Um estudo preliminar realizado por pesquisadores do Centro de Controle e Prevenção de Doenças da província de Cantão (Guangdong), na China, revelou que a vacina CoronaVac, produzida no Brasil pelo Instituto Butantan em parceria com a biofarmacêutica chinesa Sinovac, apresenta eficácia contra casos graves de Covid-19 provocados pela variante Delta, identificada pela primeira vez na Índia. 

O artigo foi publicado na plataforma de preprints SSRN, vinculada à revista científica The Lancet. No estudo, os pesquisadores indicam que o imunizante evita em 100% o desenvolvimento de casos graves causados pela variante indiana e apresenta eficácia de 69,5% contra o aparecimento de pneumonias decorrentes da doença. 

Segundo o Instituto Butantan, esse é o primeiro estudo publicado sobre a eficácia das vacinas de vírus inativado, especialmente a CoronaVac, na prevenção de pneumonias e casos graves de Covid-19 causados por essa variante.

“A vacina dada em duas doses tem uma efetivamente que varia entre 69% a 77% em relação à proteção de pneumonia, que é o quadro mais grave. Isso é uma boa notícia, um dos primeiros estudos do que chamamos de mundo real, demonstrando a efetivamente da Coronavac contra a variante delta”, disse o presidente do Instituto Butantan, Dimas Covas, em coletiva de imprensa.

A pesquisa foi realizada entre maio e junho deste ano, período em que houve um surto da variante Delta, e contou com a participação de 10.813 pessoas. Com exceção do grupo controle, de acordo com o Butantan, os participantes haviam sido vacinados com uma das quatro vacinas de vírus inativado autorizadas para uso emergencial na China – a vacina da CoronaVac/Sinovac, as vacinas HB02 e WIV04, da Sinopharm, e a BICV, da Biokangtai.

Do total de voluntários, 5.888 não foram vacinados, 3.130 receberam a primeira dose e 1.795 tomaram as duas doses. Entre os participantes que foram vacinados com a primeira dose, 48,57% (2.392 pessoas) foram imunizadas com a vacina da Sinovac; entre os que receberam as duas doses da vacina, o indicador foi de 58,28% (1.046 pessoas).

Os dados apresentados no estudo indicaram que entre os participantes não vacinados, houve 85 casos (1,44%) da infecção; entre os vacinados com uma dose, 12 casos (1,42%); e entre os vacinados com duas doses do imunizante, cinco casos (0,35%). Além disso, não foram registrados casos críticos entre os vacinados, o que indica a eficácia de 100% contra o desenvolvimento de casos graves de Covid-19 causados pela variante delta. Já entre os não vacinados, houve 19 casos graves ou críticos.

De acordo com o Butantan, o estudo foi feito com pessoas não vacinadas e vacinadas com uma ou duas doses porque quando o surto da variante delta começou em Cantão a imunização em massa ainda estava em andamento. Para a análise, os pesquisadores usaram dados de vigilância sanitária e de vacinação.

Considerando o surgimento e crescimento de novos casos com a variante Delta no Brasil, o Instituto Butantan informou que já está estudando se a CoronaVac é efetiva contra a Delta, iniciando a pesquisa pelo isolamento da variante.


Foto: Breno Esaki/Agência Saúde DF


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